sábado, 10 de abril de 2010

MINI BIOGRAFIA DE TOLSTOI E UM POUCO DE YASNAYA POLIANA


Conhecer Yasnaya Polyana - ainda que só virtualmente - é, senão essencial, muito importante para os leitores de Tolstoi, uma vez que quase toda sua obra fala na propriedade ou por ela foi influenciada.

Liev Nikolayevitch Tolstoi nasceu, a 28 de agosto (calendário juliano) e 9 de setembro (gregoriano), no seio da nobreza : sua mãe, a princesa Mária Volkonskaya, era de uma das mais nobres e antigas famílias russas e seu pai, o Conde Piotr Andreievitch Tolstoi.

Ele nasceu em Tula, (a sul de Moscou, distante mais ou menos 14 km da famosa região conhecida por Anel de Ouro), na propriedade da família, denominada Yasnaya Polyana (traduzida como campina clara). Perdeu os pais muito cedo (a mãe quando ele ainda não completara dois anos), tendo sido, ao lado dos irmãos, criado por uma tia. Sobre ela, ele escreveu em sua "Confissão":Minha boa tia, criatura puríssima, com quem eu vivia,sempre me dizia que tudo o que ela mais desejava para mim era que eu me relacionasse com uma mulher casada: rien forme un jeune homme comme une liaison avec une femme comme il faut".
Teve três irmãos mais velhos (Nikolai, Serguey e Dmitri) e uma irmã mais nova(Mária).
Ingressou na Universidade de kazan, mas não concluiu o curso. Apesar disto, sua educação foi perfeita e ele falava várias línguas com fluência e sua cultura era um referencial a tantos quanto com ele conviviam.

Retorna de Kazan à Yasnaya Polyana, com o objetivo de administrar de perto a propriedade que lhe coube de herança. Lá, convivendo com seus servos, passou a ter grande interesse em sua vida, criando métodos para melhorar-lhes a situação.

Mais tarde, volta para Moscou e em 1851 se alista no exército e toma parte de duas guerras, a do Cáucaso e da Criméia, período de uma experiência profunda, que lhe serviu de inspiração para a novela "Os Cossacos"e "Prisioneiros do Cáucaso", além de parte de sua trilogia autobiográfica ter sido publicada nesta época ("Infância, Adolescência e Juventude" e "Contos de Sebastopol"

A partir de 1856, terminado o serviço militar, ele - interessado na educação das crianças camponesas, viajou para o exterior, a fim de saber como o tema era tratado em outros países. Voltando do exterior, se instalou no campo e passou a se dedicar a escolas campestres e a escrever artigos sobre o assunto, criando métodos educacionais.

Sua passagem por Paris lhe fez rever vários conceitos que tinha na vida, pela experiência de assistir à execução de uma pena de morte. Escreveu em sua Confissão:
"Quando verifiquei como a cabeça se separava do corpo e como, separadamente, ambas as partes bateram dentro de uma caixa, compreendi– não com a mente, mas com todo o ser, que nenhuma teoria racional da existência e do progresso poderia justificar tal ato; mesmo se todas as pessoas do mundo, desde a sua criação, por qualquer que fosse a teoria, julgassem ser isto necessário - eu sei que é completamente desnecessário, é perverso. Conseqüentemente, o árbitro daquilo que é necessário e bom, não é o que falam e fazem as pessoas, nem o progresso, mas eu mesmo, com meu coração."

Em 1862 casou com Sófia Berhs, uma jovem de 18 anos de idade e teve muitos filhos, alguns dos quais não sobreviveram à doenças que assolavam a Rússia naquela época.

Neste período escreveu sua obra prima Guerra e Paz. Podia-se dizer que ele era feliz, tinha tudo, da felicidade doméstica ao sucesso e reconhecimento como escritor. Estava no auge, quando foi presa de uma crise existencial profunda. E foi esta crise que, para muitos não passou de uma demência senil, que legou ao mundo o Tolstoi, grande filósofo e pensador. Claro que na maioria de sua obra já haviam traços de seu pensamento filosófico e religiosoa, mas durante sua crise, que quase o levou ao suicídio, Tolstoi, repelindo a Igreja Ortodoxa e sendo por ela excomungado, passou a procurar uma saída para aquela sua situação de desespero. Escreve na sua Confissão:
"Minha vida me enjoava e eu me sentia atraído por uma força superior irresistível, para de alguma forma me livrar dela. Não se pode dizer que eu quis me matar. A força que me atraia para fora da vida era mais forte, mais absoluta, do que um desejo comum. Era uma força semelhante a minha antiga aspiração à vida, apenas em sentido inverso. Com todas as minhas forças eu aspirava me livrar da vida."

Venho citanto muito seu livro Confissão, por ele ter me impressionado bastante, por toda a crueza com que expõe sua vida e vícios, por toda sua sinceridade, por todo o seu sofrimento e como conseguiu encontrar um caminho próprio, a sua verdade. Para muitos, a partir daí ele trai seu talento, com o que eu discordo: ele publicou Anna Karenina um ano antes de publicar as Confissões, portanto, já em meio a toda a sua crise.Acredito que não dá para separar o pensador do grande autor. Ele foi fenomenal em qualquer gênero que tenha escrito, inclusive nos seus ensaios filosóficos. E, em seu período final de vida, tentou viver de acordo com seus princípios, renunciando a maior parte de seus bens, a fim de viver a vida simples que ele prezava. Largou a família e partiu, rumo "à última estação", a de Astapovo, onde morreu em 1910.
Termino o post com uma frase de Tchekhov, que muito me emociona:

" ...Com Tolstoi na literatura, torna-se fácil e agradável ser literato e não é tão terrível perceber que não fiz nada, nem vou fazer, porque Tolstoi já fez por todos".
(M.D. -Aksinia)

Agora, um pouco de Yasnaya Polyana:














































TOLSTOI E MESHNIKOV, EM YASNAYA POLYANA























YASNAYA POLYANA DE TOLTOI FOI, EM PARTE,
DESTRUIDA PELOS ALEMÃES EM 1941
















túmulo de Tolstoi




CRÉDITO: YOUTUBE - KIVfoto


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Юбилей Льва Толстого
CRÉDITO - newstube.ru

2 comentários:

Pedro Luso disse...

Aksínia,

Parabéns pela sua exclente postagem. Bom início de semana para você.

Abraços,
Pedro.

Aksínia disse...

oi, Pedro, que bom que te agradou. Te agradeço muito as visitas. Uma ótima semana para você também.

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