sexta-feira, 27 de agosto de 2010

UM POUCO DO FOLCLORE RUSSO


Uma das coisas que mais me atraem na cultura russa é o seu folclore. E vou mais longe um pouco: não só o folclore russo é rico e atraente, bem como o folclore dos povos eslavos de uma maneira geral. O folclore búlgaro é belíssimo, diversificado, tanto quanto o russo.
Vou deixar vocês, por ora, com um grupo de dança e canto folclórico - o Lenok, de Podolski.

fontes: www.mail.ru e www.youtube.com

MÚSICAS SOVIÉTICAS COM O CONJUNTO "PIESNI NACHEVO VIEKA"


Este post é dedicado à música soviética, linda demais para ficar no ostracismo. Algumas são românticas, outras bem marciais, mas todas lindas. Utilizo, para este fim, dos vídeos do "Grupo Piesni Nachevo Vieka", um conjunto formado por conhecidos intérpretes, cantando músicas do gênero bardo ou "avtorski" (literalmente - canção do autor, surgido na URSS no final do século XX, tendo seu auge nos anos 50 e 60: neste gênero, a ênfase é dada ao texto, assim como no "bardo").
O post constará de videos das músicas que são as minhas preferidas, ficando o CD para ser postado amanhã, por uma razão muito justa: a preguiça, um dos pecados capitais, do qual sou vítima.
Os integrantes do grupo, desde sua formação em 1999, são os seguintes cantores, sendo que alguns já não estão mais na sua formação atual:
  Viktor Berkovski:




















Participou do grupo até sua morte, em 2005, é um dos mais importantes compositores bardos da União Soviética, atividade esta que exercia ao lado de seu trabalho científico (era Phd e professor). Ele musicou muitos versos de Ostap Kudjava e sua lista de sucessos é grande. Cito aqui alguns:

  • Grnada
  • Na dlyokoi amazonke
  • Pesnya chagom, chagom
  • Vspominite, rebyata
  • Pod musiku Vivaldi
O vídeo a seguir é com a música "Na Dalyokoi Amazonke" (Na longínqua Amazonas), na qual ele faz uma brincadeira com o Brasil.

     Oleg Mityaiev




















    Além de cantor e compositor, Oleg é, também, ator.aAinda participa do grupo, tem 56 anos.No vídeo a seguir a canção é "Ostrov" (ilha).

      Aeksandr Mirzayan




















    Poeta e compositor, ainda participa do grupo.



    Ainda participam do projeto:

    • Valeri e Vadim Michuki
    • Aleksey Ivashchenko
    • Leonid Serguieiev
    • Konstantin Tarassov
    • Galina Khomtchik
    • Yelena Frolova
    • Lidya Tcheboksarova e outros

    A discografia deste projeto é extensa por isso preciso de um certo tempo para preparo da postagem que vai disponibilizar parte dela ao frequentador do nosso blog.
    Para finalizar, deixo vocês com uma coletânea de vídeos com minhas músicas favoritas (nos vídeos vocês poderão reconhecer alguns dos cantores dos quais acabei de postar fotos):

    • Vsyo kontchaetsya: esta música tem o poder de mexer comigo. Simplesmente adooooro!


    Atlanty:
    Na Dalyokoi Amazonke (esta versão  ficou bárbara!):

    Do Svidanya Dorogui:

    Milaya moya (outra que amo de paixão):

    Nadya, Nadienka:

    Nadezhlda:

    Eti glaza naprotiv

    Bielorusski Vokzal:

    Notchnaya dorog

    quinta-feira, 26 de agosto de 2010

    ESTUDE NA RÚSSIA - UNIVERSIDADE DE VORONEJ


    Já andei indicando outras universidades russas para o leitor deste blog. Hoje chegou a vez de Voronej, uma das melhores e mais importantes instituições da Rússia Central, que tem por objetivo preparar profissionais de alta qualidade, competitivos, prontos para o mercado de trabalho. Possui 9 faculdades e 60 especialidades, na área de Humanas, exatas,economia,gestão e tecnologia.

