terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

NIKOLAI II: UMA MINI BIOGRAFIA

Dentro da série "Dirigentes Russos", que iniciamos há algum tempo atrás, postamos, hoje, uma micro biografia do último tzar russo, Nikolai II, que viveu de 1868 a 1918 e morreu em condições que todos já sabem.



Nikolai Aleksandrovitch Romanov, nasceu num dia 18 de maio, filho mais velho do Tzar Alexandre III e não demonstrou ser nada do que a austera aristocracia russa esperava.Tinha as mesmas comuns pretensões dos jovens militares russos de sua época. Tímido, apesar de seu grande charme pessoal, casou-se em1894, pouco antes de ser coroado em 1895. A eleita foi Aleksandra Feodorovna Romanova, também nobre, de caráter forte, que o dominou durante toda a sua vida. Sob influência da personalidade mística da esposa, o Tzar seguia conselhos de espiritualistas e curandeiros e assim foi com Rasputin que, segundo dizem, eventualmente tinha poderes comparados aos do imperador.

Nikolai II achava, verdadeiramente, que seus ilimitados poderes vinham de Deus e que só a ele deveria prestar contas do que fazia. À pretensão de deputados liberais de dividirem com ele as responsabilidades do Governo, tachou de sonho insensato e, à revolta popular por melhores condições de vida, respondeu com repressão policial.

Com a guerra russo-japonesa, entretanto, perdeu muito prestígio, tanto externo como interno, e, a partir de 1905, teve que aceitar as Dumas (Assembléias Representativas), que passaram a ter direito de vetar as leis.

O imperador desconfiava de seus ministros e via em qualquer pessoa que o cercava um conspirador perigoso (tal como Stalin). Para readquirir o controle sobre a nação, patrocinou a criação da União dos Homens Russos, uma organização de extrema-direita, que usava métodos terroristas. Daí, até junho de 1917, uma violenta reinvestida destruiu as duas únicas Dumas existentes e retomou o poder absoluto.

A eclosão da primeira guerra mundial manteve, por mais algum tempo, a Monarquia, mas não conseguiu conservar a confiança do povo no soberano. Nikolai demitiu o chefe supremo do Exército e assumiu, ele próprio, o comando, sob protesto dos ministros, que também foram demitidos. O Tzar estava, agora, sozinho. Até alguns aristocratas defendiam sua abdicação, como único meio de salvar a Monarquia.

Quando as rebeliões estouraram em São Petersburgo, a 8 de março de 1917, Nikolai II ordenou que o comandante da cidade enviasse tropas para restaurar a ordem; mas já era tarde demais: todos exigiam sua abdicação. Ele foi preso e enviado à Sibéria. Em abril de 1918, foi enviado aos Urais, onde todos os presos foram massacrados em suas celas, durante a noite de 16 para 17 de julho. Seus corpos foram queimados e abandonados numa velha mina.

Os últimos dias da família imperial foram anotados nos diários da Imperatriz, de maneira a emocionar qualquer leitor. É de dar desespero imaginar o que eles passaram. Como mãe, me coloco no lugar dela, principalmente tendo um filho doente, que necessitava de cuidados especiais.

Detalhes do assassinato são conhecidos, também, por relatos deixados por J.M.Yurovski, membro dos bolcheviques, tchequista e um dos mais ativos participantes da chacina dos Romanov (ver foto abaixo).















Yurovski deixa detalhes da chacina em três documentos: "Anotações" (de 1920); "Memórias"(1922) e "Atas das reuniões dos velhos bolcheviques em Yekaterinburg" (1934). O principal participante da execução deixou, nas fontes citadas, detalhes de como foi cruelmente abatida a familia real e alguns de seus criados.Por estas mesmas fontes, é possível definir, com exatidão, o momento inicial do assassinato de Nikolai II. Nas tres fontes, Yurovski afirma que o automóvel comunicando as últimas ordens sobre o assassinato chegou à uma e meia da noite de 16 para 17 de julho de 1918. O comandante ordenou, então, ao médico Botkin que despertasse a família real. Segundo os cálculos de Yurovski, a família levou de 30 a 40 minutos para se vestir, sendo, então, conduzida para o porão da casa onde se encontrava, em Ipat'iev (Yekaterinburg). Toda esta ação terrível durou apenas meia hora: das duas e meia até as três horas da manhã.

Yurovski, em 1922, escreveu detalhes de enregelar qualquer um, face tamanha frieza:

"Propus a todos que se levantassem. Se levantaram e se enfileiraram junto às paredes.O cômodo era pequeno.Nikolai estava de costas para mim.Anunciei, então, que o Comitê Executivo dos Sovietes dos Deputados Operários, Camponeses e Soldados dos Urais havia decidido pelo seu fuzilamento e de todos ali presentes. Nikolai virou-se e me pediu que repetisse a ordem. Eu repeti e, ao mesmo tempo, ordenei: atirar!" .O primeiro disparo foi meu e atingiu certeiramente Nikolai.


O tiroteio continuou por longo tempo e, apesar das minhas esperanças de que as paredes de madeira não favorecessem o ricochetear dos projéteis, as balas ricocheteavam. A coisa tinha tomado um rumo desordenado e eu não conseguia parar o tiroteio. Quando consegui tal intento, percebi que muitos ainda estavam vivos.Por exemplo, o doutor Botkin, deitado pasmo, sobre o cotovelo do braço direito, em pose de quem repousava(...). Aleksey, Tatiana, Anastasia y Olga também estavam vivos. Tov Ermakov queria terminar o assunto, usando uma baioneta, mas nada conseguiu.O motivo deste insucesso, só se soube mais tarde: as filhas do Tzar usavam armações de diamante no peito, o que lhes serviu de proteção. Assim, fui forçado a eliminar um a um individualmente".
Os anos passaram e, no ano 2000, a Igreja Ortodoxa Russa resolveu pela cononização da família real, por mártires que foram. Em Ipatiev foi construído um templo em memória às vítimas, ato que, para a religião simboliza, ao mesmo tempo, o renascimento da Ortodoxia na Rússia, depois de quase 80 anos de regime comunista.

O templo foi construído no lugar onde se julga que os corpos foram incinerados e se denomina "Mosteiro em Honra dos Santos Mártires reais"( Yama Ganina).(foto abaixo)


















Casa de Ipatiev, em 1928. As primeiras duas janelas da lateral esquerda e as duas janelas da extremidade serviram de aposentos do Tzar, Tzarina e e do herdeiro. A segunda janela, a partir do final, serviram às princesas e de sala.Na foto pode-se ver o porão, onde os Romanov foram assassinados.Localização: Av. Voznesensky























Nikolai II e familia Romanov na cidade de Tabolsk, na Sibéria, para onde foram exilados, juntamente com alguns servos,antes de serem transferidos para Yekaterinburgo.


























Tobolsk acima e abaixo, Yekaterinburg, cidade onde se deu a execução dos Romanov.







































Última foto da família imperial, em Yekaterinburg, antes de seu massacre.

Bibliografia:

História das Revoluções - Vol.10, Editora Três1973
http://romanovi.com/

Um comentário:

Dan disse...

Oi Milu,

Teve tudo e ficou sem nada, não fez as reformas que a Rússia precisava naquela época. Existem dois filmes legais sobre ele: "Nicolas e Alexandra" e "Rasputim", os dois valem a pena.

Abraços

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