segunda-feira, 12 de abril de 2010

MÚSICA RUSSA DA BOA: YURI MOROZOV - COLETÂNEA (2006)




Faixas:

01 - Still got the blues
02 - Блюз пустой комнаты / bliuz pustoi komnati ( blues do quarto vazio)
03 - На том берегу / na tom beregu (naquela margem)
04 - Экзистенция / ekzistentzia (existência)
05 - Красотка лошадь / krasotka loshad' (cavalo bonito)
06 - Кретин / kretin (cretino)
07 - Обезьяна / obezyana (macaco)
08 - Там, где дали темны / tam, gde dali tiomni (lá, onde o horizonte é sombrio)
09 - Amen / amen
10 - Отходная / othodnaya (extrema-unção)
11 - Совок /sovok(pá)
12 - Лунофилия / lunofilya
13 - Смутные дни / smutnie dni (dia confuso)
14 - Звёзды горят напрасно / zviozdi goriat naprasno (as estrelas brilham em vão)
Para baixar, vamos redireciona-lo ao site http://mp3albom.com:
http://img411.imageshack.us/img411/1806/djmix0221315532137560.jpg
Юрий Морозов - Избранное (2006)
ou:
parte 1
parte 2


IVAN TURGUÊNIEV: MINIBIOGRAFIA E UM PASSEIO VIRTUAL PELA RÚSSIA DO AUTOR.

Ivan Turguêniev, primeiro dos grandes romancistas russos a adquirir prestígio na Europa, é também, o mais voltado para o mundo ocidental. Sua extensa obra, desvendando a alma do povo russo, manteve a sociedade européia informada sobre as turbulências sociais que ocorriam na Rússia de seu tempo.


Turguêniev foi o escritor que consolidou o romance na literatura russa e preparou o caminho para autores com mentalidade tão diversa da sua como Dostoiévski e Tolstói. Foi contemporâneo dos dois titãs: de Dostoievski, ele não gostava. De Tolstoi foi grande amigo, apesar de terem tido um desentendimento que durou 17 anos, em parte pelo mesmo motivo pelo qual não gostava de Dostoievski: o culto ao eslavismo. Conheceu Puchkin pessoalmente e chorou muito a sua morte.Um de seus maiores amigos, por toda a vida, foi o anarquista Bakunin.

Vejamos um pouco de sua vida:
Nasceu de uma abastada família na propriedade de Spasskoe-Putovinovo, distrito de Orel, localizada, aproximadamente, a 360 km de Moscou. Criado no campo, tinha conhecimento da vida russa tanto quanto os mujiques. Sua mãe era a típica matriarca (a milionária era ela), mulher extremamente rigorosa, traída pelo marido mais novo do que ela, descontando seu mau humor nos filhos e servos, que sofriam maus tratos da parte dela, sendo raros os dias em que Turguêniev não era surrado. Esta tirania ele suportou até a morte da mãe. Resta acrescentar que Varvara, a mãe do escritor, não era nenhuma mulher de comportamento moral irrepreensível: teve uma filha com seu médico particular, o Dr. Behrs, pai de Sófia, a esposa de Tolstoi.

Apesar de sua mãe ter tido uma cultura europeizada, seu pai exigia dos filhos um conhecimento perfeito da língua russa, o que o levou a escrever toda sua obra nesta língua, apesar de dominar fluentemente diversos outros idiomas.

Estudou na Universidade de São Petersburgo, a mais coneituada do império russo, enquanto sua família fixara residência em Moscou. Se formou precocemente. Aos 19 anos já editava sua primeira coletânea de poemas.Prosseguiu seus estudos em Berlim. Conheceu Hegel, que foi seu professor. Obteve licenciatura em Moscou.










Univ.S.Petersburgo, nos tempos do autor
Ivan nunca se casou, em parte devido à influência de sua mãe. Apesar disto teve uma filha com a costureira de Varvara, sua única herdeira.


Viajou muito, por quase toda a Europa; teve uma ligação com uma cantora de opera francesa e casada - Pauline Viardot-Garcia. Ele manteve esta ligação com Pauline e seu marido por toda a vida. A amizade com seu marido perdurou, apesar disto.


Assim como seus contemporâneos Tolstoi e Dostoievski, ele foi um jogador compulsivo. Tinha, também, como Tolstoi, paixão pela caça, esporte ao qual dedicou um livro ("Relatos de um Caçador") .

