O post de hoje fui buscar no número 1 da Rus -Revista de Literatura e Cultura Russa, uma publicação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciencias Humanas da USP. O artigo que selecionamos para esta postagem se refere ao início da aclamação pública de Dostoievski, que se deu no Festival Pushkin, onde o autor de Crime e Castigo fez um discurso sobre o grande poeta russo.
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sábado, 10 de outubro de 2015
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
O POBREZINHO NA CASA DE CRISTO NO DIA DE NATAL (DOSTOIEVSKI)

Esta época do ano sempre me trouxe um misto de tristeza e de alegria. Alegria óbvia, gerada pelas festividades, pela confraternização com família e amigos, pelo consumismo exacerbado, representado na troca de presentes... Tristeza - sentimento que nasce do meu lado mais humano, ao ver a injustiça que esta época representa ou evidência aos píncaros da falta de humanidade,principalmente para os pequeninos desvalidos, muitas vezes sem um teto e uma família, que devem se perguntar "porque Papai Noel" não se lembra de mim?". Na cabecinha destas crianças não deve passar que a culpa é de um sistema injusto e cruel, que os exclui, os ignora, enquanto beneficia, até em excesso, os que nasceram em "berço esplêndido" (e, as vezes, nem tão esplêndido, mas que têm pais que se enforcam na armadilha dos cartões de crédito)...
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
O MENINO MENDIGO - DOSTOIEVSKI: NOVO CONVITE À REFLEXÃO
Quanto mais leio Dostoievski, mais me surpreendo com sua gritante atualidade. Os problemas da São Petersburgo de sua época, são muitas vezes semelhantes aos problemas do Brasil atual e de muitos outros países emergentes. Isto só me convence, mais e mais, que a humanidade desenvolve novas tecnologias, apresenta notáveis avanços,mas tudo sempre para ser usufruído, principalmente, pelas classes dominantes. No essencial, no que concerne aos pobres e desvalidos apresenta pequenos ganhos, vez ou outra, aqui ou ali, mas, no geral, não muda muita coisa, continuamos estagnados e vai continuar assim enquanto não houver uma mudança sistêmica de porte, rumo ao Socialismo. E ninguém vai me convencer de que o socialismo é inviável, usando o discurso equivocado de que "não deu certo na URSS, nos países do Leste" ou coisas do tipo, por que o Socialismo, até hoje, ainda não existiu, de fato. Lendo o texto abaixo, você tem a impressão de que se trata do Brasil, onde existem crianças sendo exploradas não só pelos pais, mas pelos já famosos "pais de aluguel". Esta situação sempre preocupou muito Dostoievski que, em seu Diário de Um escritor, de onde foi extraído este texto, deixou outros com o mesmo teor de preocupação. Agora, leia você mesmo e me diga: não parece a própria história de nossos menores de rua?
"Este ano, quando o Natal estava próximo, passava muitas vezes na rua diante de um menino talvez de uns sete anos de idade, que eu via sempre acocorado no mesmo canto. Ainda o encontrei mais uma vez na véspera da festa. Debaixo de um frio terrível estava vestido como se fosse verão,trazendo, à guiza de xale, um pedaço de pano velho enrolado em roda do colo. Pedia esmolas, apresentava a mão, conforme costumam fazer os pequenos mendigos de São Petersburgo. São muitos os pobres meninos enviados dessa maneira a implorar a caridade dos transeuntes, a gemer algum estribilho que aprendem de cor. Aquele, porém, não gemia: falava ingenuamente, como qualquer novato na profissão. O olhar dele tinha um quê de franco, o que me confirmou na convicção de tratar-se de principiante. Às perguntas que lhe fiz respondeu que tinha uma irmã doente, que não podia trabalhar; pareceu-me verdadeiro o que dizia. Além disso, somente mais tarde fiquei sabendo do número enorme de crianças que mandam mendigar daquela maneira, quando o frio é mais rigoroso. Se nada arranjarem poderão ter a certeza de serem espancados ao voltar para casa. Quando conseguir juntar alguns copeques, o pirralho dirige-se, com as mão roxas e intumescidas, para o buraco em que um bando de vendedores de roupas usadas e de operários folgados, que deixaram a fábrica no sábado para aparecer somente na terça feira seguinte, fartam-se a comer e beber conscientemente. Nesses buracos as mulheres magras e surradas bebem álcool em companhia dos maridos, enquanto choramingam á porfia, as criaturinhas ainda de peito. Aguardente, miséria, sujeira, corrupção e, antes de tudo e sobretudo, aguardente!
Apenas chegado, manda-se o menino à venda com o dinheiro mendigado, e quando chega com oálcool, divertem-se com ele fazendo-o beber uma dose que lhe corta a respiração e, subindo-lhe à cabeça, o faz rolar pelo chão, para grande gáudio de todos os presentes.
