terça-feira, 31 de maio de 2011

TURISMO PELA RÚSSIA: MONTE ELBRUS



Já disse e repito: uma vida é pouco para visitar tudo o que a Rússia oferece de beleza! Arquitetura, estepes, mar, lagos, rios belíssimos, montanhas, regiões temperadas e gelo eterno.Normalmente, os pacotes turísticos só oferecem visitas às principais cidades, aos pólos históricos e, alguns, disponibilizam cruzeiro pelo Volga e seus afluentes. Mas um de meus sonhos é visitar o Monte Elbrus, coberto com neves eternas ,mas desconheço pacote que ofereça tal opção. A dica para quem pretende visitar a Rússia é contratar um passeio a este local pela internet, direto na Intourist, a agência de turismo russa.Se você não fala russo, não se preocupe: o pessoal da Intourist fala inglês e tem guias que falam o português.


A programação da temporada de eski no Elbrus você pode conferir no site www.go-elbrus.com, o que facilitará a programação junto à Intourist. O site tem a opção dos idiomas russo, inglês e alemão, mas enquanto não vamos ao Elbrus, o Elbrus vem à gente, num passeio virtual.
O Elbrus é a montanha mais alta da Europa.Para ser mais precisa, ele é um vulcão, extinto que vem despertando o interesse dos pesquisadores russos desde o século XIX. Seu surgimento data do neógeno, ou seja, há mais de vinte e três milhões de anos, na escala do tempo teológico.Naquela época tão distante, deve ter acontecido com ele mais ou menos o mesmo que aconteceu com o Vesúvio, só que com maior intensidade.Detalhes técnicos sobre a atividade vulcânica e suas conseqüências, sugiro que sejam pesquisados em livros de geografia. Nosso blog fica apenas com a parte turística do Elbrus, complementada com os dados e fotos a seguir.


Sua altitude é de 5642 metros, altura definida em 1913. Fica situado na cordilheira do Cáucaso, fronteira com a Geórgia. Poucos vulcões no mundo ultrapassam sua altura, entre eles os latino-americanos Acongágua, também extinto, com 6.960 m e o Lyulyaylyako 9ativo), com6.723 m.


Seu pico, com neves eternas, alimenta 22 geleiras, que dão origem aos rios Baksan, Kuban e Malka. É ainda o 10º monte de maior proeminência topográfica no mundo.
Uma curiosidade: o Elbrus era conhecido na antiguidade sob o nome de Strobilus, conhecido na mitologia grega como o local onde Prometeu foi acorrentado.


Como muitos outros vulcões, o Elbrus é dividido em duas partes: seu pedestal, de cerca de 3.700 m, e o cone, parte rochosa formada por material expelido nas erupções.

Este monte fica a 65 km da cidade de Kislovodsk, distrito de Stravopol, também interessante para se visitar, devido às suas fontes naturais e seus inúmeros 'spas'. Entre os séculos XIX e XX, esta foi uma cidade de grande concentração de músicos, artistas, e membros da aristocracia russa,destacando-se entre eles Aleksandr Solzhenitsyn.

Conhecendo o Elbrus:




Turismo por Kislovodsk:



Mas voltemos ao Elbrus.Durante o período da URSS, incentivou-se o alpinismo local, tendo sido registrado um grave acidente em 1936, entre jovens comunistas.Com o incentivo ao alpinismo pela União, em 1956 foi escalado em massa, por cerca de 400 alpinistas.

O teleférico, inaugurado em 1976, pode levar o turista a uma altura de 3.800 metros.(ver foto abaixo)


fontes:
http://planeta.moy.su/
www.yandex.ru

segunda-feira, 30 de maio de 2011

ÁLBUM 'DO CÉU E DA TERRA, GRUPO FOLCLÓRICO SIBLINKI)/novo link

Mais um álbum de música folclórica russa, mais especificamente de Gusli, a 'harpa' russa, que por adorar, venho postando com maior freqüência.