Pais e Filhos (1862)é considerada sua obra-prima. O romance narra a tragédia existencial de um homem inteligente e generoso — Bazárov, que não consegue levar uma vida niilista (ou seja, uma reação contra antigas concepções religiosas e idealistas) conforme propusera a si mesmo. Este personagem foi inspirado em um médico seu conhecido.

Da contracapa da edição russa do livro, extraímos o seguinte:

No ano de 1862 I.S. Turgueniev (1818-1883) escreveu o livro "Pais e Filhos". Neste tempo o escritor era muito conhecido e popular nos meios intelectuais progressistas. As queixas contra o autor eram no sentido de que seus romances e novelas sempre tinham heroinas, mas nunca heróis sérios. Daí, Turguêniev ter resolvido criar um personagem como Bazárov, que lutava com a geração passada, surgindo como um revolucionário niilista, um ser que se encanta consigo mesmo, portando a bandeira da rebeldia. Os antigos admiradores de Turguêniev o atacaram, considerando o livro de má influencia e responsável por uma série de atentados. Iniciou-se um verdadeiro escândalo na imprensa, do qual apenas Dostoievski se posicionou do lado de Turguêniev. Ofendido, encolerizado, excessivamente magoado, o autor para sempre abandonou a Rússia.


Agora, vem comigo, pelos caminhos de Turgueniev:



Em sua propriedade, o escritor andava sempre
acompanhado de armas.
















Agora, algumas imagens da cidade nos tempos do escritor:







Esta região fica no centro do país, área de uma riquesa histórica e cultural bastante tradicional: nela viveram escritores e poetas que deram glória à literatura russa: entre eles, Ivan Turguêniev. Ele vivia, mais especificamente, na propriedade retratada a seguir:



































Gabinete do escritor












Biblioteca de Turguêniev











Cassino particular do escritor

A propriedade de Turgueniev em Oriel hoje é o Museu do escritor naquela cidade, localizando-se no seguinte endereço:
Rua Turguêniev, n. 11 (улица Тургенев, д.11)
Cidade: Oriel

site oficial: http://www.turgenev.org.ru/index.html

A ele ainda são dedicados outros museus:

EM MOSCOU:











Rua Ostozhenka, n.37 -Улица Остоженка, Д.37
Moscou

domingo, 11 de abril de 2010

UM POUCO SOBRE NIKOLAI GOGOL



RESUMO BIOGRÁFICO:
by Milu Duarte

Nikolai Vasilievich Gogol nasceu em Velyki Sorotschynzi, Ucrania, em 1809 e morreu em Moscou, em 1852.
casa onde nasceu o escritor

Apesar de muitos de seus trabalhos terem sido influenciados pela sua herança ucraniana, ele escreveu em russo sendo por isso considerado parte da literatura russa.


Filho de pequenos proprietários de terra, o pai foi um oficial cossaco que lhe transmitiu o gosto pela literatura. De sua mãe recebeu toda uma herança religiosa, que se manifestou na forma de um misticismo doentio à beira de sua morte.

Gogol marcou o início da tradição realista na literatura russa.


Aos 19 anos mudou-se para Petersburgo, iniciando uma carreira burocrática sem êxito: seu sonho foi desde sempre se autor de peças teatrais.


Em São Petersburgo começa a trabalhar , em 1831, como professor universitário de História, tendo a chance de conhecer Pushkin, que viria a ser sua influência maior, tendo sugerido a Gogol, inclusive, temas para algumas de suas obras, a exemplo de O Inspetor Geral e Almas Mortas.

A experiência da vida burocrática, onde ele próprio não passou de medíocre funcionário, lhe inspirou uma magnífica novela, O Capote (1843), a qual já disponibilizamos neste espaço Multiply, em formato de E-book, cujo herói, Akaki Akakievitch, se tornou o arquétipo do pequeno funcionário russo.


O período em que trabalhou como professor de história foi fértil, tendo publicado inúmeras novelas.


Escreve então, sua brilhante novela de comédia, deliciosa ficção ironizando a forma na qual o Governo Czarista fiscalizava a cobrança de tributos - idéia básica da futura peça de teatro - O INSPETOR GERAL. A conseqüência desta crítica é que teve de sair, temporariamente, da Rússia. A peça só pode ser encenada graças às influências de Pushkin junto à família real. Foi um sucesso junto aos liberais, mas muito criticada pelos reacionários, como acontece sempre em qualquer país em tais situações.