Quando o menino atinge catorze ou quinze anos, colocam-no logo em uma fábrica, com a obrigação de entregar à família tudo quanto ganha, gastando-o os pais em aguardente. Antes, porém, de atingirem a idade em que possam trabalhar. esses meninos se transformam em estranhos vagabundos. Andam à solta pela cidade, acabando por descobrir onde possam meter-se para passar a noite sem terem que voltar para casa. Um desses rapazolas dormiu durante algum tempo em casa de um empregado subalterno da Corte: tinha feito a cama em uma cesta , sem que o dono da casa percebesse. É claro que não demoram muito para começar a roubar. E, muitas vezes, o roubo chega a converter-se em paixão, em pequenos de oito anos que dificilmente se julgam culpados por terem os dedos demasiadamente ágeis.
Cansados dos maus-tratos dos que os exploram, fogem e não voltam mais aos buracos em que os maltratavam; preferem sofrer fome e frio e ter a liberdade de vagabundar por conta própria.
Freqüentemente esses pequenos selvagens não sabem nada de nada; ignoram a que nação pertencem, não sabem onde vivem e jamais ouviram falar de Deus ou do Imperador. Muitas vezes sabe-se a respeito deles o que há de mais inverossímil, mas que, entretanto, é verdade.
Fonte: Diário de Um Escritor
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
DOSTOIEVSKI: A SENTENÇA
Tem um trecho do "Diário de um escritor", do grande mestre de São Petersburgo, que me faz refletir intensamente...Penso nele a cada vez que me revolto com as injustiças do mundo...Penso nele a cada injustiça cometida contra mim ou por mim...Quando me sinto entediada, penso no texto...ou quando me sinto frustrada em meus objetivos. Ou, em momentos mais cruciais, como, por exemplo, há algum tempo atrás ao sofrer a incerteza de uma cirurgia cerebral que, no fim das contas, resultou em sucesso. Claro, sem nunca ter pensado em suicídio, pois,apesar de todas as coisas horríveis às quais o cotidiano está sujeito, amo a vida!
Mas é fantástico perceber, através de um simples texto, a genialidade de Dostoievski em compreender a alma humana, a alma dos que sofriam. Aliás, ele próprio sofreu demais.... E "A Sentença" mostra p'ra gente toda a dimensão desta sua intensa capacidade.Comprove o amigo do blog com a leitura do texto.
"Aqui está o raciocínio de "suicida por tédio", naturalmente materialista."Que direito tinha a Natureza de trazer-me ao mundo obedecendo às suas pretensas leis eternas? Sou consciente. Por que essa Natureza me criou sem meu consentimento, a mim, consciente; isto é, capaz de sofrer? Mas não quero sofrer mais. Para que serviria? A Natureza, pela voz da minha consciência, declara-me haver no Universo harmonia geral. Nela se baseiam as religiões humanas. E se não quiser desempenhar o meu papel nessa harmonia, será necessário que, apesar de tudo, me submeta às declarações da minha consciência? Será preciso aceitar o sofrimento em vista da harmonia do conjunto? Se me fosse dado escolher, preferiria ser feliz durante o curto momento da minha existência; preocupo-me infinitamente pouco com o todo e com o que acontecerá a esse todo quando estiver morto. Por que motivo irei preocupar-me com a sua conservação em época em que já terei desaparecido? Preferiria viver como os animais, que são inconscientes. Parece-me que a consciência, longe de cooperar para a harmonia geral, é causa de cacofonia, visto como me faz sofrer. Olhem as pessoas que são felizes neste mundo, as que consentem sofrer! São precisamente os que parecem com os animais, que se aproximam da besta pelo desenvolvimento limitado da consciência; os que vivem vida brutal, que consiste unicamente em comer, beber, dormir e procriar. Comer, beber, dormir: isto significa, em linguagem humana, voar, roubar e construir um ninho. Poderão objetar ser possível construir um abrigo de maneira razoável, digamos mesmo, científica. Mas... para que? Para que criar uma situação de maneira justa e sábia na sociedade humana? Ninguém responderá a tal pergunta.
Sim, se eu fosse flor ou vaca, talvez me sentisse feliz. Mas nada há que me faça experimentar alegria. Até mesmo a sorte mais elevada, a de amar aos seus semelhantes, é vã, visto como amanhã tudo ficará destruído, tudo voltará ao caos.
Admitindo-se mesmo por um momento que a humanidade marche para a felicidade, que os homens do futuro sejam perfeitamente ditosos, bastará saber que para obter tal resultado a Natureza teve necessidade de martirizar milhões de seres durante milhões de anos para essa idéia tornar-se insuportável e odiosa. Sem levar em conta que a Natureza se apressará a mergulhar mais uma vez essa felicidade no nada.