Faixas:
1. Гусли неба да земли
2. Бело-синь
3. Пастух
4. Болью вечной
5. Чертополох
6. Через поля…
7. Голубица
8. Ульрика
9. Небо-Гжель
10. Сон-Явь
11. Ветер
12. Парижанки

FÁBULA DA TRADIÇÃO RUSSA: O CAMPONÊS ESPERTO

Havia, outrora, uma velha que tinha dois filhos. Um deles morreu e o outro partiu para um país longínquo. Três dias depois da partida do moço apareceu na casa da velha um soldado que disse:
-Boa senhora, permita-me passar a noite na tua casa.
-Pois não, meu amigo! E de onde vens tu?
-Venho do outro mundo.
-Ah! Eu tenho um filho que morreu. Por acaso tu o terás visto por lá?
-Se vi! Dormíamos os dois no mesmo quarto...
-Verdade?
-Sim: no outro mundo ele é pastor de cotovias.
-Ah, meu amigo! Então elas lhe devem dar muito trabalho!
-Muito! Estão sempre fugindo para as moitas!
-E as roupas de meu filho, já se reasgaram?
-Completamente. Ele anda esfarrapado.
-Eu tenho aqui alguns metros de lã e um punhado de rublos. Leva-os para meu filho.
-Pois não, minha boa senhora.
Ao cabo de não sei quanto tempo, o filho viajante retorna à casa:
-Como vais, mãe?
-Olha, durante tua ausência apareceu aqui um soldado que voltava do outro mundo e me deu notícias de meu filho defunto. Moram no mesmo quarto, por lá. POr intermédio dele eu enviei a teu irmão alguns metros de lã e dez rublos.
-Se o que dizes é verdade, adeus mãe. Vou fazer uma longa viagem pelo mundo. Se encontrar alguém mais crédulo do que tu, voltarei a morar contigo.  Se não encontrar, jamais voltarei a esta casa.
Girou sobre os calcanhares e se pôs a caminho.
Chegou a uma aldeia senhorial e deteve-se junto do pátio do senhor, onde vagava uma porca com seus leitõezinhos. O camponês pôs-se de joelhos diante dela, saudando-a respeitosamente. A dona da casa viu aquilo da janela onde estava e disse à sua serva:
-Vai perguntar aquele camponês porque se põe de joelhos e cumprimenta assim aquela porca.
Então a moça foi indagar:
-Camponês, porque ajoelhas e cumprimentas assim esta porca?
-Minha cara, dize à tua senhora que esta porca é encantadora: é irmã de minha esposa, e como meu filho casa-se amanhã, talvez tua senhora permita que ela seja testemunha, acompanhada de seus leitõezinhos.
Quando a castelã soube daquilo, disse à serva:
-Mas que grande tolo! Convidar porca e leitões  para um casamento! Pois bem: vamos nos divertir a custa dele. Coloca depressa minha peliça sobre a porca e manda atrelar os cavalos ao carro: não devemos mandá-la a pé para a festa. 
Atrelaram os cavalos ao carro, ali colocaram a porca toda enfeitada, com seus leitões. E deram tudo ao camponês, que se foi embora.
O castelão, que estava caçando, voltou para casa e  esposa lhe contou o que se passara, rindo às gargalhadas.
-Ah, meu amigo, tu estavas ausente e eu não tinha com quem rir. Um camponês apareceu por aqui e  se pôs a cumprimentar a porca: "É encantadora", dizia ele, "é irmã de minha esposa"! E convidou-a para testemunha do casamento de seu filho, e aos leitõezinhos também, para que fizessem parte do cortejo.
-Já sei- disse o senhor -tu lhe deste os animais...
-Cobri a porca com a minha peliça e coloquei-a com os filhos na carruagem, puxada por dois cavalos.
-Mas de onde vinha esse camponês?
-Não sei...
-Pois bem: não é ao camponês que se pode chamar de tolo e sim a ti, que foste uma idiota!
Irritado por terem enganado sua mulher, o castelão montou sobre seu cavalo e se pôs a perseguir o camponês. Este, percebendo o ruído do galope e vendo que o homem o alcançaria, escondeu cavalos e carruagem atrás de um bosque espesso, tirou o chapéu, colocou-o no chão, e sentou-se ao lado dele.
-Olá, palerma-gritou o senhor-, não viste passar por aqui um camponês com um carro puxado por dois cavalos? No carro ia uma porca com seus leitõezinhos.
-Sim, vi passar, mas já faz algum tempo.
-E por onde foi? Que caminho devo tomar para alcança-lo?
-Não será difícil alcança-lo, mas o caminho é cheio de voltas e poderás perder-te sem saberes como. Com certeza não conheces este caminho, não é mesmo?
-Queres ir tu, alcançar para mi aquele camponês?
-Não, senhor, é impossível. Tenho um falcão aqui embaixo do meu chapéu.
-Pouco importa. Eu guardarei seu falcão.
-Só se tiveres muito cuidado. Ele poderia escapar e, sendo um pássaro muito caro, meu senhor me mataria.
-Quanto custa o falcão?
-Penso que uns trezentos rublos. 
-Pois bem, se eu o deixar escapar, pago-te os trezentos rublos.
-Nada disso! Tu agora prometes, mas eu não fico garantido...
-Que homem desconfiado! Pois bem, aqui tens os trezentos rublos.
O camponês apanhou o dinheiro, subiu para o cavalo do outro e pôs-se a correr para a floresta, enquanto o senhor ali ficava a guardar um chapéu vazio. Esperou e esperou. O sol declinava no horizonte e o camponês não voltava.
-Vou ver se há mesmo um falcão sob este chapéu - disse consigo mesmo o homem, que já começava a ficar desconfiado. Se houver, ele volta, se não houver, será inútil esperar. 
Ergueu o chapéu: nada havia ali.
-Que velhaco! Com certeza é o mesmo camponês que enganou minha mulher.
Furioso, o senhor retornou a pé para sua casa. O camponês já há muito retornara à sua, onde dissera à mãe:
-Está bem, mãe, fico contigo. Neste mundo há muitos tolos. Deram-me de graça três cavalos e uma carruagem, trezentos rublos, uma peliça, uma porca e seus leitõezinhos.
Enquanto houver tolos, os espertos prosperarão...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