    E, importante para quem quer estudar russo na Rússia: a Universidade de Varonej mantém cursos do idioma para estrangeiros.
    Telefones e endereços para contatos:

    Direção:V.Y.Koprov
    Адрес: 394000, . Voronezh, Rua F.Engels, n.. 8а, kab.26
    Fone: (0732) 53–01–33
    fax: (0732) 53–01–33
    E-mail: rld@interedu.vsu.ru
    ou ainda:
    http://www.edurussian.com Study
    in Russia
    Deixo vocês com algumas fotos da cidade, bonita e de aparência super agradável. A população da cidade deve estar em torno de 900.000 habitantes. Ela é o centro administrativo de uma região homônima, sendo, também, um centro histórico.A primeira notícia que se tem de oronej ata de 1571, idade próxima à do Brasil.Uma das coisas que dá à esta cidade um aspecto prazeiroso é o fato de ser  cortada pelo famoso Rio Don..Além de tudo isto, Voronej é um memorial ambulante, já que foi o berço de ilustres figuras da cultura russa, a exemplo do escritor Ivan Bunin, do poeta Alexey Kol'tsov, do poeta S.Y.Marchak, entre outros.













     






























































    CONTOS DE PETERSBURGO: NIKOLAI GÓGOL

    Sob o título "Novelas de Petersburgo" se incluem cinco novelas de Gógol: Av. Nievski, O Retrato, Diário de um louco, O nariz e O capote.O que as une é um traço em comum - a capital artificial do império russo, tão celebrada por Puchkin e tão criticada por Gógol, que vê na cidade nada mais do que um lugar de sofrimento, privação e alienação. Para ele, Petersburgo é quase que uma maldição: a cidade que desafiou as forças da natureza e cuja construção soterrou centenas de vidas.

    Cada uma das novelas inseridas sob este título representa uma privação: em Avenida Nievski vê-se a privação do sonho; em Diário de Um Louco - a privação da proteção social; em O Nariz nota-se a privação do próprio corpo; O Retrato mostra a privação do talento e, finalizando, a privação do sentido da vida em O Capote. Tudo isto devido à cidade, que sufoca e priva seus habitantes do essencial para a vida.
    "Tudo respira impostura, ela mente o tempo todo, esta Avenida Nievski, sobretudo quando a noite sobre ela se abate em massa compacta e acusa o amarelado pálido das fachadas, quando toda a cidade se transforma em relâmpagos e trovão, quando milhares de carruagens rangem sobre as pontes, quando os cocheiros urram sobre seus cavalos a galope, quando o próprio demônio acende as lâmpadas, somente para fazer ver as coisas como elas são"
    (trecho de Avenida Nievski)
    A edição em português, saiu com o nome de "Contos de São Petersburgo". Em tradução direta do russo, por Nina e Filipe Guerra, a edição da Biblioteca Editores Independentes acrescentou às cinco novelas citadas, o conto "A Caleche".

    Todos estes contos estão impregnados de sátira e humor, marca registrada de Gogol. A crítica russa da época de Gógol reagiu indignada contra estes contos:
    "Como pessoas refinadas puderam encontrar interesse em narrativas caricatas dos aspectos mais sujos da vida de porteiros, lacaios, cocheiros, cozinheiros, comerciários, notívagos irresponsáveis e mulheres ridiculamente enfeitadas?"(S.Volkov - Petersburgo, uma história cultural)
    Mas houve, também, críticas muito favoráveis ao autor e seu tema. Uma delas, para mim a de maior peso, saiu de Fiodor Dostoievski, que declarou
    "Nós todos saímos de O capote".
    Já à anna Akhmátova não agradava em nada esta visão tão terrível de Gógol a respeito de sua amada Petersburgo: o palco da bacanal de entes diabólicos, hostis, cujo chão, sempre movediço (a cidade foi construída em um pântano), ameaçava engolir os prédios majestosos, as repartições públicas e sua multidão de funcionários medíocres. É isto que o leitor vai perceber em Novelas de São petersburgo. Vai notar, também, que sua temática a respeito da burocracia e do funcionalismo público é sempre atual e independe de posição geográfica.

    Finalizo com meu protesto contra as editoras brasileiras, por não lançarem o resto da obra de Gogol. Falta muita coisa sua ainda para editar no Brasil, o que é injusto para com o leitor daqui, que fica privado de conhecer muito conto e novela excelente.

    quarta-feira, 25 de agosto de 2010

    LIVRO RECOMENDADO: OS ESCOMBROS E O MITO(BORIS SCHNAIDERMAN)





















    A cultura russa é tão rica (e sua literatura, em especial), que quanto mais procuro conhece-la, mais percebo que ainda falta muito para apreender a seu respeito. o que justifica minha busca incessante por material, aí incluindo sites, livros e outros recursos disponíveis tanto em lojas daqui, da Rússia, como na internet.
    Nesta busca, encontrei o livro "Os Escombros e O Mito", do já muito citado neste blog Prof. Boris Schnaiderman. Nele, o prof. Schnaierman reflete sobre a cultura russa após

    "o turbilhão e a reviravolta que tornaram mundialmente famosas palavras como glasnost e pierestróika".

