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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Um pouco de Pushkin: A Perfídia




A Perfídia

Se teu amigo, ao ouvir-te as razões,
Retira-se em silêncio causticante;
Se a mão afasta da que lhe propões,
Como de cobra, a estremecer no instante;
Se ele, cravando em ti o agudo olhar,
Move a cabeça desdenhosamente,
Não digas: "Está louco de pesar:
É, de fato, um garoto, está doente";
Não digas: "Ele é todo ingratidão;
Irado e fraco não merece estima;
A vida, sonho mau, faz-lhe aflição..."
Estarás certo? É a calma que te anima?
Se é assim, dispõe-se ele a morrer
Afim de reconciliar-se cm o amigo.
Porém se da amizade o almo poder
Usavas para afronta iníqua, digo,
Porém se espicaçavas com ardis
Sua imaginação desconfiada,
E eram teus recreios senhoris
Ver-lhe, triste e a gemer, a alma ultrajada;
Porém se foste da calúnia vil
Para o enodoar eco despercebido,
Se grilhões lhe lançaste, e a quem hostil
Lhe era, a rir, o entregaste adormecido,
E ele leu de tua alma na mudez
O oculto, com o olhar cheio de ânsia,
Basta! de frases fúteis não é vez:
Estás julgado em derradeira instância.

(1824)

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Os Descendentes de Pushkin- Parte 1: filhos e netos


Um dos meus passatempos favoritos é a genealogia.Com isto, me interesso, também, pela descendência de alguns personagens históricos  bem como dos escritores que mais gosto. Todos no âmbito da Rússia, nem preciso frisar.
  Através destas "pesquisas", a gente acaba descobrindo coisas interessantes como, por exemplo, a existência de descendentes comuns a Pushkin e a Gógol, ou a realização de encontros internacionais dos descendentes de Pushkin. São coisas deste tipo que disponibilizamos nesta postagem e na próxima, que trará o vídeo de um encontro da família, produzido pelo "Pervy Kanal", Rússia, TV1.

sábado, 10 de outubro de 2015

Discurso Sobre Pushkin, o marco zero da carreira de Dostoievski


O post de hoje  fui buscar no número 1 da  Rus -Revista de Literatura e Cultura Russa, uma publicação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciencias Humanas da USP. O artigo que selecionamos para esta postagem se refere ao  início da aclamação pública de Dostoievski, que se deu no Festival Pushkin, onde o autor de Crime e Castigo fez um discurso sobre o grande poeta russo.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Caderno de Literatura e Cultura Russa: PDF

'O Curso de Russo do Departamento de Letras Orientais da FFLCH-USP inicia a publicação de seu 'Caderno de Literatura e Cultura Russa', revista bienal destinada a estudiosos, pesquisadores e ao público interessados em assuntos russos. Trata-se de páginas de apresentação, análise e discussão de temáticas referentes às áreas de literatura, artes, filosofia e ciências humanas em geral, cujos autores são especialistas, alguns já consagrados, que vêm-se dedicando incansavelmente à divulgação e à pesquisa desses assuntos entre nós'." (Editorial do livro)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

13 DE ABRIL: MORTE DE BORIS GODUNOV

Quem foi Boris Godunov?
Primeira resposta, correta - aliás, que virá à mente de muitos é que Boris Godunov é uma tragédia de PuShkin, que trata do confronto entre o tsar homônimo e um impostor. Mas Boris Godunov foi, realmente, um tsar, que reinou na Rússia de 1.598 a 1605.

Com a morte de Ivan IV, mais conhecido como Ivan, o Terrível, em 1584, sobe ao trono seu segundo filho Fiódor(1), o último da dinastia Riurikovitch(*): não teve filhos, portanto, não deixou descendentes diretos.

Fiódor foi um monarca piedoso, mas de personalidade fraca.Seu cunhado e primeiro-ministro Boris Godunov, nascido em 1552 e falecido em 13 de abril de 1605, em moscou, era um homem de enorme sagacidade e os poucos triunfos obtidos no reinado de Fiódor foram a Godunov atribuídos.

Reza a lenda do século XVIII, que Boris Godunov seria de decendência semi-tártara, descendente de um príncipe chamado Tcheta, que chegou à então "Rus" na época de Ivan Kalita, ou Ivan - o Avarento, por volta de 1325, o que não está de acordo com a genealogia do sobrano, pela qual os Godunov descendem de um grão-duque moscovita.

O pai de Boris - Fiódor Ivanovitch Godunov, de alcunha "o torto", era um proprietário de terras mediano e não pertencia a nobreza.Mas, voltandoa Fiódor, ele morreu em 1598 e o fato de não deixar descendentes causou uma sucessão de crises sem precedentes no país. Não havia outro filho de Ivan IV para suceder Fiódor, pois seu irmão Dmitri havia morrido aos nove anos de idade, em 1591, na cidade de Uglich, às margens do rio Volga(ver foto abaixo).Nunca as condições da morte de Dmitri foram esclarecidas.
Surgiram rumores de que Boris, com ambição de ocupar o trono, teria mandado matar Dmitri. Rumores totalmente improváveis, pois Boris não poderia jamais adivinhar que seu cunhado morreria sem ter filhos. Entretanto, tais boatos tiveram conseqüências desastrosas para a Rússia e tudo que ocorreu, daí por diante, deve ser reputado a estes boatos.