Às vezes se me apresenta pergunta horrivelmente triste: e se o homem fosse somente objeto de uma experiência? E se não se tratasse senão de saber se é ou não capaz de adaptar-se à vida terrestre? Mas não, não há nada, não és experimentador, logo não és culpado; tudo está feito de acordo com as leis cegas da Natureza e não só a natureza não me reconhece o direito de interrogá-la, e não me responde, mas não pode admitir seja o que for, nem responder.
Considerando que quando a consciência me responde em nome da Natureza nada mais faço senão emprestar as próprias idéias à consciência e à natureza;
Considerando que, nessas condições, sou ao mesmo tempo quem pergunta e responde, réu e juiz, parecendo-me esta comédia estúpida e intolerável e até mesmo humilhante;
Em minha condição incontestável de quem pergunta e responde, de juiz e réu, condeno a Natureza, que me criou insolentemente para que sofra, a desaparecer comigo.
Como não posso executar toda a minha sentença, destruindo a natureza ao mesmo tempo que a mim mesmo, suprimo-me a mim mesmo, entendiado de suportar uma tirania de que ninguém tem culpa".
sábado, 13 de agosto de 2011
REFLETINDO COM DOSTOIEVSKI
No seu "Diário de um escritor" Dostoievski inseriu um texto digno de nota - aliás, como tudo o que escreve - que me chamou a atenção pela sua surpreendente atualidade. Trata-se do cuidado que se deve ter com a infância e a adolescência, coisa que se faz mais urgente nos dias de hoje e, principalmente, em nosso país,onde vemos tanto descaso e tantos absurdos acontecendo, envolvendo menores que são utilizados pelo tráfico de drogas, menores que pegam em armas e muito mais. Tudo isto porque tem criança fora da escola, jogada nas ruas: "A rua é escola em que se aprende muito depressa!", já dizia o mestre russo em 1876, alegando que as crianças daquele tempo necessitavam mais atenção do que as de sua infância "por estarem expostas a perigos maiores". Imaginem, então, as crianças do século XXI, bombardeadas por todos os tipos de influências - boas ou más - geradas pelas modernas tecnologias, pela televisão e, nos países onde a educação não é meta prioritária, pelas malignas influências da rua, que atingem os pequeninos lançados à própria sorte, fazendo malabarismos em sinais, se expondo ao perigo dos cruzamentos e dos bandidos que se aproveitam da impunidade infantil para inicia-los na vida criminosa.
O texto é um convite a pais e educadores a ponderarem quanto à necessidade de um efetivo acompanhamento das crianças e adolescentes, de uma maior vigilância quanto às suas companhias e aos conteúdos que lhe são repassados, coisa, infelizmente, difícil,mas necessária.
Leiam o texto e reflitam: se lembrem dele na hora de votar, não desperdiçando votos com candidatos não comprometidos com a educação, que negam o mísero piso salarial aos professores, como o caso do "desgoverno" de Minas, meu estado. Enquanto existir criança fora da escola, jogada nas ruas (crime dos crimes!) não podemos pensar em um país sem violência. Se lembrem deste texto, também, na educação de seus filhos. Verifiquem os sites pelos quais andam a navegar; sejam presentes sempre!
(o texto a seguir foi extraído do livro "Diário de Um Escritor", editado pela Ediouro)
(o texto a seguir foi extraído do livro "Diário de Um Escritor", editado pela Ediouro)
Cracolândia:foto extraída do Estadão
"Quero contar o que segue para não esquecer:
Uma senhora vivia com a filha de doze anos de idade, em um arrebalde de S.Petersburgo, afastado do centro. A família não era rica, mas a senhora trabalha para viver e a filha freqüenta uma escola na cidade. Vai à escola e volta de ônibus de Gostinoi Dvor até perto de casa.
Já haviam passado dois meses quando o inverno chegou repentinamente e a mãe percebeu que a filha Sacha não estudava as lições. Advertiu-a.
-Mamãe, não se preocupe! respondeu a menina. Estou perfeitamente preparada: estou, pelo menos, adiantada uma semana.
-Se assim é, está bem.
No dia seguinte Sacha foi à escola; mas ao anoitecer, o chofer do ônibus trouxe uma cartinha nos seguintes termos:
'Minha querida mãezinha: comportei-me mal durante toda a semana. Tive três zeros nas lições; enganei-te até agora. Tenho vergonha de voltar para casa e não me verás mais. Perdoa-me, querida mãezinha, perdoa-me.Tua Sacha.'
Pode imaginar-se a horrível inquietação da mãe. Quis abandonar o trabalho para correr em busca da filha. Mas onde? Como? Uma pessoa amiga ofereceu-se para dar todos os passos necessários e foi tomar informações na escola, em casa de todos os conhecidos, andando de um lado para o outro a noite inteira. O receio de que Sacha, arrependida, voltasse para a casa e fosse de novo embora se não encontrasse a mãe, fez com que esta ficasse em casa, confiando no zelo do bondoso amigo. Se não aparecesse até o amanhecer, iriam dar parte à polícia. Sozinha dentro de casa, é fácil de imaginar que horas aflitas passou.
