sábado, 3 de abril de 2010

MARINA TSVETAEVA: UMA TENTATIVA DE CIÚME

Marina Tsvetaeva em Paris (33 anos 1925)
Marina Tsvetaeva é uma das mais importantes poetisas russas: não só por ter tido a coragem de se opor em versos ao regime soviético, mas pela força de seus poemas, quer falem de política ou de amor. Seus versos se alternam da severidade à suavidade, numa espécie de magia difícil de ser encontrada em qualquer poeta. É premente que se publique seus versos, tornando-os disponíveis no Brasil, já que aqui ela ainda não é assim tão conhecida.

UMA TENTATIVA DE CIÚME
Como é tua vida com outra mulher?
Mais simples, não? Uma simples remada!
Na linha do horizonte
a minha memória recuou,

uma ilha flutuante
(no céu, não nas águas).
Almas, oh almas! Vós sereis irmãs,
não amantes!

Como é a tua vida com uma mulher vulgar? Sem o divino?
Agora que destronaste a tua rainha
e tu próprio renunciaste ao trono,

como é a tua vida? Que fazes?
Hesitas?Como te levantas?
Como consegues, pobre homem,
pagar o preço da trivialidade imortal?

"Chega de convulsões e palpitações!
Vou alugar uma casa!"
Como vai a tua vida com uma mulher normal,
tu, que foste escolhido para mim!

A comida é mais adequada
e estável? Não te queixes se te fartares...
Como é a tua vida com a tua imagem -
tu, que pisaste o monte Sinai?

Como é a tua vida com uma estranha,
uma mulher deste mundo? Diz-me - agradável?
A vergonha, como as rédeas de Zeus,
não te fustiga a testa?

Como é a tua vida? A tua saúde?
Passável?Como cantas?
Como enfrentas a consciência imortal
que te assalta, pobre homem?

Como é a tua vida com um produto
do mercado? O preço é caro, não?
Depois do mármore de Carrara,
como é a tua vida com um bocado

de gesso estilhaçado?(Deus talhou-a de um bloco e estilhaçou-o?)
Como é a tua vida com uma qualquer,
tu, que conheceste Lilith?*

O teu apetite satisfez-se?Agora que a magia
perdeu o seu poder sobre ti,
como é a tua vida
com uma mulher deste mundo?


sem um sexto sentido? És feliz?
Não? Num poço sem fundo -
como é a tua vida, meu amor?
Pior do que a minha com outro homem?
*na literatura rabínica, a primeira mulher de Adão.
(extraído do livro Poetas Russos, com tradução de Manoel de Seabra)

POEMAS DE ANNA AKHMATOVA


Nascida Anna Andreevna Gorenko, uma das maiores poetisas russas e´, na realidade, ucraniana, natural de Odessa.
Nasceu em junho de 1889 (existe uma dúvida quanto à data exata: 11 ou 23), quando seu país ainda fazia parte do Império Russo. Faleceu a 5 de março de 1966, em Domodedovo, arredores de Moscou.
Akhmatova não foi apenas uma poetisa: foi escritora, especialista em literatura, crítica literária, tradutora. Numa época em que a mulher ainda não havia dado seu grito de independência, Anna já tinha uma carreira repleta de atividades.

Além de sua criação artística, Akhmatova ficou, também, conhecida, por seu destino trágico. Apesar de ela própria nunca ter estado presa ou ter sido exilada, a repressão atingiu duramente três pessoas muito importantes em sua vida: seu ex-marido e pai de seu filho, com quem foi casada de 1910 a 1918, o poeta Nikolai Stepanovitch Sumilyov, foi fuzilado em 1921.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d0/Ngumil.jpg
Nikolai Sumilyov, primeiro marido de Anna

Também o escritor e estudioso de arte Nikolai Nikolaevitch Punin, com quem teve uma união de 15 anos e uma filha, Irina, foi atingido: ele foi preso por três vezes e morreu num acampamento de prisioneiros em 1953. Finalmente, o filho de Anna do primeiro casamento, Lev Nikolaevitch Sumilyov, historiador soviético, esteve preso por mais de 10 anos, entre as décadas de 30 e 50.