Gogol fica muito irritado por sentir que não compreenderam o principal de sua obra: ele nao quis, simplesmente, atacar o poder temporal vigente,mas denunciar os vícios e abusos intrínsecos à alma humana. Ficou num tal estado emocional que resolveu largar tudo. Iniciou (1836) uma longa viagem pela Europa e residiu em diversas cidades, particularmente em Roma. Em Roma, concluiu a redação do primeiro volume do romance Mertve duchi(Almas Mortas (1842), sua principal obra, e no mesmo ano publicou o conto"Shinel"(O Capote).


Voltou a Moscou, mas logo retornou para Roma, onde continuou o romance Mertve duchi.

Em seus últimos anos da vida envolveu-se em profunda crise espiritual, em que faz radical defesa da religião ortodoxa. Empreendeu uma peregrinação a Jerusalém e, por influência de um religioso fanático, queimou parte de sua obra, que depois reescreveria. Voltou definitivamente para a Moscou, Rússia (1848), mas rejeitado tanto por liberais como por conservadores, morreu em Moscou, envolvido em misticismo e em profunda crise emocional. Morre Gogol, fatigado pelos jejuns. Obtêm, após a morte, cerimônias e reconhecimento únicos: seu corpo embalsamado segue insepulto por quase três dias carregado pelos estudantes a oferecerem homenagens ao grande escritor em diferentes locais - todos os que leram Gogol queriam ver de perto a despedida do grande autor. Está enterrado no cemitério de Novodevitchi, em Moscou.



CEMITÉRIO DE NOVODEVTCHI
Turguiêniev, outro monstro da literatura russa e mundial, escreveu a respeito de Gógol:

"Para nós ele foi mais do que um escritor: ele nos ajudou a descobrir quem somos"

E Dostoievski, para mim o maior escritor de todos os tempos,junto com Tolstoi, afirmou que "todos os escritores russos, contemporâneos de Gogol, eram "filhos de O Capote".


Além da biografia:só especulações...


Marcell Proust teria sido um homossexual. E Andrè Gide também( ao que parece, assumido). Existem evidências, que não vêm ao caso agora relatar, já que o assunto aqui é a literatura russa.Assim, também, o foram - assumidamente, Jean Genet e Paul Verlaine. Sem provas conclusivas, temos a homossexualidade de Leonardo da Vinci. Thomas Mann deixou em seu diário sua opção sexual gay e Oscar Wilde chegou a ser preso por isto.
Marguerite Yourcenar teve um romance de 4 décadas com Grace Frick.
Outro a engrossar a lista de franceses, Jean Cocteau, manteve uma relação duradoura com o dramaturgo Raymond Radiguet.
Outra figura da longa lista de gays famosos é o norte-americano Truman Capote. Toda esta lista, que não está completa, uma vez que nossa intenção não é a de denunciar os homossexuais na história da literatura, é apenas para falar que Nikolai Gogol também, talvez, tenha integrado a de gênios homossexuais: seus biógrafos dizem que morreu virgem e que era impotente. Nada comprovado, apenas especulações. Mas, ainda que seja verdade, não prova também seu homossexualismo. E ainda que o tenha sido, como o foram os outros citados, todos gênios da literatura universal, em nada vai denegrir sua imagem de um dos maiores escritores de todos os tempos. Finalizando, alguns dizem que seu homossexualismo é tão real como seu cabelo engordurado, às custas de brilhantina importada de Paris....Mas fiz aqui tal adendo a fim de não me acusarem de omitir um detalhe tão sem importância destes por ser uma apaixonada tendenciosa pela Rússia. Registro feito, resumo biográfico encerrado. Quem quiser saber mais sobre ele e outros escritores russos, recomendo um livro excelente: "Dostoievski,Gogol, Gorki, Pushkin, Tchekhov, Tolstoi, Turgueniev: aspectos de suas vidas e obras', escrito por Jayme Mason.

UMA SOPA ESPECIAL: A SOLYANKA

Solyanka é uma sopa espessa, picante, feita a base de carnes ou peixes, com repolho e smetana (creme de leite azedo russo, semelhante ao americano sour cream), levando, ainda, caldo de carne e pepinos salgados em picles, além de cogumelos, azeitonas, alcaparras, tomates, limão, entre outros temperos. É extremamente saborosa e rica. A receita deste post é da solyanka de carne, ou seja, de um variado sortimento de carnes.

