Mostrando postagens com marcador MEMÓRIAS DE KHRUCHTCHEV. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MEMÓRIAS DE KHRUCHTCHEV. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Um pouco de história: A URSS e a questão japonesa, por Nikita Kruchtchev


Nosso post de hoje foi extraído das memórias de Nikita Khruchtchev, do capítulo em que fala sobre a diplomacia soviética subsequente ao término da II Guerra, principalmente das questões com o Japão. Suas memórias estão repletas de revelações deste período, mas escolhi justamente o trecho em que fala sobre a questão japonesa; sobre as ilhas Sakhalin;sobre as relações soviéticas com os EUA de Truman e muitos outros temas importantes. 
 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

MEMÓRIAS DE KRUCHTCHEV: AS FITAS DA GLASNOST- MAIS UM TRECHO

Há tempos atrás postei um trecho do livro de Nikita Khurchtchev(*), intitulado "Memórias de Khurchtchov - as fitas da Glasnost. Editado pela Siciliano em 1991, um livro difícil de ser encontrado, mas fundamental para quem quer conhecer um pouco mais da história da URSS.

Escrito no auge da desestalinização promovida por Khurchtchev, ele mostra algumas curiosidades no mínimo interessantes, apesar de eu não poder afirmar a autenticidade dos relatos. Digo e explico o porquê.


Não posso afirmar que acredito na veracidade de tudo o que está escrito nele, por uma razão muito simples: o material deixado pelo ex Primeiro Sercretário do Comitê Central do Partido Comunista, Nikita Khurchtchev, declarações gravadas em fitas cassete, veio a tona pelas mãos de Jerrold Schecter, antigo chefe dos escritórios da revista americana Times em Moscou , junto a um grupo comprometido com a publicação do material, formado por gente da Life, Time Inc, entre outros. Tendo em vista que o período era de guerra fria e muitos, tanto na Rússia, quanto no Ocidente, acharam o livro uma manipulação. A KGB chegou a dizer que ele foi escrito na "cozinha da CIA". Talbott, que preferiu manter a identidade as pessoas que lhe repassaram o material no anonimato, afirma que, durante décadas, pairou sobre a publicação das fitas muita desconfiança a respeito de sua veracidade, desconfiança esta que só foi resolvida pela confirmação do filho de Khurchtchev, Serguiey (que, curiosamente, era na época, um respeitado professor universitário nos EUA...), a respeito das fitas, em seu livro "Khruchtchev por Khruchtchev" .Foi o fim das polêmicas. As fitas, segundo Talbott, também possuem um certificado de autenticidade emitido por peritos que analisaram a voz delas constantes e concluíram ser do ex líder soviético.
No entento, eu - mera curiosa e amante da história daquelas bandas, continuo com minhas desconfianças. Ando procurando na rede se Talbott tinha alguma ligação com a CIA. Procurei muito pela internet e só encontrei uma referência a seu respeito, no endereço a seguir: ao que parece ele iniciou sua carreira na Cia, o que - para mim, tira bastante a credibilidade do livro. Mas gosto sempre de ler mais de uma versão da história. Assim, a leitura deste livro ainda me foi válida para o exercício da reflexão e do raciocínio, bem como para não ficar presa apenas às que li escritas por russos ou soviéticos.
http://www.stewwebb.comTalbott e a Cia


MD


lvro dde Serguiey Khruchtchev

O post inicial desta série foi sobre o suicídio da esposa de Stalin, mais precisamente sobre o que Khruchtchev soube a respeito (ele pertencia ao reduzido grupo de íntimos de Stalin). O post de hoje trata sobre as origens das fitas, de acordo com seu próprio autor, Nikita Khruchtchev.

"De há muito meus camaradas me aconselham e, até recomendam com insistência, que eu escreva aquilo de que me lembre. Minha geração viveu um período sumamente interessante: revolução, guerra civil, transição do capitalismo para o cosicalismo, Grande Guerra Patriótica, desenvolvimento e fortalecimento do sistema socialista - uma época inteira, completa. Foi meu destino tomar parte nesses anos que muitos não compreendem. É natural. Nem eu mesmo compreendo tudo.

Simpatizo com a preocupação dos camaradas que insistem assim comigo para que redija minhas memórias. Em algum momento, depois que muito tempo passar, toda palavra proferida por nós que vivemos no nosso período será um guia de valor inapreciável para os que nos sucederem. Sinto-me deveras afortunado por ter percorrido o caminho que percorri, e por ter participado da reconstrução (perestroika)
(**) social e política de nosso país.

Tive sorte. Tomei parte no processo, desde a mais pequena célula da nossa organização partidária até o mais alto nível- o Comitê Central e o Politiburo, os cargos de presidente do Conselho de Mnistros, de primeiro-secretário do Comitê Central e de membro do Presidium do Soviete Supremo da URSS.