E a mãe conta que por volta das dez da noite ouviu uns passos miúdos sobre a neve do pátio, que lhe eram bem conhecidos: passou a ouvi-los subindo a escada. Abriu a porta e Sacha entrou.
- Mamãe! mamãe! Que felicidade voltar para casa!
Cobria o rosto com as mãos; sentou-se na cama, mas como estava cansada!
Depois das primeiras exclamações de alegria, a mãe não quis chamar-lhe a atenção pelo que tinha feito.
- Mamãe! quando ontem te menti a respeito das minhas lições, resolvi não ir mais à escla e não voltar mais aqui. Se não fosse à escola seria obrigada a enganar-te todos os dias quando dissesse que lá estivera...
- E o que querias fazer?
- Pensava em andar pelas ruas o dia inteiro.. Minha roupa é bastante quente, e se sentisse frio procuraria algum abrigo. Em lugar de comer todos os dias compraria um pãozinho. Não seria grande a dificuldade para beber água, visto como agora há neve. Um pãozinho por dia seria bastante. Tenho aqui quinze copeques, e o pãozinho custa três. Seriam cinco dias.
- E depois?
- Não sei. Não pensei no depois.
- E onde irias passar a noite?
- Já tinha pensado nisso. Quando caísse a noite, iria à estação da estrada de ferro; mas longe, na estrada, onde não passa ninguém. Encontram-se muitos vagões vazios que não vão viajar. Metia-me num deles e dormia até amanhecer.
Foi assim que ali estive de noite, longe, muito longe na estrada; ali, onde já não via ninguém vi vagões separados, diferentes dos de passageiros. Escolhi um deles; ia subir, mas apenas pus o pé no estribo apareceu um guarda que gritou: "Onde vai? Esses vagões são para transportar os mortos!" Quando o ouvi dizer isso, pulei no chão e fugi. O guarda me perseguiu, gritando: "Que é que estás fazendo aqui?" Corri! corri! Achei-me em uma rua onde havia uma casa em construção. Ainda não tinha portas: os vãos estavam fechados com umas tábuas. Encontrei um ponto em que pude passar entre duas tábuas; acompanhei tateando uma parede; encontrei um canto onde havia no chão uma porção de pedaços de madeira secos e lisos. Deitei-me em cima. Apenas me havia deitado, escutei vozes perto de mim, falando muito baixo. Levantei-me e ouvi outras vozes, parecendo-me que uns olhos me olhavam da sombra; tive um medo horrível e saí outra vez a correr. Quando me vi na rua, alguém me chamou da casa em construção que eu pensava estar vazia. Estava cansada, tão cansada; continuei a andar pelas ruas. Ouvi gente a falar de todos os lados, indo e vindo. Não sabia que horas seriam. De repente me achei na Avenida Nievsky, perto de Gostinoi, e pus-me a chorar. " Ah, dizia a mim mesma. Se encontrasse algum "bom senhor" que se compadecesse de uma menina que não sabe onde passar a noite! Havia de confessar-lhe tudo e talvez me recolhesse por uma noite". Enquanto assim pensava, continuava a andar, quando descubro o nosso ônibus, que partia para a última viagem. Acreditava que há muito tempo havia partido. Pensei: quero ir para a casa de minha mãe! Subi no ônibus e como me sinto feliz por voltar à tua casa! Nunca mais te enganarei e estudarei bem as minhas lições. Mamãe, Mamãe!"
Perguntei-lhe, continuou a mãe: "Sacha, a idéia de não ir mais à escola e viver na rua ocorreu só a ti?"
- Olhe, mamãe: há muito tempo conheci uma menina da minha idade, que freqüentava outra escola. Acreditas se te disser que quase nunca comparecia às aulas? Disse-me que a escola é muito aborrecida e a rua muito alegre. Contou-me que, enquanto estava na rua, andava, andava, andava. Fazia quinze dias não tinha posto os pés na escola. Olha as vitrinas; anda pelos passeios até altas horas da noite, até que afinal tem de voltar para casa. Quando o soube, pensei: "gostaria de fazer o mesmo!" e me aborreci na escola muito mais que antes. Mas não tive qualquer intenção precisa até ontem à noite, depois de ter-te mentido. Foi então que me resolvi a fazer como fiz.