Ingredientes:

- 400 gr. de carne  bovina para o caldo.
- 100 gr. de pernil.
- 2 unidades de salsichas
- 100 gr de salaminho
- 100 gramas de presunto
- 100 gr. de lombo defumado
- 100 gr. de lingüiça defumada

- 2 cebolas
- 1 cenoura grande
- 4 pepinos salgados (tipo conserva)
-4 colheres de sopa de creme de tomate (pode ser massa de tomate)
- 3 colheres de sopa de alcaparras 
- pimenta a gosto
-2 folhas de louro
- caldo de 1 limão
- 3 ou 4 tomates
- salsinha e cebolinha
- azeite a gosto
- smetana (creme de leite azedo, similar ao americano sour cream,)

obs: quanto maior a diversidade de produtos de salsicharia, mais saborosa fica a solyanka.

 MODO DE PREPARO:

Antes de mais nada, é preciso cozinhar o caldo. Para isto, leva-se as 400 gr de carne bovina para cozinhar  por cêrca de uma hora e meia. Tão logo a água levante fervura, deixe tudo em fogo brando. Se a água for formando uma espécie de espuma que sai da carne, tire tudo com uma escumadeira ou um coador e se esta espuma ficar no fundo da panela, acrescente um pouco de água fria, a fim de que a espuma suba e você a retire normalmente. Meia hora antes do término do cozimento, acrescente os temperos. Aqui,você tem que ficar atento: é preciso salgar o caldo aos poucos e com cuidado, já que há sal nos defumados e no picles. Assim sendo, a sopa ira absorver este sal.


Não invente grande quantidade de temperos. O essencial é a pimenta, o louro, a páprica.


Enquanto o caldo é preparado, refogue a cebola, cortada em pedaços miúdos, numa frigideira, até que ela fique dourada. Também doure a cenoura, ralada na parte mais grossa do ralador. Misture a cenoura e a cebola.
Corte os pepinos em pequenos cubos e junte-os à cenoura e cebola. Refogue por mais 2 ou 3 minutos.
Acrescente a pasta de tomate. Caso use o extrato de tomate, que é mais espesso, junte um pouco d'água e deixe no fogo brando por mais ou menos 5 a 10 minutos.
Também corte em cubo os derivados de carne e os refogue ou na manteiga ou em óleo vegetal.
No caldo já filtrado ou coado, acrescente as carnes de salsicharia e pouco depois, as carnes de boi e de porco.
Deixe em ebulição, panela tampada, por aproximadamente 10 minutos.
Junte os demais ingredientes (cebola, a cenoura. a pasta de tomate
e as alcaparras. Regue com azeite e prove o sal. Caso necessário, acrescente um pouco de salmoura.
Coloque os demais temperos
Ao servir, coloque em cada prato azeitona inteira ou picada e uma fatia de limão. Sirva com bolas de smetana ao centro do prato.
A solyanka está pronta. Espero que apreciem muito este prato que deve ser servido quente e é muito bom para tempo frio.

sábado, 10 de abril de 2010

MINI BIOGRAFIA DE TOLSTOI E UM POUCO DE YASNAYA POLIANA


Conhecer Yasnaya Polyana - ainda que só virtualmente - é, senão essencial, muito importante para os leitores de Tolstoi, uma vez que quase toda sua obra fala na propriedade ou por ela foi influenciada.

Liev Nikolayevitch Tolstoi nasceu, a 28 de agosto (calendário juliano) e 9 de setembro (gregoriano), no seio da nobreza : sua mãe, a princesa Mária Volkonskaya, era de uma das mais nobres e antigas famílias russas e seu pai, o Conde Piotr Andreievitch Tolstoi.

Ele nasceu em Tula, (a sul de Moscou, distante mais ou menos 14 km da famosa região conhecida por Anel de Ouro), na propriedade da família, denominada Yasnaya Polyana (traduzida como campina clara). Perdeu os pais muito cedo (a mãe quando ele ainda não completara dois anos), tendo sido, ao lado dos irmãos, criado por uma tia. Sobre ela, ele escreveu em sua "Confissão":Minha boa tia, criatura puríssima, com quem eu vivia,sempre me dizia que tudo o que ela mais desejava para mim era que eu me relacionasse com uma mulher casada: rien forme un jeune homme comme une liaison avec une femme comme il faut".
Teve três irmãos mais velhos (Nikolai, Serguey e Dmitri) e uma irmã mais nova(Mária).
Ingressou na Universidade de kazan, mas não concluiu o curso. Apesar disto, sua educação foi perfeita e ele falava várias línguas com fluência e sua cultura era um referencial a tantos quanto com ele conviviam.