Minha carreira foi de grande dificuldade e de grande responsabilidade também. Tive a oportunidade de participar da busca de soluções para muitos problemas e, depois, na implementação dessas soluções. É por isso que sinto ser meu dever dar minha opinião e a minha interpretação do que aconteceu. Sei, logo de inicio, que nenhuma opinião pode agradar a todos. Nem é esse meu objetivo. Quero que meu ponto de vista sobreviva e seja conhecido, ao lado do ponto de vista dos demais, para que sejam registrados e constituam como que o legado de nossa geração. Somos gente de um mesmo corpo - o Partido, o Politiburo, o Presidium do Soviete Supremo, o Comitê Central, o Conselho de Ministros. Embora nossas opiniões coincidam em algumas questões, em outras seguramente irão diferir. O que é apenas normal. É assim que sempre foi e que sempre será. A verdade nasce da divergência. Memso no interior do mesmo partido, entre pessoas que têm a mesma posição e o mesmo princípio - o do marxismo-leninismo - há maneiras diferentes de ver as coisas, diferentes interpretações e nuanças na solução de um problema. Os tempos, muitas vezes, exigem uma abordagem flexível. Sei que temos diferenças de opinião, até mesmo opiniões opostas. Como um político aposentado, vejo isso claramente, hoje que tenho tempo para ficar sentado observando o mundo. Isso não me preocupa. Confio naqueles que irão me julgar. Porque serei julgado pelo povo, que vai ler e ponderar este material e tirar dele suas próprias conclusões. Não sugiro e não creio que o que tenho a dizer seja a verdade definitiva. Absolutamente. Que cada um forme a sua opinião, comparando e sopesando as diferentes maneiras de ver determinada questão. Isso é tudo o que desejo. Só um louco acredita que todos são feitos no mesmo molde e que tudo o que não se conforme a esse molde deve ser considerado herético ou,pior, criminoso. Não. Que a história funcione como juíz. Que o povo decida.(...) (...)Vou ditar minhas memórias sem acesso a material de arquivo. Seria difícil para mim faze-lo. Na minha situação, esse material não está disponível. (...) Os fatos podem ser encontrados nas minutas e protocolos das reuniões(...). Agora os arquivos estão fechados.(...) Depois da morte de Stalin, quando já tínhamos alguma distância do período de sua liderança, descobrimos aqueles arquivos do partido até então desconhecidos por nós. Foi então que perdemos a fé que tínhamos em Stalin. Quando estava no poder, tudo o que era feito por ele ou por ordem dele nos parecia inabalavelmente e singularmente correto. só depois que ele morreu começamos a pensar criticamente no passado e, tanto quanto possível, a conferir aquilo que nos lembrávamos com o que estava registrado nos arquivos.



Após estes parágrafos, Nikita tece linhas autobiográficas, a respeito de seus avós, seus pai - Serguiey e Aksinia, sua infância, até seu contato com o marxismo e sua entrada para o rol dos blocheviques, sua entrada para o Exército Vermelho até o XX Congresso do Partido Comunista, já o segundo capítulo do livro. Mas isto fica para uma próxima vez.
------------------------------------------------------
Crédito da foto acima:www.savok.org


(*) lê-se (*)KhruchtchOv
(**) Aqui ele não se refere ao famoso processo iniciado por Gorbatchev, mas à abertura tentada por ele.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

MEMORIAS DE KHRUCHTCHEV: AS FITAS SECRETAS DA GLASNOST

a venda em sebos e no Mercado Livre

http://ru.laser.ru/gallery/mesta/nikita_hruschev.jpg
KHRUCHTCHEV:
Pouco divulgado entre a gente, até por já ser um livro fora de catálogo, encontrado, apenas, em sebos, "As Fitas Secretas da Glasnost" é um coletânea de fitas ditadas por Nikita Khruchetchev durante seu governo (período de "desestalinização" soviética) e que, depois dele aposentado, apareceram pela primeira vez no ocidente. Inicialmente, por instruções do próprio Khruchtchev, havia uma espécie de lacunas em pontos cruciais da narrativa, ou seja, uma censura. Duas décadas depois, o material foi totalmente liberado, trazendo novidades interessantes do período de Stalin. Procurei o livro em formato e-book, não o encontrando. Daí, resolvi - a partir de hoje, ir divulgando seus trechos, a exemplo do que venho fazendo com o livro da filha do ditador soviético. Contém informações fascinantes, com material de grande interesse histórico. Espero que sirva para os que gostam desta disciplina.

