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sábado, 26 de junho de 2010

OSTÁP BENDER: O VIGARISTA CRIADO POR ILF E PETROV


Não me esqueço que há anos atrás me inscrevi no ICQ e fiz amizade com muitos russos que, quando eu dizia ser do Brasil, me perguntavam duas coisas: se aqui havia muitos macacos selvagens ('mnogo dikikh obez'yan)(много диких обезьян) e se eu morava perto do Rio de Janeiro, onde "todo mundo veste calça branca". Confesso que não entendi nada e fiquei até um pouco confusa, pois sempre soube da inteligência dos russos; como então explicar estas perguntas tão bizarras? Somente tempos depois foi que descobri o porque disto: tratava-se, em relação aos macacos selvagens, do filme "Oi, eu sou sua tia" (Здравствуйте, я ваща тётя) e, em relação ao Rio de Janeiro, de um clássico da literatura russa moderna: os romances de Ilyá Ilf e Evguiêni Petrov, "As doze cadeiras" e "O bezerro de ouro".

Comprei os livros e recomendo para todo o mundo, tanto que sobre os autores e "As doze cadeiras" já editei um post há algum tempo:

http://russiashow.blogspot.com/search/label/ILF%20E%20PETROV

Hoje vou falar mais sobre o personagem central das duas obras, Ostap Bender e sobre "O bezerro de Ouro". Ostap é, realmente, um dos personagens mais marcantes que já conheci. Claro que bem diferente de outros personagens, tipo Raskolnikov, de Dostoievski , marcante por sua dramaticidade, ou como Oblomov, de Gontcharov, também um personagem denso. Bender é um personagem leve, cheio de humor e inventividade! Hilário,é " o grande maquinador", ou,em outras palavras, um grande trambiqueiro, mas apesar disto, um personagem forte, no gênero satírico. Sua cabeça está sempre a maquinar uma forma de passar a perna em alguém, "de maneira lícita", dentro da lei ou, pior ainda, bolando como fazer as pessoas lhe entregarem, espontaneamente, aquilo que ele quer. É o malandro simpático, brincalhão, o que o transformou no arquétipo do vigarista para os russos.

Foi, inicialmente, planejado para morrer no final de As doze cadeiras, ,mas os autores respeitaram o sentimento de seus leitores, que

"viam nele uma certa dignidade, um certo sentido de justiça (Ostap saca o máximo que pode aos novos ricos, mas paga honestamente aos miúdos da rua, que o ajudam nas suas maquinações.

Assim sendo, ele volta à cena e, desta vez, na companhia de outros três velhacos menos gabritados, parte à procura de milhões de rublos, cuja posse lhes daria felicidade.

"O grande maquinador" sonhava em alcançar o rio de Janeiro, onde, "entre os mulatos, todos de calça branca, pudesse passear livremente pelas praias do Atlântico, gozar as delícias do sol tropical.

Neste volume, os autores mostram uma vida russa muito diferente daquela que se seguiu à guerra civil e mostrada no primeiro volume, desaparecendo o que há de sórdido e miserável. Agora é o período da realização do primeiro plano quinquenal. Persistem, no entanto, restos do passado:burocratas corruptos, especuladores, aventureiros, etc e é contra eles que se insurge a sátira de Ilf e Petrov.


quinta-feira, 8 de abril de 2010

AS DOZE CADEIRAS (ILF E PETROV)

Não existe edição deste livro no Brasil, o que não impede que o interessado adquira uma excelente edição de Portugal. A Livraria Cultura, tradicional no comércio virtual de livros (apenas indicação e não merchandising) consegue esta edição em tempo super curto. Vale a pena ler, pelo seu estilo satírico todo especial. Seu personagem principal foi super bem construído e entrou para a galeria dos personagens literários inesquecíveis.
Agora, apresentando um pouco seus autores:

Iliá Ilf e Evguêni Petrov são pseudônimos de Iliá Fatzilberg e Evguêni Kataev, ambos naturais de Odessa, às margens do Mar Negro (região lindíssima da Ucrânia): o primeiro nascido em 1897 e o segundo em 1903.
Os dois se conheceram em Moscou, quando trabalhavam para o jornal Gudok (A Sirene).
edição do Gudok da época de Ilf e Petrov

Se tornaram amigos e, após terem escrito juntos "As Doze Cadeiras", primeiro e mais famoso livro da dupla, nunca mais deixaram de trabalhar em parceria. Num período de dez anos, elaboraram uma maneira de pensar comum, uma linguagem comum.
Ilf morreu em 1937, de tuberculose e Petrov, trabalhando como repórter militar, durante a 2ª Guerra Mundial, morreu no front.