Esta história é autêntica. Naturalmente, a mãe tomou suas medidas. Quando me contaram, pensei que não seria de todo inútil fazê-la figurar em meu diário. Dirão que é um caso único, tratando-se, sem dúvida, de uma pequena muito estúpida. Mas sei que longe está de ser estúpida. Sei também que nessas almas jovens, depois da primeira infância, quando ainda não adquiriram experiência de qualquer espécie, pode nascer uma porção de sonhos mais ou menos perigosos. Essa idade (doze a treze anos) é extremamente interessante, mais na menina do que no menino. Tratando-se, porém, de meninos, vejam esta notícia que apareceu em um jornal há quatro anos: Três meninos haviam fugido do ginásio pretendendo ir para a América. Não os apanharam senão quando já estavam um pouco longe da cidade. Um deles levava uma pistola. Há vinte ou trinta anos sonhos e fantasias estranhas também passavam pelo cérebro de meninos e meninas; mas os de hoje são mais decididos. As reflexões e as dúvidas duram menos. Antigamente os meninos dessa idade pensavam em fugir para fazerem, por exemplo, uma viagem a Veneza; que lhes enchia a cabeça graças a certas novelas de Hoffmann e George Sand. (Tive um colega desse tipo). Mas não punham em execução o projeto, contentando-se em contá-lo a um companheiro, depois de tê-lo feito jurar que seria discreto. Os de hoje realizam o que os outros se limitavam a sonhar. Antigamente, certos sentimentos de dever, de obrigações para com a família, exerciam grande influência. Hoje, tudo isso perdeu muito a força que tinha.
O essencial é que não se trata de casos isolados; e não são criaturas estúpidas as que se entregam a estas fuga. Repito que essa idade é muito interessante e mereceria que os educadores lhe dispensassem mais atenção. A que perigos enormes estão expostos os nossos filhos! Preste-se atenção somente àquele ponto da narração anterior, em que a menina cansada de tanto andar, estava disposta a contar tudo a um transeunte: um bom senhor que se compadecesse da pobre criança que não sabia onde se refugiar para passar a noite. Pensem como seria fácil por em execução esse plano, que lhe revela toda a inocência. Nesta terra, os "bons senhores" enxameiam por todas as ruas. Mas, depois, no dia seguinte, que teria acontecido à menina?... Admitindo que o tal senhor fosse de certa espécie muito comum hoje em dia, era... o riso ou a vergonha de confessar... Suponhamos tivesse preferido a última. Pouco a pouco a menina ter-se -ia acostumado à lembrança daquela vergonha e quem sabe se, depois de ter pensado bastante no que se havia passado, não teria o capricho de procurar nova aventura do mesmo gênero... Aos doze anos! Adivinha-se tudo quanto viria em seguida... E essa outra menina que, em lugar de ir à escola, passa o tempo a ver as vitrinas e a andar pelos passeios das ruas, dando à primeira que encontra a idéia de novo emprego do tempo? Já ouvi antes falar de meninos que achavam a escola aborrecida e a vagabundagem cheia de encantos e alegrias. (...)A vagabundagem é uma inclinação que mais tarde se transforma em paixão doentia, cujo primeiro germe se contraiu na infância. Agora vejo que há também meninas vagabundas, evidentemente cheias de inocência a princípio. Mas ainda que fossem tão puras como os pequenos seres primitivos evoluindo em algum paraíso terrestre, não poderão fugir ao conhecimento do "bem e do mal", embora somente pequem pela imaginação. A rua é escola em que se aprende muito depressa! O essencial, repito, está em pensar até que ponto é interessante essa idade em que a inocência infantil se mistura à incrível aptidão para receber impressões, à extraordinária faculdade de assimilar toda espécie de experiência, boas ou más. É o que torna tão perigoso e tão crítico esse período da vida dos adolescentes."
sábado, 9 de abril de 2011
AFIRMAÇÕES SEM PROVAS - DOSTOIEVSKI
Com a inusitada violência na escola de Realengo, Rio de Janeiro, muito se falou sobre a falta de valores de boa parte da nossa juventude, o que me fez relembrar um texto fantástico do genial Fiodor Dostoievski, extraído do "Diário de Um Escritor". No texto, ele fala especificamente a respeito do suicida, mas a mesma argumentação cabe, sem sombra de dúvida, ao assassino.Ainda mais, quando sucedido pelo suicídio...O artigo não poderia ser mais procedente e atual. Ele entendia bem da coisa: quem criou o imortal personagem Raskolnikov, tem autoridade suficiente para expor a questão... Deixo você com ele, para sua reflexão.
(1873)O meu suicida não acredita na imortalidade da alma e assim fala desde o início do artigo. A pouco e pouco, pensando que a vida humana é absurda. A presenta-se-lhe tão claramente como a luz do dia que tão somente os homens semelhantes aos animais, e que satisfazem a necessidades puramente animais, podem consentir em viver. Tais indivíduos vivem "para comer, beber e dormir".como os brutos "para fazer o próprio leito e procriar". Engolir, roncar e sujar talvez seduza o homem por muito tempo, ligando-o à Terra; mas não a mim, homem superior, está claro. Não obstante, são os homens do tipo superior que sempre reinaram sobre a Terra, e nem por isso o que tinha de acontecer se deu de maneira diferente."Meu artigo é relativo à idéia mais elevada da vida humana, a necessidade indispensável da crença na imortalidade da alma. Quis dizer que sem esta crença a vida é insuportável. Parece-me ter enunciado claramente a fórmula do suicídio lógico.