UM POUCO DA HISTÓRIA DA MÚSICA FOLCLÓRICA RUSSA...

 

A análise do antigo folclore russo é importante para a compreensão das bases históricas da música , bem como para uma abordagem adequada da poesia russa, plena de ritmo e melodia.

Claro que não entendo nada de música e poesia, além do que é possível entender à um leigo apaixonado pelo tema. Assim, tudo o que está contido neste post foi alvo de pesquisa em livros e sites russos, pesquisas estas feitas especialmente para proporcionar ao amigo do blog um pouco mais de conhecimento desta cultura rica e antiga, razão da existência do "Russia Show".

A música russa tem suas peculiaridades melódicas, harmônicas e rítmicas.Algumas canções antigas, do período do século VII ao século XV, aproximadamente, utilizam a "escala pentatônica"(1).Escala semelhante  é encontrada na música folclórica tribal turca das bacias do Volga e do Kama, assim como entre os nativos da Birmânia e da Indochina. Neste sentido, pelo menos um grupo de música folclórica russa está mais para música eurasiana do que para européia.

Na Ucrânia, a escala Pentatônica se evidencia numa pequena quantidade de canções muito antigas e entre outros grupos eslavos seu uso é ainda mais raro.
Interessante observar que a escala pentatônica foi preservada, também, nas canções celtas da Escócia, Irlanda e  região.

Ao que parece, existe um outro grupo de canções antigas russas que segue a tradição da música antiga grega.

No aspecto mais técnico, pode ser acrescentado, ainda, que a música folclórica russa é constituída, principalmente, de elementos polifônicos, onde cada parte é independente da outra, e bonita em si mesma, mas todas as partes, reunidas, servem ao todo.

A canção se inicia com o solista, que interpreta seu tema central.Outros cantores modulam a canção, embelezando-a, formando um contraponto notável, e nisto a música folclórica russa notavelmente se diferencia das músicas folclóricas orientais, cantadas maior parte delas em uníssono.

Continuando com a música da Rússia kievana, além do coral, naquele tempo se admirava muito a música solo, principalmente nos banquetes dos príncipes, onde executavam baladas épicas (bylinis), como, por exemplo, "Canto às Campanhas do Príncipe Igor"(um dos primeiros poemas russos conhecidos/sobre Igor já postamos no blog na série 'dirigentes russos')(aos que sabem russo, o poema está aqui).

