sábado, 11 de junho de 2011

UMA FÁBULA DA TRADIÇÃO RUSSA: O GALO, O GATO E A RAPOSA

Um velho possuía um gentil galo, que chamava Pietia, e um gato, cujo nome era Kote Kotonaiévitcj; Quando o bom velho ia trabalhar no bosque era o gato quem lhe lhe levava o almoço. O galo ficava tomando conta da casa.
Certo dia em que o gato e o velho estavam ausentes, uma esperta raposa aproximou-se da moradia e pôs-se a cantar:
Galinho bonito! Cocorocó!
Crstinha de ouro, de ouro em pó!
Vem à janela mostrar teu biquinho,
E assim que apareças ali um pouquinho,
Para alegrar tua voz catita
Dou-te bom trigo e ervilha bonita!
Sem de nada desconfiar, eis que o galo abre a janela.
Põe a cabeça para fora, debruça-se um pouco, a fim de ver bem quem estava cantar.Imediatamente, porém, a raposa apoderou-se dele, e, como uma flecha, para sua toca.

Durante a corrida o pobre galo gritava:
-Socorro! Socorro! A raposa me pegou! Oh! Oh! Pobrezinho de mim...Ela está me levando...está me levando para a grande floresta...mais longe do que a grande floresta..para os rochedos escorregadios, para o fundo dos precipícios! Oh, meu amigo Kote Kotonaiévite, salva-me!

Ainda dessa vez o gato o escuta e, mais rápido do que a raposa, salva o galinho.

-Pietia! Pietia! Eu não te havia proibido de abrir a janela à raposa? Não te havia prevenido que ela queria devorar-te? Amanhã nosso dono vai trabalhar num ponto muito distante da floresta: toma cuidado!

No dia seguinte, mais ou menos à uma hora, a raposa retornou. Pietia está de novo sozinho. A raposa canta, canta de novo: nada de Pietia. O silêncio é completo. A raposa canta pela terceira vez.

Como é isso? O galinho agora está mudo?
Então joga alguns grãos de trigo, de ervilhas, de tudo que considera capaz de tentar Pietia.

-Inútil, acaba por gritar o galo. -Inútil! Desta vez não abrirei a janela. Perdes teu tempo.
-Como te enganas, responde-lhe a raposa. E voltando à sua canção predileta:

Galinho bonito! Cocorocó!
Crstinha de ouro, de ouro em pó!
Vem à janela mostrar teu biquinho,
E assim que apareças ali um pouquinho,
Para alegrar tua voz catita
Dou-te bom trigo e ervilha bonita!
 -Pietia! Se soubesses o que recusas, não querendo ouvir-me desta vez! Que alegria! Que diversões! Eu te apresentaria à sociedade! Como aprenderias ali! Que coisas preciosas estás recusando! Mas acreditas naquele gato mentiroso e se fazes de surdo comigo! Pois bem: vou embora...
E vai, mas apenas - que velhaca! - até se colocar atrás do muro dos fundos.

O galo, que tudo ouvira , e que a acreditava mais distanciada, abre a janela, debruça-se e;;;a ra´psa apodera-se dele! Desta vez pode gritar à vontade: o gato já não ouve a sua voz...

Triste de quem não ouve a voz da prudência e segue as cantigas dos maus!
fonte: Fábulas do Mundo Inteiro (coleção Clássicos da Infância, Círculo do Livro)

3 comentários:

Marli Boldori disse...

Milu,faz um bom tempo que não venho aqui,estou com problemas de saude na família,por isso minhas visitas estão ficando mais distantes,mas não esqueço de dar uma olhada.Acabei de ler a outra fábula.Muito interessante,um grande abraço!

amanda disse...

ola
vc sabe me informar quem criou e em q ano ? se souber fico mt agradecida ^^

Milu disse...

Oi, Amanda, Este é um conto da tradição popular russa, daí, desconheço autor e data. Acredito que estes dados não sejam conhecidos, já que as histórias da tradição popular, geralmente, vão passando de uma geração a outra, sem registro escrito por bom tempo. A maior parte destes contos foi pesquisada e compilada pelo folclorista Alexander Nikolayevich Afanasyev.

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