Mas há uma palavra suprema, ma idéia suprema, sem a qual a humanidade não pode viver. Muitas vezes pronuncia-o o pobre, sem influência, até mesmo perseguido. Mas a palavra pronunciada e a idéia que exprime não morrem e mais tarde, apesar da vitória aparente das forças materiais, a idéia vive e frutifica. Disse N.P. que semelhante confissão em meu Diário constitui um anacronismo ridículo, porque estamos atualmente no século das "idéias de ferro", das idéias positivas; no século da "vida sobretudo". Por isso, sem dúvida, aumentou tanto o número de suicidas entre as pessoas inteligentes e cultas. Asseguro ao digno N.P. e a todos os seus semelhantes que o ferro das idéias se transforma em algo muito mais brando quando chega a hora. Quanto a mim, uma das minhas maiores preocupações quando penso em nosso futuro é precisamente o progresso da falta de fé. A falta de crença na imortalidade da alma se arraiga cada vez mais ou, para dize-lo melhor, nota-se em nossos dias absoluta indiferença para essa suprema idéia da existência humana: a imortalidade. Tal indiferença converte-se em particularidade da alta sociedade russa. É mais evidente entre nós do que na maior parte dos países europeus. E sem esta idéia suprema da imortalidade da alma não podem existir nem homens nem nação. Todas as grandes idéias restantes derivam desta.
O meu suicida é um propagandista apaixonado da sua idéia: a necessidade do suicídio; mas não é nem indiferente, nem 'homem de ferro'. Sofre realmente; creio te-lo feito compreender. É para ele demasiado evidente que não pode viver; está convencido que tem razão e não se pode refutá-lo. Para que viver, se está convencido que é abominável viver vida animal? Dá-se conta da existência de harmonia geral; di-lo à consciência, mas ela não se associa. Não o compreende...Onde, então, está o mal? Em que se enganou?O mal está em ter perdido a fé na imortalidade da alma.
Não obstante, procurou com todas as suas forças o sossego e a conciliação com o que o rodeia. Quis falar no 'amor à humanidade. Mas isto também lhe escapa. A idéia de que a vida da humanidade nada mais é do que um instante; de que tudo, mais tarde, se reduz a zero, mata, dentro dele, até mesmo o amor à humanidade. Tem-se visto em famílias desgraçadas e desunidas de pobres, sentir horror aos filhos, por sofrerem demais com a fome; aos próprios filhos a quem queriam tanto! A consciência de em nada poder socorrer a humanidade sofredora é capaz de transformar o amor que por ela se sente em ódio. Os senhores das 'idéias de ferro' claro que não acreditarão em minhas palavras. Para eles o amor à humanidade e sua felicidade está tão bem organizado que não vale à pena pensar nisso. E desejo faze-los rir de qualquer maneira. Declara, portanto, que o amor à Humanidade é inteiramente possível sem a crença na imortalidade da alma Humana. Os que querem substituir esta crença pelo amor à Humanidade depositam na alma dos que perderam a fé o germe do ódio à Humanidade. Que dêem de ombros os sábios das 'idéias de ferro' ao ouvir-me exprimir tal idéia. Mas esta idéia é mais profunda que a sabedoria deles, e chegará o dia em que se transformará em axioma.
Chego mesmo a afirmar que o amor à Humanidade é em geral pouco compreensível(leia-se inacessível) para a alma humna. (E, além disso, sem provas).
Em resumo, está claro que sem crenças, o suicídio se torna lógico e até inevitável para o homem que apenas se elevou acima das sensações da besta. Ao contrário, a idéia da imortalidade da alma, prometendo a vida eterna, sujeita o homem mais fortemente à Terra. Nisto parece existir contradição. Se, distinta da vida terrestre, temos outra celeste, para que fazer muito caso desta aqui embaixo? Mas é somente pela fé na imortalidade que o homem se inicia no fim razoável da vida sobre a Terra. Sem a convicção na imortalidade da alma, o vínculo do homem em relação ao planeta diminui, e a perda do sentido supremo da vida conduz incontestavelmente ao suicídio. E se a crença na imortalidade da alma é tão necessária à vida humana é por ser o estado normal da Humanidade, provando que a imortalidade existe.Em uma palavra: esta crença é a própria vida e a primeira fonte de verdade e de consciência real para a Humanidade.
