quarta-feira, 31 de março de 2010

A POESIA DE BELLA AKHMADÚLINA


Akhmadúlina quando completou 70 anos, em abril de 2007
Bella Akhmadulina (Izabella Akhatovna Akhmadulina) é uma famosa poeta, tradutora e ensaísta russa. Nasceu em Moscou, a 10 de abril de 1937, descendente de ancestrais russos, tártaros, georgianos e italianos.Seus primeiros poemas foram publicados em 1955, na revista Oktyábr (outubro). A ousadia de seus versos pode ser comparada a de Anna Akhmatova e Marina Tsvetaeva.

Seu primeiro casamento foi em 1954, com o também escritor russo Yevgeny Yevtushenko e foi exatamente ele quem marcou muito toda a sua obra. Muitos de seus poemas foram escritos para Yevtushenko.
Bella e Yevtuchenko(à esquerda dela,fumando)
Yevtuchenko
Seu segundo marido foi Yuri Naguibin, em 1960 e o terceiro - o famoso artista russo Boris Messerer.
Dificuldade das relações entre as pessoas, amizade e amor são os temas principais de sua poesia, que não escreve direto sobre política, embora estivesse muito ligada ao movimento dissidente, especialmente no período Brejnev.
Bella ainda é viva e mora em Moscou.



Para ler mais poemas de Akhmadullina (em ingles) accesse aqui!

SEPARAÇÃO
(poema estraído do livro " Poesia Soviética", trad. e compilação de Lauro M. Coelho)
Hoje nos separamos para sempre
e isso faz o mundo transformar-se.
Tudo nele anuncia a traição:
os rios vão se afastando das margens,
as nuvens vão se afastando do céu,
a mão direita olha para a esquerda
e arrogante diz: "Vou embora, adeus!"

Abril não mais prepara o mês de maio,
mês de maio que nunca mais verás,
e as flores se desfolham, feitas pó.
É a derrota do azul para o amarelo!

Já as últimas flores se esturricam,
comprimento e largura não há mais,
o branco, em estertor, já agoniza,
deixando um arco-íris de orfãzinhas.

A natureza afoga em sua tristeza,
a maré baixa sobe pela margem,
calam-se os sons e isso porque nós,
você e eu, pra sempre nos deixamos

(escrito por Akhmadullina quando se separou de Yevtuchenko)

PENSEI QUE ERAS MEU INIMIGO

Pensei que eras meu inimigo,
a minha grande infelicidade.
Mas inimigo não és - só um mentiroso
e são vãs as tuas manobras.

Diante do carrossel
eu joguei cara ou coroa.
Queria, com essa moeda,
saber se te amo ou não.

Meu lenço ficou caído
no chão, no jardim Aleksándrov.
Aqueci as mãos; mas todos souberam
o que eu pensava - e que também mentia.

As mentiras devem estar voando
à minha volta como corvos.
Mas da próxima vez que te despedires
não verás, em meus olhos, nem azul nem negro.

Ah, continua vivendo, não fique triste.
Por mim está tudo bem.
Mas como tudo isso é inútil,
como é tudo absurdo!
Você indo para um lado,
eu indo para outro.

(texto e poema extraídos do livro Poesia Soviética, com seleção, tradução e notas de Lauro Machado Coelho.)

Aos curiosos ou aos que sabem o russo, um video de Akhmadulina declamando um de seus poemas, o que ela faz com uma musicalidade invejável, que só um russo possui...


A seguir, Bella quando completou 70 anos:

Um comentário:

Pedro Luso disse...

Excelente sua postagem. Muito bom estar conhecendo essa poeta. Parabéns.

Abraços,
Pedro.

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