quarta-feira, 21 de setembro de 2011

LITERATURA E REVOLUÇÃO: TROTSKI

Muitos hão de estranhar o fato de um dos maiores revolucionários do século passado ter escrito um livro sobre literatura, apesar de estar  abordando o assunto sob a ótica revolucionária. Mas Trotski entendia profundamente do tema e escreveu o livro logo após a Guerra Civil russa (1918/21), entre os anos de 1922 e 1923, em um momento de 'férias'...Além de entender, ele valorizava a arte a tal ponto, que deixou registrado no livro o seguinte trecho:
"..a solução dos problemas elementares - alimentação, vestuário, habitação e educação básica - de forma alguma significaria a vitória total do novo princípio histórico, isto é, do socialismo. Só o progresso  do pensamento científico em escala nacional e o desenvolvimento de uma nova arte mostrariam que a semente histórica não só germinou, mas também floresceu. Nesse sentido, o desenvolvimento  da arte é a maior prova da vitalidade e importância de cada época".
Editado no Brasil pela Zahar Editores, com tradução de Moniz Bandeira, o livro tem  250 páginas, nas quais Trotski revela seus conhecimentos literários, analisando a produção artística de sua época  e, neste aspecto revela, também, suas divergências com os rumos tomados pela Revolução sob a direção de Stalin: um dos pontos básicos é ir contra a idéia de que o Partido-Estado deveria orientar formas e conteúdos da produção artística. Ele refuta a noção de uma "cultura proletária(prolekult), tão defendida por Stalin.Acreditava que o movimento "prolekult" se baseava  em mal-entendidos e ilusões, mas defendia seu direito de existir.Esta oposição é coerente com sua idéia de "fim das classes": a ditadura do proletariado seria algo necessário apenas enquanto o proletariado precisasse se defender e isto deveria ser por um período breve: 
"Contrariamente ao regime dos possuidores de escravos, de senhores feudais e de burgueses, o proletariado considera sua ditadura como um breve período de transição... Mas o proletariado irá se dissolver na sociedade socialista, se libertar de suas características de classe, isto é, deixará de ser proletariado...O proletariado tomou o poder  precisamente para acabar  com a cultura de classe e abrir caminho para uma cultura da humanidade. Ao que parece, esquecemos isto frequentemente".
Utópico ou não, certo é que isto deixa clara sua posição a respeito do assunto "arte proletária".

O livro mostra, em páginas subseqüentes, a contradição deste pensamento de Trotski, expressado num momento em que o Estado socialista ainda era incipiente, mas foi a partir desta opinião que  ele construiu sua tese em defesa da maior liberdade possível para a produção e recepção literárias.
"O proletariado,durante o período de sua ditadura,  deve marcar a cultura com o seu selo(...)Isto não significa o desejo de dominar a arte por meio de decretos e prescrições. É falso que só consideramos nova e revolucionária a arte que fala do operário. Não passa de absurdo dizer que exigimos dos poetas apenas obras sobre chaminés ou sobre uma insurreição contra o capital. O lirismo tem incontestavelmente o direito de existir na nova arte, por menor que seja sua esfera de ação. Ninguém imporá, nem se atreverá a impor aos poetas uma temática. Escrevam, então, tudo o que lhes vier a cabeça!".
Ele argumentava, ainda, que o Prollekult reduzia todo o valor estético ao mais rudimentar conteúdo político e social. e que esta postura era condescendente com os novos escritores de classe operária, privando-os do conhecimento cultural e da prática de que precisam para desenvolver uma nova arte.
Ele sabia do atraso cultural dos operários e camponeses, por séculos de dominação tzarista e da defasagem entre eles e a intelectualidade literária então existente, por isso desejava que aqueles que pregavam com muita ênfase uma 'arte proletária' não fingissem que tudo o que eles escreviam era obra de arte. Eles deviam ser capacitados através do estudo e cultivar seus próprios padrões de julgamento. Deviam estudar tudo o que a boa literatura russa havia produzido, bem como tudo o que foi produzido pela literatura internacional:
"Seria pueril pensar que as belas artes burguesas  possam abrir brechas na solidariedade de classes. O que Shakespeare, Goethe, Puchkin e Dostoievski  darão ao operário será, antes de tudo, a imagem mais complexa da personalidade, de suas paixões e sentimentos. O operário, afinal, se enriquecerá".
 Mais adiante, ele afirma que
"não existe, ainda, arte revolucionária. Há elementos dessa arte, sinais, tentativas de realiza-la."
Quanto  à arte socialista, aí então é que não existia mesmo: ainda lhe faltavam, segundo Trotski, as bases necessárias(isto entre 1922 e 1923).
Pouco mais de um ano após a publicação deste livro, Trotski foi forçado por Stalin e seus seguidores a se demitir  do cargo de chefe do Exército Vermelho. Três anos depois, foi expulso do Partido Comunista, partindo para o exílio, onde foi assassinado.