Eis aí o objetivo do meu artigo, a conclusão a que desejava que cada um chegasse quando o escrevi".
sábado, 8 de janeiro de 2011
DE DIÁRIO DE UM ESCRITOR (DOSTOIEVSKI): QUADRINHOS (I)
Já postei há dias atrás sobre o livro "Diário de um escritor", de Dostoievski, difícil de ser encontrado no mercado editorial brasileiro. Hoje, deixo para o leitor amante da literatura russa, um trecho desta obra, intitulada "Quadrinhos". Escolhi este texto por ele falar de São Petersburgo, a cidade do meu coração. Mas Dostoievski, aqui, o faz de forma tão crítica, que chega a me lembrar Gógol, com seus textos que fazem desta minha cidade a vilã do norte. Acredito que o grande Dostoivski, o escritor maior no meu conceito, estivesse, no dia em que escreveu "Quadrinhos", num terrível mau humor! Tanto que critica a mistura arquitetônica da cidade, o que - para mim, é um de seus irresistíveis encantos. Que ele estava de mau humor - não restam dúvidas, tanto que, logo no início do texto, ele escreveu:
"Não é alívio, quando se está de mau humor, encontrar alguém ou algo a que se atribua a culpa?"E a culpa caiu na princezinha do norte, a minha Piter querida...Deve ser levado, no entanto, em consideração, que Dostoievski era eslavófilo, desprezando toda e qualquer influência estrangeira na cultura e na vida russa, o que o redime de parte dos comentários. Além disto, ele é o mestre e a ele tudo é permitido. Malgrado descarregar sua bílis sobre esta fascinante cidade, o texto é incontestavelmente....dostoievskano, dispensando maiores comentários. Deixo, agora, que o leitor saboreie em sossego estas páginas do grande mestre russo.
"No verão temos férias, pó e calor - calor, pó e férias!É desagradável ficar na cidade. Todos os amigos já foram embora...E, por isso, para distrair-me, pus-me durante esse tempo a ler os manuscritos empilhados na sala de redação. Contudo, só me resignei à leitura em segundo lugar; a princípio passei o tempo a gemer, pensando na necessidade de ar puro, de liberdade temporal, no aborrecimento de encontrar as ruas hostis cheias de não sei que areia semelhante a barro pulverizado. E por isso fiquei olhando as ruas. Não é alívio, quando se está de mau humor, encontrar alguém ou algo a que se atribua a culpa?
Nos últimos dias atravessei a Avenida Nevski, do passeio ao sol, do passeio à sombra. É preciso atravessar sempre essa avenida com precaução, para evitar ser atropelado.(1) Olha-se para todos os lados, avança-se devagar, observa-se um claro entre os carros que sempre vêm em grupos de quatro ou cinco. No inverno, principalmente, é emocionante! Devido `a neve branca e à neve em flocos, expomo-nos, sempre, no momento em que menos esperamos, a descobrir a alguns centímetros do rosto, as narinas de um cavalo, rubras como um farol de trem, e de trem expresso, lançado a todo vapor contra as pessoas. É pesadelo inteiramente petersburguês! Ouve-se ao tempo exato, e quando se chega ao outro passeio, não se sente tanto a alegria de ter escapado a grande perigo como o prazer de tê-lo desafiado involuntariamente. Há poucos dias, com a prudência adquirida no inverno, estava atravessando a Avenida Nevski; como fiquei admirado quando vi que podia parar bem no meio da avenida, sentar-me com um amigo no asfalto e dissertar interminavelmente sobre a literatura russa. Com o calor e o pó, só via os sulcos das rodas riscando o chão e casas em construção ou reparação - as fachadas das casas da cidade reparam-se mais por chique do que pelo desejo de melhorá-las realmente. O que me chama sempre a atenção na arquitetura de nossa Capital é a falta de caráter e a mistura de casinhas de madeira em ruínas ao lado de edifícios imponentes e pretensiosos; tem-se a impressão de montes de tábuas mal preparadas segredando a verdadeiros palácios. Mas os palácios,por sua vez, não têm estilo verdadeiro. O que, também, é muito petersburguês...
