terça-feira, 31 de agosto de 2010

DICA LITERÁRIA: IVAN, O TERRÍVEL, OU A RÚSSIA DO SÉCULO XVI - DE ALEXEI TOLSTOI

Sou fascinada por História e por literatura, do que se pode concluir que, para mim, um romance histórico me agrada de maneira incrível. E se juntar a história russa, rica em fatos e emoções, narrada por um grande escritor, como o foi Alexei Tolstoi, tem-se aí todos os ingredientes para me deixar embriagada com a leitura.

Assim fiquei lendo esta obra, escrita em 1944 e que faz parte de uma trilogia , ao lado de "O Caminho dos Tormentos" e "Pedro o Grande", cuja resenha já postamos aqui no blog. obra que retrata toda uma época, espelhando seus hábitos e costumes, através da biografia do Tzar Ivan, chamdo de Ivan Grozny, literalmente - Ivan, o Terrível.

Para escrever este livro, Alexey Tolstoi consultou vasta bibliografia, permitindo-se, apenas, pequenos e irrelevantes desvios, necessários à criação de uma obra literária.
Por ser a história de Ivan e de seu tempo é extremamente sangrenta, A.Tolstoi levou mais ou menos dez anos para concluir a história, tamanho mal estar lhe causava a relatar tais horrores. Lendo seus relatos, o leitor reflete, junto com o autor, como era possível que tal homem fosse amado por seus súditos, que viam nele o responsável por uma nova idade de ouro, que estava para chegar ao país.

Realmente, no início de seu reinado, Ivan se mostrou um legislador hábil, cercado por conselheiros íntegros.

O autor aborda a educação do imperador, órfão de pai e mãe, tendo sido entregue , aos dez anos, a tutores inescrupulosos, que lhe faziam vir a tona os instintos mais cruéis, instintos estes que levaram o imperador a, num ataque de cólera, assassinar o próprio filho, cena esta retratada magistralmente, pelo pintor Ilyá Repin (ver abaixo).


Título: Ivan Grozni e seu filho Ivan 16 16 de novembro de 1581
Os erros em sua educação explicam sua conduta, sem- no entanto, a justificarem.

Sagrado tzar em 1471, , inicia a expansão do império, a começar por Astrakã e Kazã, expulsando os tártaros para a Criméia: Ivan foi um herói no campo de batalha.

Tolstoi aborda, também, as relaçãoes do tzar com a Igreja, resultando isto num interessante quadro dos costumes da época: Ivan se intrometia em todos os assuntos eclesiásticos, como prova um documento com as deliberações do Concílio de 1551, cujo parágrafo introdutório está transcrito a seguir:

"De todos os costumes heréticos, não há nenhum mais condenável do que cortar a barba. O derramamento de todo o sangue de um mártir não bastaria para apagar esta falta. Cortar a barba, para agradar aos homens, é violar todas as leis e declarar-se inimigo de Deus, que os criou à sua imagem".
Paralelo à toda a sua crueldade, Ivan foi o primeiro imperador que se preocupou em incentivar as artes. Foi em seu reinado que a Rússia ganhou a primeira tipografia e o primeiro livro impresso. Mas, aos poucos, este monarca de tantos êxitos acumulados, vai se transformando no monstro que ganhou a alcunha "grozniy".

Fico me indagando, como este livro passou pelo crivo da censura de Stalin, pois Tolstoi, ao criticar Ivan, estende sua crítica a todos os absolutistas, ao salientar uma das marcas características do caráter do monarca: a desconfiança. O autor diz textualmente:

"Desconfiado como todos os déspotas, imaginando-se rodeado apenas por traidores, em Breve Ivan só tinha um pensamento: deitar a mão a inimigos imaginários, e só tinha uma ocupação favorita: supliciá-los ele mesmo, envolvendo todas as suas famílias num castigo com requintes, sem poupar as jovens, os velhos, as mulheres grávidas, nem as criancinhas".
Lendo o parágrafo anterior, tenho a impressão de estar lendo um trecho biográfico de Stalin...Aliás, durante boa parte da leitura, a gente vai percebendo a semelhança entre os dois ditadores.

Também na vida amorosa, Ivan foi terrível. Casado sete vezes, teve algumas de suas mulheres mortas em circunstâncias muito suspeitas...(a Igreja russa não permitia quartas núpcias).

Finalmente, vamos à descrição do príncipe. Como seria este homem cruel e que entrou para a história por seus terríveis atos?
"De acordo com Karamzine, este príncipe era alto, bem feito, tinha os ombros altos, braços musculosos, o peito largo, belos cabelos, longo bigode, nariz aquilino, pequenos olhos cinzentos, mas brilhantes e cheios de fogo, e, no conjunto, uma fisionomia a que não faltava harmonia. Mas o crime modificou-o de uma tal maneira, que mal o podíamos reconhecer. Uma ferocidade sombria deformou todos os seus traços".
Finalizando o post, não poderia deixar de lançar um apelo às editoras (uma bobagem, para quem tem um blog com poucos leitores, como o meu, mas, ainda assim, uma tentativa: a obra de Alexei Tolstoi não tem edições recentes no Brasil. As mais recentes, datadas da década de 70 do século passado, estão esgotadas, só disponíveis nos bons sebos. Ainda assim, vale a pena o leitor, que não tiver preconceitos contra livros usados, adquiri-los, pois ele não só terá uma visão mais completa do que de melhor existe na literatura russa, como entrará em contato com a história deste país de uma forma muito mais agradável, do que a leitura de áridos livros técnicos sobre o assunto.

obs: este livro foi transformado em filme; procedi a uma "garimpagem" na rede a fim de acha-lo para o devido compartilhamento com os leitores do blog, sem resultado algum. Solicito a quem o encontrar que me avise, por favor.

3 comentários:

Anônimo disse...

http://www.filmesepicos.com/2009/12/ivan-o-terrivel-1944.html#.UfMgwtK-ozg

Paulo Knop disse...

Estou lendo o livro.É muito bom. Gostaria de saber quem traduziu o livro para o português.

Milu disse...

Oi, Paulo, o livro foi traduzido para o português, sim, mas é raro e difícil de achar. Você poderá procurar em sebos, por exemplo, no Mercado Livre ou no www.estantevirtual.com
Obrigada pela visita e desculpe a demora na resposta.
Abraços.

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