O leitor vai encontrar no livro, ainda, comentários e, por vezes, análises pormenorizadas sobre vários escritores russos. Critica outros tantos, como Andrei Biely, que particularmente adoro: acusa Biely, o autor do fantástico "Petersburgo"por seu simbolismo, misticismo e, principalmente, por ser um anti-revolucionário, dando como prova disto o pseudônimo por ele escolhido - Biely(em russo significa branco) e diz que a Rússia pós revolução está muito afastada da Rússia de Biely, de Iasnaia Poliana(terras de Tolstoi), dos latifundiários e dos burocratas.
No final do livro, você encontra uma cronologia da vida do autor e um glossário, no qual existem pequenos resumos biográficos de muitos autores, políticos, filósofos, pensadores, etc. Trás, finalmente, sugestões de leitura, além de três brilhantes ensaios de Trostsky sobre Mayakovski, Iessênin e Lunatchárski.

Excelente, valendo ela em si por um livro, é a apresentação feita por William Keach.O preço do livro também não é dos mais caros:R$ 42,00.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

UM POUCO DE IASNAIA POLIANA


Falar em Iasnaia Poliana é falar do Conde Lev Tolstoi e de toda uma obra que é, sem sombra de dúvida, uma das melhores da literatura universal. Tolstoi aí viveu, aí gerou muitos dos frutos de sua genialidade, daí saindo - definitivamente- apenas quando de sua última jornada...

Tolstoi em horas de lazer...

Já falei em outros posts sobre esta propriedade, reservando o espaço de hoje para um interessante passeio virtual por ela. O passeio se inicia em tempos de inverno, quando as terras do velho conde estão dominadas pela neve...Use o cursor do seu mouse para verificar maiores detalhes. Vá clicando nas setinhas em azul que aparecerem. Elas te direcionam às diversas partes de Iasnaia Poliana.

http://www.ntula.ru/3d/Project4/Yasnaya_Polyana.html
Foto de Tolstoi também no inverno.

Agora, um passeio com maiores detalhes:
http://panorama.poix.info/vtour/Yasnaya-Polyana/index.html

Quando você passa o mouse por determinadas imagens, surgem informações interessantes, todas em russo, o que será útil para os estudantes do idioma. Para os que não conhecem o idioma, vai um resumo, a seguir.


Logo no início, aparece a seguinte foto:
Na legenda vem escrito que na entrada da propriedade existem estas duas torres, simples e elegantes, que foram construídas pelo avô de Lev Nikolaevich, o príncipe Volkonski.Houve época em que estas pontes eram unidas por um largo portão de ferro, que já não mais existia quando o escritor aí viveu. Dentro dela não há nada, sendo apenas destinada ao abrigo dos vigias contra o mau tempo.

Próximos às torres, vem o caixa. Veja de outros ângulos a entrada e caixa:
Logo à direita destas torres, há uma seta com a indicação do estacionamento.
Chegando a eke você encontrará até toalete. Caminhando à esquerda das torres, você chega a um quiosque de suvenires tipicamente russos. Pelo que soube, atualmente a venda de suvenir está proibida em museus-memoriais, mas esta é uma informação que ainda não tive a chance de checar.