I
Do ponto de vista arquitetônico,nada mais absurdo que São Petersburgo. É mistura incoerente de todas as escolas e de todas as épocas. Tudo tomado emprestado e tudo deformado. Entre nós as construções são como os livros. Tanto na arquitetura, quanto na literatura, assimilamos tudo quanto nos chega da Europa, permanecendo prisioneiros de nossos inspiradores. Veja-se o estilo, ou melhor, a falta de estilo, das igrejas do século passado: nada as caracteriza. Aqui a cópia miserável do estilo romano na moda do começo do século; ali o "renascimento", conforme o imaginou o arquiteto T.,que pretendeu te-lo renovado durante o último reinado. Mais adiante, aparece o "bizantino"Olhe-se, porém, para o outro lado e dá-se com o estilo de Napoleão I, pesado, falsamente majestoso e, sobretudo, profundamente fastidioso, um tanto grotesco, cujo gosto vai das abelhas de ouro a outros ornatos de beleza semelhante. Interpretemo-los agora. O que aí se vê são os palácios pertencentes às famílias nobres. Ergueram-se conforme modelos italianos e franceses (anteriores à Revolução). Outros mais antigos lembram os de Veneza. Meu Deus, como será melancólico ler mais adiante: "Restaurante com jardim" ou "Hotel francês"!Enfim, chegamos a construções enormes inteiramente contemporâneas; nelas triunfa o estilo americano: edifícios enormes que encerram centenas de habitações, abrigando também empresas industriais, vê-se logo que também temos estradas de ferro e convertemo-nos em "homens de negócios". Depois disso, tentemos definir a nossa arquitetura: é um caso que corresponde perfeitamente ao nosso caso atual. Mas de todos os estilos empregados, nenhum é tão lastimável como o que hoje prevalece. Dentro há de tudo: essas imensas casas para renda, de paredes de papelão e fachadas estranhas, possuem sacadas rococó e janelas semelhantes às do palácio dos Doges: não são capazes de suprimir um "olho-de-boi" e contam, invariavelmente, cinco andares. Mas dirão::"Querido, desejo absolutamente dispor de uma janela tão bela como as que os doges tinham." "Caramba! Valho tanto, com certeza como um doge: é também necessário que disponha de certo número de andares para amontoar os inquilinos que me proporcionarão o juro do dinheiro. Não posso, por simples questão de gosto, deixar o capital improdutivo!"
É bem curioso que este capítulo, em que comecei falando de manuscritos tenha-me conduzido a uma dissertação sobre assuntos bastante diferentes.
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Notas da Milu
(1) Interessante que, da primeira vez que estive na cidade tive a mesma impressão. Foi em 2002. O trânsito era caótico, presenciava trombadas a todo instante. Poucos anos depois, conseguiram regularizar o trânsito de maneira impressionante. Não que seja modelo, até porque, tudo o que é muito bem organizado não se adequa ao espírito surrealista da cidade. Mas já não é mais nada diferente do trânsito intenso das grandes cidades.
domingo, 2 de janeiro de 2011
DIÁRIO DE UM ESCRITOR - DOSTOIEVSKI
Eis aí um livro sumamente indispensável a todos que querem conhecer um pouco melhor o grande gênio da literatura russa, Fiodor Dostoievski.Nas palavras de Otto Maria Carpeaux, responsável pela introdução da edição da Ediouro, este livro
é "a súmula da sua fé (de Dostoievski) e das suas convicções, dos seus desesperos, ódios e esperanças."Existem várias edições dos Diários, todas esgotadas, a exceção da versão em espanhol, disponível na Livraria Cultura. Caso você não tenha nada contra livros usados, na Estante Virtual poderá, ainda, achar exemplares da Ediouro, da Edimax e da Casavecchi (esta com mais de 400 páginas), todas em torno dos R$70,00. Algumas de suas partes já foram editadas separadamente ou junto com outros títulos, a exemplo de "Bobok" e "A Tímida".
O diário, escrito entre a realização de seus dois últimos romances ("O Adolescente", de 1875 e "Irmãos Karamázov", 1880), reúne crônicas de diferentes épocas, sendo que o mais antigo data de 1861, as mais numerosas são as cronicas de 1873 e a parte principal foi escrita entre 1876 e 1877, período em que as conspirações e atentados revolucionários se tornavam cada vez mais frequentes na Rússia czarista que, neste momento,travava guerra contra a Turquia, para libertar os povos eslavos dos Balcãs do jugo turco. Claro que uma fase destas, crítica e turbulenta, fornece material literário farto. Dostoievski acompanhou a época com paixão, eslavófilo apaixonado que era. No entanto, os acontecimentos políticos ocupam menos espaço em seu diário do que os grandes processos da época. Dedica espaço, também, à temas já abordados em suas outras obras, como "Crime e Castigo" e "Os Demônios":os motivos psicológicos subjacentes à ação criminosa, os suicídios, as tentações sinistras, a miséria, o alcoolismo, o patriotismo, entre outros temas.
Ainda de acordo com Otto Maria Carpeaux, o Diário
"é a história da nação russa naqueles dias, frefletida na mente de um espírito apocalíptico, cheio de paixões, de fanatismo e de ardor apostólico".Acrescente-se ao que foi dito alguns ensaios sobre Belinski, Turgueniev, George Sand, Puchkin e você terá material de atualidade permanente, para se deleitar e refletir por um bom tempo.
Se alguém se interessar, por favor me escreva, que poderei ir postando, por capítulos, trechos do livro.
Para quem fala o russo ou está estudando este belo idioma, fica um presente: o e-book dos diários de um escritor.
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