FOTOS DE ODESSA

Fotos fantásticas de Odessa você vai encontrar no site oficial da ciadade:

http://www.odessa.ua/gallery/

Sobre o livro:

Nada melhor para falar sobre esta obra de primeira, do que a sua contracapa da edição portuguesa:

Clique na imagem para aumetar seu tamanho

Este romance foi escrito no ano de 1927 e, desde então, se transformou em um dos livros mais populares e mais lidos no espaço soviético e pós-soviético. Algumas de suas frases foram incorporadas aos provérbios e ditados populares da região da antiga URSS e foi adaptado para o cinema por diversas vezes, inclusive no Brasil, com o Oscarito, sob o título de "As 13 cadeiras", em 1957.

capa da edição russa

Ele continua super atual e, pode ser, até ainda mais atual nos nossos tempos.
Suas primeiras publicações foram consideravelmente censuradas e, por isso, tiveram trechos inteiros cortados, ou seja, "limparam o livro" ainda em tempos soviéticos.
Críticos e pesquisadores literários se empenharam em demonstrar que o livro, de forma alguma, se colocava contra o regime, sendo que um crítico até escreveu que "o romance apresentava ' pessoas com forte crença na vitória soviética e de um mundo socialista, sobre o decrépito e horrível mundo propiciado pelo capitalismo'".

A censura rebatia com a seguinte tese: "porque um romance tão absurdamente cômico e satírico? Nunca se sabe quando a sátira de Ilf e Petrov será utilizada contra a gente pelos nossos inimigos estrangeiros".

Realmente, o livro é uma sátira, que se resume na busca de doze cadeiras perdidas com valiosos diamantes nelas escondidos. Com ele, os autores expõem ao leitor uma visão panorâmica da Rússia no período da NEP (Nova Política Econômica, implantada por Lenin) e dos inícios dos anos 30, que consistia em uma ligeira abertura à iniciativa privada. O cenário mostrado por Ilf e Petrov é triste e, com certeza, por isso, incomodou tanto aos censores soviéticos: pequenas cidades atrasadas e feias, burocracia inoperante (como aliás, já o era nos romances de Gógol e o é em todo o mundo onde o governo se deixa burocratizar mais intensamente), comerciantes corruptos, uma pobreza triste, mas tudo isto embalado por um saudosismo patético. Os autores apontam toda a sua artilharia pesada e satírica, típica de jornalistas, contra este quadro.
Por tudo isto, este livro é para os russos e soviéticos uma espécie de obra folclórica.

Me reportei, um pouco acima, a Gógol: este livro lembra muito as obras deste gênio da literatura: o personagem principal empreende viagens pela Rússia para conseguir seus objetivos, conhecendo pessoas e situações e, assim, o leitor vai estreitando contatos com a realidade do país na época em que o livro foi escrito. Nada de plágio, mas com certeza uma benéfica influência, que faz com que estes autores, assim como o grande mestre, criem personagens vigaristas, espertalhões e conhecedores da psicologia humana.

Quanto ao seu real posicionamento em relação à política soviética, tem-se que o livro satiriza a mania de implantar a revolução mundial e os discursos sobre a situação internacional (mania propagada mais pela ala esquerda-trotskista do partido), a caça aos inimigos e espiões e se faz eco da oposição da linha oficial. Com a queda em desgraça de Trotsky foi que o livro caiu nas mãos da censura, sofrendo todos os cortes já citados.

Por tudo que foi dito, fica a indicação deste livro, como nescessário e imperdível a todos amantes da literatura russa e da boa literatura, de maneira geral.

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