Mais à direita um pouco, um charmoso café, com dois salões de 30 lugares cada.Este café oferece guloseimas típicas, a um preço bastante razoável.

No alto da página, existe uma janela, onde na foto abaixo circulei de vermelho: você clica na setinha ao lado e escolhe mais opções de visualização da propriedade.
Se você clicar na primeira opção, você irá direto ao caixa. Á seguir, a escolha recai sobre a 'entrada e as torres'. Em seguida, o Grande Lago(foto abaixo), seguido da Aléia (um dos locais preferidos de Tolstoi); tem, também, a bifurcação da aléia.
O próximo clique te levará à parte da aléia onde fica a cavalariça(lembrando que o conde amava montar!). A próxima opção será outro ângulo da cavalariça e da estrebaria.
Próxima parada: a casa do avô de Tolstoi, o príncipe Volkonski:
Depois, outro ângulo da casa de Volkonski. E, ainda, o celeiro e a eira. Daí você acessa a ala dos fundos da casa, onde em 1862 Tolstoi construiu a escola para filhos de camponeses. Originalmente existiam duas alas nos fundos. Uma delas foi onde o escritor nasceu e não foi preservada. Esta mesma ala mostrada no passeio virtual, mais tarde ficou reservada aos hóspedes da família, tendo aí residido, também, a família da cunhada do escritor, os Kuzminzki (irmã mais nova de sua esposa).
Finalmente, clique no museu, que é a parte da propriedade onde viveu Lev Nikolaevich e sua família.
O próximo clique dá para uma vista do gramado em frente ao Museu.
Agora, o parque com vistas para o Museu, onde o escritor se instalou em 1856. Em 1862, trouxe para esta casa sua esposa, a então jovem Sofia. Depois esta casa, que é uma antiga ala dos fundos, teve que ser reconstruída,uma vez que a família já havia crescido e muito....Aqui, viveram por mais de 50 anos e tudo que aí foi guardado é original.Tudo pertenceu a Tolstoi e a seus descendentes.Tudo foi conservado como estava em 1910, último ano da vida do escritor. A casa é circundada por um canteiro de flores. Sofia Andreevna adorava flores e ela mesma cuidava do canteiro.
Próxima saída é a bifurcação para o túmulo de Tolstoi, enterrado em Iasnaia Poliana, já que não podia ser enterrado em igrejas ortodoxas, conforme o costume da época entre os nobres, por ter sido excomungado.

Agora, clique para ir ao "jardim vermelho".Os dois cliques a seguir te levarão a florestas de abetos, a campos super verdes e outros lugares paradisíacos. "Desça" em cada parada e vá clicando nas setinhas que aparecem no caminho...

Agora o lago e um reservatório de água, que já serviu de piscina e era onde brincavam os netos de Tolstoi, nos anos 90 do sec.XIX.
lago e reservatório.
Ainda lago, só que agora, a parte baixa dele. Você verá que são vários os cliques que levam ao lago, um dos muitos encantos de Iasnaia Poliana...
Depois de muito se deliciar com as paisagens do lago, visto em seus vários ângulos, em suas várias partes, você chega ao clique que te leva à uma estufa para plantas, construída por Lev Nikolaevich nos anos 70 do século XIX.
Chegamos a um antigo jardim, onde tem uma casinha de madeira, vista na foto a seguir:
Agora, a aléia principal, ou seja, ao ponto de saída:
Agora, o próximo clique é para ver o túmulo que, na verdade, não é visto(pelo menos não neste passeio virtual). Por isso, deixo vocês com a imagem de mais uma atração de Iasnaia Poliana: o Clube de Equitação: basta acessar o endereço a seguir, copiando-o e colando-o na barra de seu navegador.

http://www.yasnayapolyana.ru/photogallery/manor/index_horses.htm


Por hoje é só.

fonte:
http://www.yasnayapolyana.ru/
http://panorama.poix.info/

terça-feira, 13 de setembro de 2011

ÁLBUM PARA BAIXAR: BARDOS DA RÚSSIA - PARTE 2 (2011)

Mais um disquinho de bardo para você baixar....Já deu para perceber o quanto gosto do gênero! E esta coletânea está muito boa, realmente, com vários nomes que se destacam no bardo russo. Vale o download.