Retorna de Kazan à Yasnaya Polyana, com o objetivo de administrar de perto a propriedade que lhe coube de herança. Lá, convivendo com seus servos, passou a ter grande interesse em sua vida, criando métodos para melhorar-lhes a situação.

Mais tarde, volta para Moscou e em 1851 se alista no exército e toma parte de duas guerras, a do Cáucaso e da Criméia, período de uma experiência profunda, que lhe serviu de inspiração para a novela "Os Cossacos"e "Prisioneiros do Cáucaso", além de parte de sua trilogia autobiográfica ter sido publicada nesta época ("Infância, Adolescência e Juventude" e "Contos de Sebastopol"

A partir de 1856, terminado o serviço militar, ele - interessado na educação das crianças camponesas, viajou para o exterior, a fim de saber como o tema era tratado em outros países. Voltando do exterior, se instalou no campo e passou a se dedicar a escolas campestres e a escrever artigos sobre o assunto, criando métodos educacionais.

Sua passagem por Paris lhe fez rever vários conceitos que tinha na vida, pela experiência de assistir à execução de uma pena de morte. Escreveu em sua Confissão:
"Quando verifiquei como a cabeça se separava do corpo e como, separadamente, ambas as partes bateram dentro de uma caixa, compreendi– não com a mente, mas com todo o ser, que nenhuma teoria racional da existência e do progresso poderia justificar tal ato; mesmo se todas as pessoas do mundo, desde a sua criação, por qualquer que fosse a teoria, julgassem ser isto necessário - eu sei que é completamente desnecessário, é perverso. Conseqüentemente, o árbitro daquilo que é necessário e bom, não é o que falam e fazem as pessoas, nem o progresso, mas eu mesmo, com meu coração."

Em 1862 casou com Sófia Berhs, uma jovem de 18 anos de idade e teve muitos filhos, alguns dos quais não sobreviveram à doenças que assolavam a Rússia naquela época.

Neste período escreveu sua obra prima Guerra e Paz. Podia-se dizer que ele era feliz, tinha tudo, da felicidade doméstica ao sucesso e reconhecimento como escritor. Estava no auge, quando foi presa de uma crise existencial profunda. E foi esta crise que, para muitos não passou de uma demência senil, que legou ao mundo o Tolstoi, grande filósofo e pensador. Claro que na maioria de sua obra já haviam traços de seu pensamento filosófico e religiosoa, mas durante sua crise, que quase o levou ao suicídio, Tolstoi, repelindo a Igreja Ortodoxa e sendo por ela excomungado, passou a procurar uma saída para aquela sua situação de desespero. Escreve na sua Confissão:
"Minha vida me enjoava e eu me sentia atraído por uma força superior irresistível, para de alguma forma me livrar dela. Não se pode dizer que eu quis me matar. A força que me atraia para fora da vida era mais forte, mais absoluta, do que um desejo comum. Era uma força semelhante a minha antiga aspiração à vida, apenas em sentido inverso. Com todas as minhas forças eu aspirava me livrar da vida."

Venho citanto muito seu livro Confissão, por ele ter me impressionado bastante, por toda a crueza com que expõe sua vida e vícios, por toda sua sinceridade, por todo o seu sofrimento e como conseguiu encontrar um caminho próprio, a sua verdade. Para muitos, a partir daí ele trai seu talento, com o que eu discordo: ele publicou Anna Karenina um ano antes de publicar as Confissões, portanto, já em meio a toda a sua crise.Acredito que não dá para separar o pensador do grande autor. Ele foi fenomenal em qualquer gênero que tenha escrito, inclusive nos seus ensaios filosóficos. E, em seu período final de vida, tentou viver de acordo com seus princípios, renunciando a maior parte de seus bens, a fim de viver a vida simples que ele prezava. Largou a família e partiu, rumo "à última estação", a de Astapovo, onde morreu em 1910.
Termino o post com uma frase de Tchekhov, que muito me emociona:

" ...Com Tolstoi na literatura, torna-se fácil e agradável ser literato e não é tão terrível perceber que não fiz nada, nem vou fazer, porque Tolstoi já fez por todos".
(M.D. -Aksinia)

Agora, um pouco de Yasnaya Polyana:














































TOLSTOI E MESHNIKOV, EM YASNAYA POLYANA























YASNAYA POLYANA DE TOLTOI FOI, EM PARTE,
DESTRUIDA PELOS ALEMÃES EM 1941
















túmulo de Tolstoi




CRÉDITO: YOUTUBE - KIVfoto


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Юбилей Льва Толстого
CRÉDITO - newstube.ru

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