    Eis a questão central da obra:
    "como analisar a produção poética e crítica de uma literatura que, elevada à vanguarda das criações humanas universais desde o século XIX com as obras de Dostoievski e Tolstoi, Maiakóvski e Bakhtin, entre tantos outros, de repente vê o desmoronar da União Soviética e o fim de certa utopia revolucionária? Boris Schnaiderman enfrenta o desafio da nova cena histórica em suas várias implicações culturais. Para isso, reúne seu vasto conhecimento crítico e literário sobre a modernidade russa, com uma pesquisa das mais atualizadas sobre os rumos e tendências de hoje".
    E Schneiderman fala tudo e de tudo, com a autoridade de um soviético: ele é ucraniano, nascido no ano zero da Revolução, exatamente em 1917;veio para o Brasil aos oito anos de idade, tornando-se, mais tarde, professor de língua e cultura russa na USP e a maior autoridade do assunto por aqui.
    O autor "disseca", por assim dizer, todo o processo cultural da glasnost, dando aos ocidentais uma visão mais profunda dos bastidores deste processo:

    "É importante frisar que a glasnost iniciada em 1985 não surgiu de repente, nem baixou apenas da cabeça de Gorbatchóv. Se a Rússia passou, mesmo em períodos de realizações espetaculares, por um esmagamento brutal da cultura, houve formas subterrâneas de manifestação, e elas acabavam vindo à tona sempre que havia algum tipo de abrandamento".
    Sobre a imprensa, sempre alvo da censura e da falta de liberdade em regimes ditatoriais, ele escreve:

    "Uma das características da imprensa da glasnost foi o empenho com que ela se se lançou à tarefa de mostrar as mazelas da vida soviética.
    Realmente, impensável, para nós que já vivemos regime de excessão, pensar na imprensa soviética denunciando injustiças, contradizendo planos quinquenais, botando os podres do regime p'ra fora....E Schneiderman vai mostrando, neste livro, tudo isto e muito mais: o que o regime fez com grandes escritores e intelectuais, calando mesmo os que não eram envolvidos em nenhuma atividade política e as seqüelas neles deixadas por retaliações injustas, como tudo isto afetava a produção cultural do país. E estas seqüelas atingiram grandes nomes, como Ossip Mandelstam, Bulgakov, Ana Akhmátova, entre outros.

    Enfim, Boris Schnaiderman vai apontando todo o processo de asfixia cultural da União Soviética, ilustrando sua narrativa com fatos curiosos e interessantes, que prendem a atenção do leitor que fica, a cada página, mais e mais preso à leitura.

    Schneiderman aponta, ainda, para uma literatura rica e complexa no período pós 1917 , mesmo com todo o processo, acima citado, de asfixia cultural. A partir de 1985, o público soviético conviveu com uma ressurreição de autores colocados "fora de circulação" pelo regime. Exemplo disto foi Andrei Bieli, um dos meus autores favoritos, que se tornou famoso em seu país justamente a partir da glasnost. Dele posso citar o romance Petersburgo, Moscou (este, que eu saiba, nunca editado no Brasil, assim como "O pombo de prata"e "Sinfonias", também de sua autoria).

    Neste mesmo período, foi, também, lançado na Rússia, , o romance "Os Filhos da Rua Arbat", de Anatoli Ribakov, conhecido como "o livro da perestroika".

    A fim de não me estender demais neste post, finalizo com a afirmação de que o livro do prof. Schneiderman é, entre outras coisas, um roteiro de obras obrigatórias para leitura. Muitos dos autores e livros citados por ele eu desconhecia. Assim sendo, fica esta dica, e mais do que dica, esta recomendação de leitura de "Os escombros e o Mito". O amante da cultura russa e, em particular, da literatura russa, vai terminar a leitura da obra agradecido a Boris Schneiderman por compartilhar com o leitor seu vasto conhecimento e suas observações esclarecedoras.

    (Editado pela Cia. das Letras, 305 páginas)

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