Boris Godunov era esperto, inteligente e cauteloso - ambicioso, também. Foi subindo na hierarquia social aos poucos.Em 1570, casa sua irmã Irene com Fiódor; ele próprio se casa com Mária Skuratova -Belskaya, filha de Grigoriy Lukyanovitch Skuratov Belskiy, mais conhecido pela alcunha de Malyuta Skuratov, um dos mais perversos líderes da Oprichina(4), começando, com isto, sua subida ao poder. Se torna um "boyarin" ou nobre em setembro de 1580. No último ano de vida de Ivan, Boris -que antes não era próximo do monarca, graças ao seu sogro, se tornou uma das pessoas mais influentes junto a ele, sendo, também, suspeit de mata-lo, em 1584.
Boris foi eleito para o trono vago, para desgosto das famílias dos boiardos(2), que armaram uma conspiração, com o apoio do metropolita(3) de Moscou, Dionísio II. O monarca venceu a conspiração, banindo os rebeldes do reino, enviando-os a Mosteiros.No geral, foi um monarca pacífico, que conseguiu recuperar algumas cidades perdidas para a Suécia no reinado anterior. Apesar de pacífico, apoiou uma facção anti-turca na Criméia, apoiando uma guerra contra o Sultão.

Seu reinado foi palco de uma série de desastres, especialmente destruição de colheitas e muita fome. Embora ele tenha tentado adotar medidas para atenuar as desgraças, como por exemplo, o envio de grupos de estudantes para a Europa Ocidental e o renascimento da construção civil, não conseguiu o apoio popular.

Conforme Pushkin narra em seu poema, aconteceu, de fato, o surgimento de um pretendente que se dizia ser Dmitri surgido miraculosamente da Polônia rumo a Moscou, acompanhado por um exército formado, maciçamente, por poloneses, exército este que só ia crescendo, à medida que avançava. Boris morre subitamente, seu filho Fiódor é linchado e o falso Dmitri é aclamado o novo tsar, mas isto já é outra história.

Os acontecimentos deste período, o amigo do blog poderá ler em Pushkin, obra editada pela Ed.Globo, coleção Clássicos Globo, com tradução direta do russo. Godunov é, também, tema da ópera de Musorgsky.

Finalizo o post com a contracapa do livro de Pushkin:

"Traduzido diretamente do russo, Boris Godunov é um drama histórico no qual Púchkin transforma em tragédia o episódio do confronto entre o homônimo tsar e um impostor que reivindica seu direito ao trono. Escrita em versos por um poeta que é o epicentro da literatura russa, a peça foi concebida, nas palavras do próprio autor, para "plasmar em formas dramáticas uma das épocas mais dramáticas da história moderna".

______________________
Notas da Milu:
(1)Comumente traduzido para Teodoro, o que não concordo, já que não julgo correto traduzir nomes próprios.
(2)Palavra oriunda de "boyarin",que significa nobre, em russo. Boiardo era o título que se dava aos representantes da nobreza russa, entre os séculos X ao XVII.
(3)Dentro da hierarquia ortodoxa, é um intermediário entre o Patriarca (chefe supremo da Igreja Ortodoxa) e os arcebispos.
(4)Polícia política da época de Ivan, o terrível.
(*) Ver neste blog a respeito(http://russiashow.blogspot.com/search?q=Riurikovitch)

Bibliografia:
Grandes impérios e civilizações - Rússia, vol.1-Ed.Del Prado

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

DIRETO DO TEATRO BOLSHOI - PIOTR I.TCHAIKOVSKY / EVGUENY ONEGIN: ÓPERA ONLINE

Ano: 2009
País: França
Direção: Chloé Perlemuter
Baseado na obra de Alexandr Pushkin e na música de Tchaikovski
Roteirista:Konstantin Chikovskiy
Arte de Maria Danilova
Gênero: Musical

Fonte:http://kinobaza.tv/

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

POEMANDO COM PUSHKIN: O PROFETA

O PROFETA
escrito em 1826

Ceio de sede espiritual
No ermo sombrio eu me arrastava,
E um serafim ou ser igual,
Na encruzilhada me esperava.
Minhas pupilas tocou com
Dedos leves qual sonho bom:
Para prever fê-las bastantes
E às da águia arisca semelhantes.
As mãos nestas onças por
Quis e ei-las plenas de rumor.
Ouço dos céus o movimento,
De anjos do empíreo o adejar,
Do que há sob a água o rastejar
E da videira o crescimento.
Para meus lábios se inclinou
E a língua insana me arrancou
Que era astuciosa e maldizente,
E da sábia serbe o aguilhão,
Com uma ensangüentada mão
Pôs-me entre glacias dente e dente.
Meu peito com gládio fendeu,
Sacou-me o coração convulso,
E um carvão em brasa meteu
No lugar do órgão avulso.
Qual morto nesse eterno jazer,
Ouvi a voz de adeus dizer:
"Levanta, avante, acorre e atende,
Dá ao que quero execução,
E indo por mar e terra acende
Com fogo cada coração".