A experiência de mulher e mãe de "inimigos do povo" foi refletida em uma de suas mais famosas criações: "Requiem".

http://www.akhmatova.org/foto/ahm/036.jpg

Anna e Punin


http://www.lomonosov.org/kartina3/Roerich/2b.jpg
Liev Nikolaevitch Sumilyov, filho de Akhmatova
Reconhecida pelos clássicos da poesia nativa, ainda, nos anos 20, Akhmatova se submeteu ao silêncio, à censura e à perseguição (tendo sido alvo de uma Resolução pessoal do Comitê Central do PCURSS, em 1946, não revogada durante sua vida), muitas de suas produções não foram publicadas não somente durante a vida da autora, como também no período de mais de duas décadas após sua morte.
(traduzido por Milu Duarte da Wikipédia.ru

O CANTO DO ÚLTIMO ENCONTRO

Sentia-me sem forças, gelada,
mas os meus passos eram leves.
Na mão direita tinha a luva
da mão esquerda, ao partir.

Eram realmente tantos degraus?
Eu sabia que eram só três!
O outono abraçava os plátanos
e murmurava:"Morre comigo!"

É o meu destino
que me enganasse e me traísse.
Eu respondi: "Oh, meu amor!
Eu também...Contigo morrerei..."

Este é o canto do último encontro.
Olhei para a casa escura,
Só no meu quarto, amarelo e indiferente,
ardia o fogo das velas.

______________________________________

Vinte e um. Segunda- feira. É noite!
No escuro uns contornos de cidade.
Algum vagabundo escreveu
que na terra pode haver amor.

E por tédio ou preguiça,
todos acreditaram e assim vivem:
esperam encontros, temem adeus
e cantam canções de amor.

Mas a outros revela-se o enigma,
e o silêncio repousará sobre eles...
Descobri isto por acaso
e desde esse momento sinto-me mal.

_____________________________________

Ouvi uma voz. Falava confiante,
Murmurando: "Vem,
deixa a Rússia para sempre.
Eu limpo o sangue das tuas mãos,
do coração arranco o negro pejo,
com outro nome cubro
a injúria e a dor da derrota."
Tapei os ouvidos com as mãos,
para que essas palavras indignas
não profanassem o meu espírito aflito.

(poesias traduzidas por Manuel de Seabra, livro Poetas Russos)

ANNA EM VIDEO:

Raspútin: Santo ou Demônio?

Quem realmente foi Raspútin? Dada a influência que exerceu junto à últma dinastia russa, principalmente em virtude das "crendices" da Tzarina, ele foi abominado por uns e endeusado por outros. Existem lendas mil a seu respeito. Estando em sua casa, em São Petersburgo, uma amiga chegou a passar mal, segundo ela, devido às energias do local (ou, muito provavelmente, ao seu 'medo'!). Quem seria este homem que suscitou, por tanto tempo, tantas lendas e histórias contraditórias? Sua biografia 'oficial', acredito eu, todos já conhecem e caso alguém desconheça, acesse a wikipédia que vai ficar sabendo de tudo que já foi dito sobre ele.

Inicialmente, cabe salientar que, possivelmente, um tanto do que se diz de ruim sobre ele possa ter origem em seu nome, Grigóri Yefímovitch Raspútin, já que em russo existem as palavras "rasputnik"(devasso, libertino), "raspútniy" (devasso, depravado) e outras derivadas com o mesmo sentido.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

DE MIKHÁIL CHÓLOKHOV: O DESTINO DE UM HOMEM, DAS PÁGINAS DO LIVRO ÀS TELAS DO CINEMA




O romance "O Destino de um Homem" foi escrito pelo russo Mikhail Cholokhov, autor que reporto como um dos maiores da literatura russa e universal, indo contra tudo o que falam sobre a literatura soviética, como algo totalmente voltado a fazer propaganda do regime. Cholokhov tem um estilo requintado, comparado ao de seus melhores compatriotas do séc. XIX, sobretudo Tolstoi.