Faixas:
001 Михаил Анчаров - Песенка про низкорослого человека
002 Александр Галич - Чехарда с буквами
003 Александр Городницкий - А на Арбате
004 Александр Розенбаум - День рождения
005 Алексей Иващенко - Я милую узнаю по походке
006 Галина & Борис Вахнайские - Английская история
007 Михаил Анчаров - Цыганочка
008 Олег Митяев - Авиатор
009 Татьяна Гольцман - Ах, не бойся же ты наши чувства отдать
010 Юлий Ким - Баллада о короле-вегетрианце
011 Владимир Высоцкий - Банька по белому
012 Александр Галич - Кресты
013 Александр Городницкий - Английская песенка
014 Александр Розенбаум - Голуби
015 Алексей Иващенко - Боцман
016 Галина & Борис Вахнайские - Этой женщине
017 Михаил Анчаров - Аэлита
018 Олег Митяев - Чужая война
019 Татьяна Гольцман - Апельсиновие дольки
020 Юлий Ким - Девятнадцатое октября
021 Владимир Высоцкий - Черные бушлаты
022 Александр Галич - Ночнои дозор
023 Александр Городницкий - Английский канал
024 Александр Розенбаум - Колыбельная
025 Алексей Иващенко - Дождь
026 Галина & Борис Вахнайские - Французская история
027 Михаил Анчаров - Баллада о мечтах
028 Олег Митяев - Француженка
030 Юлий Ким - Когда мне невмочь пересилить беду
031 Владимир Высоцкий - Диалог у телевизора
032 Александр Галич - Последняя песня
033 Александр Городницкий - Арбатские старушки
034 Алексей Иващенко - Две капли на стакан воды
035 Галина & Борис Вахнайские - Габриэлла
036 Михаил Анчаров - Баллада о парашютистах
037 Олег Митяев - Как здорово
038 Татьяна Гольцман - Дурочка на облаке
039 Юлий Ким - Куда ты скачешь
040 Владимир Высоцкий - Горизонт
041 Александр Галич - Про маляров
042 Александр Городницкий - Байхайскии храм
043 Алексей Иващенко - Еще стрелу из колчана
044 Галина & Борис Вахнайские - Голубой рояль
045 Михаил Анчаров - Баллада о танке Т-34
046 Олег Митяев - Крепитесь, люди, скоро лето
047 Татьяна Гольцман - Неразменный пятак
048 Юлии Ким - Не покидай меня, весна
049 Владимир Высоцкий - Натянутый канат
050 Александр Галич - Вальс
051 Александр Городницкий - Царское село
052 Алексей Иващенко - Кульская тоска
053 Галина & Борис Вахнайские - Греческая песня
054 Михаил Анчаров - Белый туман
055 Олег Митяев - Мама
057 Юлии Ким - Объяснение
058 Владимир Высоцкий - Охота на волков
059 Александр Городницкий - Черный хлеб
060 Алексей Иващенко - Как быстро привыкает кот
061 Галина & Борис Вахнайские - И догорит звезда
062 Михаил Анчаров - Маша
063 Олег Митяев - Доводы
064 Татьяна Гольцман - Носи меня как талисман
065 Юлий Ким - Три храбрых кабалеро
066 Владимир Высоцкий - Расстрел горного эха
067 Александр Городницкий - Шотландская песня
068 Александр Городницкий - Меж Москвой и Ленинградом
069 Александр Розенбаум - Лаки
070 Алексей Иващенко - Песня председателя
071 Галина & Борис Вахнайские - И я вернусь
072 Михаил Анчаров - Кап-кап
073 Олег Митяев - Письмо из Африки
074 Татьяна Гольцман - Осень рыжая
075 Юлий Ким - Джон
076 Александр Городницкий - Для чего тебе нужно
077 Александр Розенбаум - Первый-второй
078 Алексей Иващенко - Колыбельная для черного котенка
079 Галина & Борис Вахнайские - Имя твое
080 Михаил Анчаров - Лубовницы
081 Олег Митяев - С добрым утром любимая
082 Татьяна Гольцман - Последний лист
083 Александр Городницкий - Жена французского посла
084 Александр Розенбаум - Расставание
085 Алексей Иващенко - Маленкий экипаж
086 Галина & Борис Вахнайские - Мелодия
087 Михаил Анчаров - Мещанский вальс
088 Олег Митяев - Самая любимая песня
090 Александр Розенбаум - Три сестры

