domingo, 18 de julho de 2010
YOZHIK V TUMANE: UM DOS CLÁSSICOS DO DESENHO ANIMADO RUSSO
Fonte: www.youtube.com
Este, ao lado de "Vinni-Puh", é um dos maiores clássicos do desenho animado russo.Espero ir, aos poucos, postando estas pérolas para apresentar mais um aspecto da cultura russa ao público(ainda muito pequeno) deste blog.
Idioma: russo, com legendas em português e inglês
VERÃO RUSSO MAIS QUENTE DO QUE O NORMAL
A temperatura no nosso planeta está mesmo ficando maluca. Na Rússia, o verão de 2010 está parecendo o nosso: com direito a queimadas nas matas e tudo o mais. De acordo com o periódico "Federal Press", "só na semana de 17/07 foram apagados 12 incêndios florestais, todos eles rapidamente localizados e debelados". Isto devido a uma onda anormal de calor registrada este ano (no momento em que escrevo o termômetro digital deste blog registra 32º exatamente meia noite). Estes incêndios foram computados em apenas um ponto:Primorsky Krai, sem estar neste número incluído incêndios de outras regiões do país.Na região de Rostov estes incêndios aumentaram para uma área de 65 hectares.Cabe registrar que Rostov é uma região de florestas de pinheiros, agora, pinheiros incandescentes.
No mês de maio as regiões mais quentes foram as do rio Volga, o sul dos Urais e sudoeste da Sibéria!!!!
Foram registrados, também, incêndios na região de Krasnoyarki:
Finalmente, deixo aqui algumas temperaturas, com termômetro em tempo real, da Rússia:1 - Kemerovo (na Sibéria):
2 - Tula (ver post anterior)
3- Vladivostok (divisa da Rússia com a China):
VISITANDO TULA
fonte foto acima:http://cityduma.tula.ru/
Tula é um centro administrativo da Rússia, localizado aproximadamente 180 km a sul de Moscou. Sua população é de cerca de 481.216 habitantes, sendo uma das cidades mais antigas da Rússia, tendo sido citada pela primeira vez em crônicas do séc.XVI. No entanto, a data exata de sua fundação é ainda desconhecida e alguns historiadores acreditam que Tula seria Taidula, um local citado em crônicas do ano 1.146 d.C.
Na Idade Média esta cidade era uma fortaleza fronteiriça a Ryazan. Foi palco de importantes acontecimentos históricos russos: em 1552 resistiu a um cerco tártaro, em 1607 resistiu a nsurretos liderados por Ivan Bolotnikov, num cerco que durou 4 meses; no século 18 teve algumas partes das muralhas de seu Kremlin demolidas.
Esta cidade foi visitada, em 1712, pelo imperador Pedro, o Grande, que resolveu construir nela a primeira fábrica de armamentos da Rússia. Também lá foi criada a primeira fábrica a produzir o famoso 'samovar'em escala industrial, no sec.18; com isto, ela foi se tornando um centro daindústria pesada russa, principalmente de indústria de material bélico.
Durante a 2ª guerra mundial, Tula foi alvo de uma ofensiva alemã, em 1941. Ironia do destino, esta cidade ser especializada em material bélico: ela foi berço do maior pregador do pacifismo e não violência, o gênio da literatura universal Liev Tolstoi. Exatamente: a famosa propriedade do escritor "Yasnaya Polyana" fica localizada em Tula, sendo ela sua principal atração turística. Lá viveu e foi enterrado Liev NIkolaievitch. A exatos 14 km a sudoeste do centro da cidade.
Nem só de material bélico vive a terra de Tolstoi, que é também um centro de fabricação de instrumentos musicais, principalmente o acordeon, tanto para uso interno, quanto para exportação.
PARA VER MAIS FOTOS DE TULA:
- Fotogaleria: http://www.phototula.ru/
LITERATURA RUSSA CONTEMPORÂNEA: A VIDA DOS INSETOS (VICTOR PELEVIN)
Nem só de clássicos vive a literatura russa. Sua literatura contemporânea merece nossa atenção, com vários escritores pouco divulgados entre a gente. Posso citar Leonid Tsipkin, excelente, autor de Verão em Baden-Baden; Nikolai Leskov, autor de Lady Macbeth do Distrito Mtzensk; Aleksandr Kuprin, com o livro "O Bracelete de Granadas e Outros Contos" disponível em nossas livrarias; Andrei Platónov; Valentin Rasputin; Liudmila Ulitskaya, com alguns livros livros traduzidos para o português e Nina Gorlanova, entre outros; meu destaque vai para Victor Pelevin, o mais bem sucedido entre a atual safra de escritores da Rússia.
As opiniões sobre ele entre os russos são controversas. Seu principal público são os adolescentes; atribui-se a isto o fato de ele ter sido expulso da escola secundária por rebeldia. Eu, particularmente, acredito que tal controvérsia possa ocorrer devido ao fato de Pelevin desenvolver uma literatura mística (ele é budista), uma literatura do absurdo. Mas este estilo às vezes me reporta a Kafka e Gogol.