Cap. 2 - O Grande Terror e o XX Congresso do Partido Comunista

(trecho da narração da morte da mulher de Stalin)

"Eu vi a mulher de Stalin, Nadezhda Sergeivna Alliluieva pouco antes de sua morte. Creio que foi nas festas de aniversário da Revolução de Outubro.
Havia uma parada e eu estava de pé junto ao mausoléu de Lenin com um grupo de ativistas do partido da cidade de Moscou. Alliluieva também estava lá. Estávamos juntos, um ao lado do outro, e conversavamos. Era um dia frio e ventava.
Como de hábito, Stalin envergava seu capote militar. Deixava aberto o primeiro botão, junto da gola. Lembro-me de que ela disse:
- Meu marido não trouxe o seu cachecol. Vai apanhar um resfriado.
Pude ver, pela maneira como disse aquilo, que ela não estava de bom humor. No fim da parada, fui para casa.
No dia seguinte, Kaganovitch convocou os secretários do partido para uma reunião e anunciou que Nadezhda Sergeievna havia morrido de repente. Como podia ser? - perguntei a mim mesmo. Acabei de falar com ela. Era uma bela mulher. Mas, afinal, as pessoas morrem.
Então, três dias depois, Kaganovitch reuniu o mesmo grupo e disse:
- Falo em nome de Stalin. Ele me pediu que os chamasse e lhes contasse o que aconteceu. Ela não morreu naturalmente. Suicidou-se.
Naturalmente, diante do grupo, ele não entrou em pormenores, e nenhum de nós perguntou nada. Nós a enterramos. Stalin parecia compungido junto da sepultura. Eu não sabia o que se passava no seu íntimo, mas - aparentemente, ele sofria.
Só muito mais tarde, depois da morte de Stalin, tomei conhecimento da causa da morte de Nadezhda Sergeievna. Naturalmente, o fato não está documentado. Apenas perguntamos a Vlasik, chefe dos guarda-costas de Stalin, o que motivara a morte dela. Vlasik disse que, depois do desfile, foram todos jantar no grande apartamento de Voroshilov. Sempre iam comer com Voroshilov depois das paradas.
Era um grupo reduzido: o marechal da parada, membros do Politburo e uns poucos mais. Foram para lá diretamente da Praça Vermelha. Naquele tempo, os desfiles e demonstrações levavam muito tempo. Todo mundo bebeu em excesso durante o jantar, como era costume nessas ocasiões. Stalin tinha ido sozinho. Finalmente, todos saíram. Stalin também. Mas não foi para casa. Era tarde. Quem poderia dizer que horas seriam? Nadezhda Sergeievna ficou preocupada. Onde estaria Stalin? Começou a procurar por ele, telefonando para a dacha em Zubalovo (nos arredores de Moscou) - não onde fica hoje a dacha de Kaganovitch, não onde Mikoyan morou até recentemente, mas meio quilômetro adiante, do outro lado da ravina.
Ela telefonou, então, e perguntou ao oficial de serviço:
- Stalin está aí?
-Está, respondeu ele. O camarada Stalin está aqui.
-Quem está com ele?
O oficial disse o nome da mulher.
Pela manhã, não sei exatamente quando, Stalin foi para casa, Nadezhda Sergeievna já não vivia.
Ela não deixou uma carta. Ou se deixou, nunca nos foi mostrada.
A outra mulher era esposa de Gusev, que também estivera presente no jantar. Quando Stalin saiu, levou a mulher de Gusev. Gusev era um militar, mas eu não o conheci, nem me lembro de ter jamais encontrado sua mulher. Mikoyan me contou que era muito bonita.
Então Stalin estava dormindo com ela na dacha e Alliluieva ficou sabendo de tudo pelo oficial de serviço. Vlasik disse:
- O oficial era um tolo, sem experiência. Ela fez a pergunta e ele respondeu, contando tudo.
Bem, houve rumores mais tarde de que Stalin a teria matado. Eu ouvi tais rumores e Stalin mesmo tinha conhecimento deles pelos seus agentes. Em suma, esse lado da história não está todo esclarecido, mas o outro lado é mais certo. Vlasik podia estar mal informado, mas era, afinal de contas, um guarda-costas.
Como viviam os dois, Stalin e Nadezhda Alliluieva? Posso apenas julgar na base de coisas que ouvi.
Às vezes, quando um tanto bêbado, Stalin nos contava um incidente ou outro.
- Eu me tranco no quarto e ela fica esmurrando a porta e gritando: -"você é um homem impossível! É impossível viver com você!". Mas eu mantenho a porta fechada e ela continua a esbravejar: -"Grosso, insensível, desumano!"
Stalin também nos contou que uma vez, quando a pequena Svetlana ficou zangada com ele, repetiu uma coisa que tinha ouvido a mãe dizer: - "Ainda apresento queixa de você!"
- E a quem vai queixar-se? perguntou Stalin.
- À cozinheira Svetlanka.
Também me lembro de ter visto Stalin, certa vez, depois da morte de Nadezhda, com uma bela jovem de pele morena. Era do Cáucaso.Quando entrei, a mulher se escondeu feito um ratinho. Disseram-me, depois, que era a preceptora de seus filhos. Mas não ficou lá muito tempo: desapareceu sem deixar traço."































(entre Tito e Gagárin)














Com Stalin

GOSTOU DO BLOG? LINK ME

www.russiashow.blogspot.coms