sábado, 16 de abril de 2011

FÁBULAS DE IVAN KRYLOV

A partir de hoje começo uma série de posts de fábulas russas, iniciando por Ivan Krylov.
Filho de militar, sua mãe era analfabeta, mas uma mulher muito interessante e inteligente, tanto que desde cedo percebeu a importância de educar bem seu filho e ela própria elaborou o plano para educa-lo, plano este que seguiu a risca.

Alguns intelectuais do relacionamento da família, sugeriram que Ivan, além do que estudava em casa, freqüentasse, também, a escola de Tver, cidade russa às margens do rio Volga (fotos a seguir):
 O resultado foi satisfatório: a educação informal, aliada à muita leitura e ao potencial do intelecto de Ivan, havia surtido excelentes resultados.
Em 1778 morre seu pai, ficando a família, assim, sem meios de subsistência. Na época, Ivan estava com apenas dez anos e já trabalhava no judiciário, com cópia de documentos. Em 1782 vai com a família para Petersburgo, a fim de tentar conseguir uma pensão pela morte do arrimo da família, seu pai. Não conseguiram a pensão, mas Krylov arruma um emprego melhor e começa a escrever versos e suas criações teatrais. Começou a ficar conhecido a partir de 1786, quando escreveu duas comédias, que lhe trouxeram popularidade e um novo emprego. No ano seguinte, morre sua mãe, pouco antes da publicação de suas peças. Suas primeiras peças foram publicadas pouco mais tarde, quando trabalhava no jornal "Horas Matinais".
Уь 1789, abre sua própria revista, o "Correio d'Alma", publicando, especialmente, traduções literárias, mas que foi forçado a fechar por questões políticas. Em 1792 retorna ao ramo editorial, com o periódico "O Observador", também destinado a ter vida curta, pois os artigos publicados eram de cunho satírico e atual.

Após mais um fracasso no ramo editorial, ainda por questões políticas, muda-se para Petersburgo, desistindo de vez das atividades de editoração. Parte em viagem e na volta se torna preceptor dos filhos do príncipe Golitsyn, bem como seu secretário pessoal.Quando o príncipe é deportado, Ivan parte com ele para Riga, indo, depois, viver com seu irmão.
A partir de sua mudança para Petersburgo, em 1806, Ivan intensifica suas ocupações com a criação literária, escrevendo fábulas e renovando este gênero, com elementos psicológicos e sociais. A partir de 1808, sua carreira começa a deslanchar, ganhando inúmeros prêmios, entrando para a Academia Russa de letras em 1811.
Morre em 21 de novembro de 1844, no auge da fama.

"O MACACO E OS ÓCULOS"

Certa vez, um macaco, chegando à velhice, tornou-se míope. oUvira dizer que os homens não davam importância à essa coisa desagradável, pois bastava, para corrigi-la, usar óculos.
Portanto, o macaco muniu-se de meia dúzia de óculos, virou-se de cá para lá, colocou-os no alto da cabeça, prendeu-os à cauda, cheirou-os, lambeu-os e ainda assim os óculos não tinham efeito sobre sua vista.
-Boa droga! - indignou-se ele. Só os tolos devem dar ouvidos às asneiras que os homens dizem! Tudo quanto me contaram sobre óculos não passa de mentira!
Então atirou-os para longe, com toda a força. Indo ter contra uma pedra, os óculos espatifaram-se.
Moral da história: sempre falamos mal daquilo que não compreendemos.
 "O CUCO E O ROUXINOL"

A águia promoveu um cuco à categoria de rouxinol. O cuco, orgulhoso de sua nova posição, sentou-se sobre uma faia e começou a cantar. Depois de algum tempo, olhou em derredor: todos os pássaros estavam a observá-lo, uns a rirem-se dele, outros insultando-o.
Zangado, o cuco apressou-se a ir ter com a águia, e disse-lhe, queixando-se dos pássaros:
-Tem piedade de mim.Por tua ordem fui nomeado rouxinol desses bosques. Mas os pássaros riem-se de meu canto.
- Meu amigo, disse a águia, sou rainha dos bosques, mas não sou Deus. Posso dar a um cuco o nome de rouxinol, mas não posso fazer um rouxinol de um cuco.

Um comentário:

Marli Boldori disse...

Milu,cá estou novamente,agora lendo as fábulas.Nota mil para sua postagem.Que conteudo interessante.
Continue firme com seu espaço maravilhoso.Um grande abraço!

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