PARA BAIXAR O ÁLBUM, COPIE E COLE O LINK
A SEGUIR NA BARRA DE SEU NAVEGADOR:

http://miud.in/W3u
fonte:
http://xxxlmusic.com/shanson/

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

ARTE RUSSA - LEV TOLSTOI, MODELO IDEAL PARA RETRATISTAS?

Feito por lyá Repin em 1891

O título deste post deve fazer com que muitos leitores do blog pensem que fiquei louca: como pode Lev Tolstoi, com sua barba mal cuidada e seu tipo físico longe de ser um padrão de beleza, ser considerado um modelo para retratistas? Mas a afirmativa não é minha e sim de um dos maiores pintores russos, o ucraniano Ilyá Repin, que viveu de 1844 a 1930, a maior parte deste período em São Petersburgo.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

UM POEMA DE OSSIP MANDELSTAM

Mandelstam é um dos poetas fundamentais para quem quiser melhor conhecer a cultura russa do século XX. Recomendo, ao leitor brasileiro, a auisição do livro "Guarda minha fala para sempre", editado pela portuguesa "Assírio & Alvim", com tradução de Nina e Filipe Guerra. Foi deste livro que extraí a presente poesia, datada de fevereiro de 1937. Histórica, pungente. Viva. Vale a pena ser postada e, sobretudo, ser lida...

Se for preso pelos nossos inimigos,
Se as pessoas não falarem comigo, Se de tudo e de todos for privado;
Do direito a respirar e abrir portas,
Do direito a afirmar que haverá vida
E que, como juiz, o povo julga -
Se me tratarem como animal,
Se me atirarem o comer pro chão -,
A dor não amordaço, não me calo,
Mas o que for de desenhar, desenho,
E ao abalar o sino nú dos muros,
Ao despertar o canto escuro inimigo,
Vou atrelar dez bois à minha voz
E no escuro o arado enterro e guio -
E nas profundas da noite, noite alerta,
Olhos se acendem para a terra fértil,
E, pois, na hoste de fraternos olhos apertado,
Co peso de toda a colheita eu cairei,
De impetuoso juramento é a seara -
E romperá de anos ardentes uma alcateia,
Como tempestade madura vai Lenin
Murmurar. Não haverá putrefacção na terra,
Assassinará razão e vida o Stalin.

Em russo:
Если б меня наши враги взяли
И перестали со мной говорить люди;
Если б меня лишили всего в мире:
Права дышать и открывать двери
И утверждать, что бытие будет
И что народ, как судия, судит, —
Если б меня смели держать зверем,
Пищу мою на пол кидать стали б, —
Я не смолчу, не заглушу боли,
Но начерчу то, что чертить волен,
И, раскачав колокол стен голый
И разбудив вражеской тьмы угол,
Я запрягу десять волов в голос
И поведу руку во тьме плугом —
И в глубине сторожевой ночи
Чернорабочей вспыхнут земли очи,
И в легион братских очей сжатый
Я упаду тяжестью всей жатвы,
Сжатостью всей рвущейся вдаль клятвы —
И промелькнет пламенных лет стая,
Прошелестит спелой грозой: Ленин,
Но на земле, что избежит тленья,
Будет губить разум и жизнь Сталин.

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