Você pode ver, a seguir, uma apresentação do Grupo Ariel c da referida canção aos feitos do Príncipe Igor:imperdível!

A seguir, numa versão mais tradicional:


Neste tipo de canção, maioria das vezes, o próprio cantor se acompanhava no Gusli.  . Em "Príncipe Igor há uma descrição poética do papel do Gusli tais apresentações:
"(o cantor)..colocava seus dedos hábeis nas cordas vivas
E as cordas, como se a glória dos príncipes cantassem...  ".
Evidentemente, havia muitos cantores profissionais na Rússia kievana.Eles iam de uma festa popular a outra, se apresentando não apenas nas festas dos príncipes, mas, também, nas áreas comerciais das cidades e nas feiras e exposições rurais. Eles eram conhecidos, fundamentalmente, como "histriões"(espécie de atores medievais), que trabalhavam em grupos e sua função era preservar a arte popular russa antiga.

Além do Gusli, na antiga Rus utilizavam diferentes instrumentos musicais:
-a "sopilka"instrumento de sopro, da família da flauta, muito usado antigamente na Rússia e na Ucrânia".

(vídeo acima: grupo ucranianao)
-Búben: um antigo instrumento de percursão, da família do tambor ou tamborim.O 'búben' era parte obrigatória das bandas militares

Abaixo, a "dança do búben":

Podemos citar, ainda, o "domra"
 No vídeo abaixo, Nikolai Sivtchuk no "Bayan"(acordeon russo) e Olga Egorova, tocando "domra":

a zurna (original da Armênia):
  um show de "zurna"com Velibekov:
E o gusli, com V.Malyarov, no espetáculo "Concerto para Gusli e Orquestra", uma maravilha que vale a pena escutar :


As bandas eram apoiadas pelos príncipes não só para fins marciais mas, também, para festas de diferentes motivações.
Finalizo a postagem, deixando para vocês um pouco mais de gusli, que amo de paixão:


 Notas:
(1) conjunto de todas as escalas formadas por cinco notas ou tons.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

EGOR STRELNINKOV - GUSLI - RUS BYLINNAYA (2007)

Este é um álbum maravilhoso, que apresenta a autêntica poesia épica folclórica da antiga Rússia  - as tradicionais "bylinas"(já postado anteriormente a respeito) e, de quebra, ainda apresenta ao leitor de nosso blog o GUSLI , sob execução do artista popular russo  Yegor Strelnikov, tudo com altíssima qualidade, boa música , possibilitando o conhecimento das tradições russas um pouco mais de perto.As ,músicas aqui contidas nos cativam desde os primeiros acordes do gusli até o fim do áblum!
Espero que gostem!
 Antes, porém, cabe um parêntese, a fim de falar um pouco sobre o Gusli, uma espécie de harpa, o mais antigo instrumento de cordas da Rússia (ver foto abaixo).
Acredita-se que o gusli tenha surgido a partir da antiga lira.Existe menção a ele, na história musical russa, já por volta do ano 591 a.C, período da "Rus de Kiev".
Obs:Egor é ucraniano

 FAIXAS:
1. «Добрыня Никитич на пиру у князя Владимира» (7:04)
былина, музыка Е. Стрельникова
2. «Прелюдия» (2:59)
инструментальная пьеса, муз. Е. Стрельникова
3. «Илья Муромец и разбойники» (5:59)
былина, слова и музыка народные, аранжировка Е. Стрельникова
4. «Танец струн» (2:12)
инструментальная пьеса, музыка Е. Стрельникова
5. «Три богатыря на заставе» (4:41)
слова и музыка народные, аранжировка Е. Стрельникова
6. «Эхо» (2:11)
инструментальная пьеса, музыка Е. Стрельникова
7. «Земле русская…» (4:54)
слова народные, музыка Е. Стрельникова
8, 9. «Праздник» (7:09)
сюита, музыка Е. Стрельникова
10. «Ой ты, степь широкая…» (4:44)
слова и музыка народные, аранжировка Е. Стрельникова
11. «Колыбельная» (6:26)
слова К. Романова, музыка А. Байкалец
12, 13. «Град Китеж» (10:51)
музыка Е. Стрельникова
14. Валаам


fonte: http://rapidlinks.ru/


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