Faço aqui, no entanto, um parêntese: quando cito Gógol e Kafka, o faço apenas em relação à prosa do absurdo. A prosa de Pelevin, todavia, é bem diversa da prosa dos autores clássicos, sobretudo dos russos: bem mais simplista, com uso eventual de palavrões. Não existe mesmo termos de comparação. Sinceramente, prefiro um Tolstoi ou Dostoievski a ele. Creio, porém, importante conhecer esta safra de novos escritores para não ficar parado no tempo. A Rússia continuou a criar, depois que seus titãs se foram...
Voltando a Pelevin, sua prosa se situa entre o explícito e o implícito, deixando - maior parte das vezes, para o leitor dar seu significado ao texto. Tanto assim é que da introdução de uma de suas
novelas consta a seguinte nota
As opiniões sobre ele entre os russos são controversas. Seu principal público são os adolescentes; atribui-se a isto o fato de ele ter sido expulso da escola secundária por rebeldia. Eu, particularmente, acredito que tal controvérsia possa ocorrer devido ao fato de Pelevin desenvolver uma literatura mística (ele é budista), uma literatura do absurdo. Mas este estilo às vezes me reporta a Kafka e Gogol.
Faço aqui, no entanto, um parêntese: quando cito Gógol e Kafka, o faço apenas em relação à prosa do absurdo. A prosa de Pelevin, todavia, é bem diversa da prosa dos autores clássicos, sobretudo dos russos: bem mais simplista, com uso eventual de palavrões. Não existe mesmo termos de comparação. Sinceramente, prefiro um Tolstoi ou Dostoievski a ele. Creio, porém, importante conhecer esta safra de novos escritores para não ficar parado no tempo. A Rússia continuou a criar, depois que seus titãs se foram...
Voltando a Pelevin, sua prosa se situa entre o explícito e o implícito, deixando - maior parte das vezes, para o leitor dar seu significado ao texto. Tanto assim é que da introdução de uma de suas
novelas consta a seguinte nota
"Qualquer pensamento que surja no processo de leitura este livro está sujeito ao copyright. Proíbe-se o pensamento não autorizado".
Pelevin é um autor que curte fazer mistério a respeito de si mesmo, mais ou menos 'a la Castaneda : quase não dá entrevistas e, quando o faz, pouco fala sobre o que escreve. Existem raríssimas fotos dele na rede e quase todas as existentes o apresentam com um inseparável óculos escuro e calça de couro preta. Não sei se este é seu estilo real ou coisa de marketing.
Diferente também é no que tange a direitos autorais: liberou tudo o que escreveu antes do ano 2000 para uso não comercial na internet, tanto em formato e-book como em aúdio livros(versão russa).
Outra característica deste escritor é não falar muito sobre o período soviético, preferindo escrever sobre os problemas de seu tempo, surrealisticamente, beirando a esquisitez...
Em "A vida dos insetos",sátira política, obra formada por 15 capítulos imperceptivelmente interligados, o autor satiriza a vida da Rússia nos anos 90, após a perestroika.Seus personagens, os insetos e humanos, vivem nos arredores de um decadente hotel de veraneio às margens do mar negro, freqüentam cinemas, restaurantes, trabalham, há os que filosofam, falam outros idiomas, têm crises existenciais e alguns, como os índios de Castaneda, usam haxixe; enfim, são insetos que agem como humanos.
Existem, também, os personagens humanos, que se comportam como insetos. E, desta forma, os personagens vão se metamorfoseando entre humanos e insetos, numa leitura instigante.
Diferente também é no que tange a direitos autorais: liberou tudo o que escreveu antes do ano 2000 para uso não comercial na internet, tanto em formato e-book como em aúdio livros(versão russa).
Outra característica deste escritor é não falar muito sobre o período soviético, preferindo escrever sobre os problemas de seu tempo, surrealisticamente, beirando a esquisitez...
Em "A vida dos insetos",sátira política, obra formada por 15 capítulos imperceptivelmente interligados, o autor satiriza a vida da Rússia nos anos 90, após a perestroika.Seus personagens, os insetos e humanos, vivem nos arredores de um decadente hotel de veraneio às margens do mar negro, freqüentam cinemas, restaurantes, trabalham, há os que filosofam, falam outros idiomas, têm crises existenciais e alguns, como os índios de Castaneda, usam haxixe; enfim, são insetos que agem como humanos.
Existem, também, os personagens humanos, que se comportam como insetos. E, desta forma, os personagens vão se metamorfoseando entre humanos e insetos, numa leitura instigante.
"A vida dos insetos é um divertido convite à análise de uma sociedade através de como pensam, sentem e agem os insetos-humanos russos Mitia, NIkolai e Marina, bem como o norte-americano Sam Sacker".
Para ser bem sincera, este não foi o livro de Pelevin que gostei mais: prefiro "Geração P", realmente muito bom. Alguns contos de A vida dos insetos me pareceram plenos de influência americana, o que foge totalmente de tudo o que eu gosto e admiro. Deixei de reconhecer a Rússia nesta obra. Mas não" desindico". Gostaria, inclusive, de conhecer opiniões de outros leitores, o que poderia me ajudar na avaliação deste livro.
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