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O NEGRO DE PEDRO, O GRANDE: PUSHKIN


"O negro de Pedro, o Grande" é uma novela integrante do livro "A Dama de Espadas - Prosa e Poemas", de Aleksandr Pushkin, numa maravilhosa tradução de Boris Schnnaiderman e Nelson Ascher, pela Editora 34. O Todas as histórias do livro são inquestionavelmentes ótimas - o que é óbrio em se tratando de Pucchkin, mas meu destaque epecial é para esta novela inacabada, ecrita em 1827, na qual o autor "pretendia narrar a vida de seu trisavô pela linha materna, que fora comprado no serralho do Sultão de Constantinopla e dado de presente a Pedro, o Grande".
Realmente Pushkin foi uma mistura de nobreza com escravidão, já que pelo lado paterno ele tinha "seiscentos anos de nobreza" e esta mistura se reflete bastante em sua obra.

Dos dois lados de sua ascendência, ele herdou a aptidões:do lado paterno veio o gosto pela poesia e do materno o temperamento apaixonado. Seu aspecto físicoveio desta sua descendência africana (basta ver seu cabelo crespo e seus lábios grossos, nada típicos do povo russo).

Nesta novela, o personagem central é Pedro I e todos os personagens da obra giram em torno dele e dos últimos dias de seu reinado, que fez da Rússia sua oficina (ele gostava da arte da marcenaria e, dizem, fazia os próprios móveis) e um grande canteiro de obras e isto é muito bem mostrado por Pushkin como pano de fundo de sua novela, interrompida sem mais delongas em 1827, por motivos desconhecidos e que geram muita versão controversa, entre elas é a de que ele não teria querido relatar o período em que seu antepassado teria caído em desgraça, após a morte de seu protetor Pedro. Se foi isto, ninguém sabe ao certo, já que o autor não deixou nenhuma explicação registrada. O certo é que, mesmo sem um final, a novela é excelente e mais do que recomendo sua leitura: acho-a, mesmo, indispensável aos amantes a literatura russa.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

UM POEMA DE PUSHKIN

Saber não queiras por que a alma abatida
tanta vez sinto em meio às recreações,
Por que tudo olho com tristeza, e a vida
É para mim de um sono as ilusões,

Saber não queiras por que a alma entibiada
Do amor brejeiro pôde-se afastar,
Por que já não chamo a ninguém amada:
quem uma vez amou não volta a amar.

Quem foi ditoso não será ditoso.
Perdura a beatitude de uma hora só:
Da mocidade irá longe,do gozo
E da volúpia o solitário dó.

(1817)

terça-feira, 4 de maio de 2010

PUSHKIN: O PAI DA LITERATURA RUSSA MODERNA



Não há muito o que escrever sobre Aleksandr Púshkin, já que a seu respeito existe uma profusão de sites e blogs. Este post foi criado, apenas, para mostrar dois de seus poemas menos conhecidos no Brasil, mas - simplesmente, fantásticos. Como curiosidade, também, traduzimos de um site russo palavras de alguns grandes escritores a respeito de Pushkin.


1- GOGOL: ouvindo o nome de Pushkin, imediatamente, nos vêm o pensamento de um "poeta naciona". Realmente, nenhum de nossos poetas é maior do que ele, não sendo possível denominar nenhum outro de "nacional". Este direito pertence a Pushkin e a nenhum outro. Nele, como se em um dicionário, se encerra toda a riqueza, a força e a versatilidade de nossa língua."
2 - TURGUÊNIEV: Ele deu o refinamento definitivo à nossa língua, a qual agora por sua riqueza, força, lógica e beleza formais é reconhecida até por filólogos estrangeiros..."
3 - LEV TOLSTOI: O sentido da beleza foi desenvolvido nele até o mais elevado nível, como não o foi em nenhum outro. Quanto mais brilhante inspiração, tanto mais meticuloso é o trabalho para sua execução. Lemos em Pushkin versos tão fluentes e fáceis, que nos parece que eles já saíram assim, nesta forma. Não nos é visível quanto trabalho ele empregou para isto, a fim de sair tudo assim, tão simples e fluente..."
Amei-te - e pode ainda ser que parte
do amor esteja viva na minha alma.
Mas isto, pois em nada hei de magoart-te, não deve mais tirar a tua calma.
Sem esperança e mudo em meu quebranto,
morto de ciúme e timidez também,
eu te amei tão sincero e terno quanto
permita Deus que te ame um outro alguém.
(1829)

DOM INÚTIL

Dom inútil, dom fortuito,
por que a vida me foi dada?
E o destino, com que intuito
a condena a um fim: o nada?

Que poder hostil, do pó,
suscitou minha alma ardente
e lhe deu paixão, mas só
dúvidas à minha mente?

Sigo a esmo de ermo peito,
mente ociosa e, sem saída,
pesaroso, eu me sujeito
ao maçante som da vida.
(1828)


Extraídos do livro " A dama de espadas", de AleksandrPushkin, com a primorosa tradução de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher, ed. 34

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