 Novela breve, mas de uma beleza emocionante, narra as recordações dolorosas da Segunda Guerra Mundial, que dizimou uma enormidade de russos, o que - infelizmente, nunca, ou quase nunca, é lembrado (normalmente, quando se fala deste nefasto período, é apenas para lembrar o número exorbitante de judeus mortos, nunca se lembrando que a URSS perdeu um número muito mais elevado de cidadãos).O livro foi escrito depois de 1940 e as lembranças dos horrores e tragédias que os nazistas provocaram na Rússia saem da memória de um cossaco que participou da guerra - Solokov, personagem que passou a integrar a galeria dos tipos inesquecíveis da literatura universal, assim como Rasskolnikov, de Dostoievski, o Príncipe Volkonski, de Tolstoi, entre outros. Com este livro Chólokhov confirma o valor de um povo e de uma cultura, apesar de ser um romance curto, nada fica a dever à sua obra maior - O Don Silencioso.

 Aconselho sua leitura, leitura esta que evidencia o valor de um grande povo e de uma grande cultura.
A edição portuguesa do livro, uma vez que nosso país, ao que parece, prefere editar coisas piores mas mais lucrativas, tem tradução direta do russo, com prefácio de Otto Maria Carpeaux, um espetáculo!
 Gostando do livro, você pode, também, assistir ao filme, do grande diretor Serguei Bondarchuk, que também atua no papel principal. Apesar de ter sido rodado em 1959, em branco e preto, isto não tira a sua excelência.Tanto quanto o livro, o filme é de uma sensibilidade incrível e de uma qualidade altíssima.




Você pode adquiri-lo nas Americanas.com, Submarino ou no mercado livre.Na internet só encontrei para baixar o filme em russo. Como nada entendo destas coisas, não sei se é possível encontrar a legenda. De qualquer forma, aí vai o link para os interessados:
http://www.uakino.com/main/biography/6090-sudba-cheloveka-1959-dvdrip.html

Agora, um pouco sobre o autor.


Mikhail Aleksándroivtch Chólokhov nasceu em maio de 1905. E um escritor russo -soviético,  laureado com o Nobel da Literatura em 1965 — «pela força artística e perfeição da epopéia cossaca no na região do Don em um período crítico atravessado pela Rússia».
Ele nasceu na "stanitsa"(1) de Vechenskaya, ao norte de Rostov , na região habitada pelos cossacos do Don.
cossacos do Don

Filho de família humilde de camponeses (o pai semeava em terras arrendadas a cossacos, trabalhou de balconista e operador de moinho e sua mãe era filha de servos). Durante a primeira guerra mundial, no período coincidente com a guerra civil (período tão bem retratado em O Don Silencioso), Cholokhov estudava em Moscou, cursando as 4 séries do ginásio. De 1920 a 1922, viveu com a família na stanitsa de Karguinskaya, também no Don.
casa de Chólokhov, em Karguinskaya.
Trabalhou como secretário, professor, participou de recenseamento. Em 1922 retornou a Moscou, com o objetivo de continuar sua educação e experimentar sua força no trabalho de escritor. No entanto, ingressar na "rabfak" (abreviatura de 'rabotchi facultet" ou 'faculdade proletária") não foi possível pela falta do indispensável para o ingresso no "trudovi stage" (estágio de trabalho) e o encaminhamento ao Komsomol. Para subsistir, trabalhou como carregador, serviços gerais,pedreiro. Autodidata, integrou o grupo literário "Jovem Guarda". Em 1923, o jornal "A verdade Juvenil" publicou seus primeiros artigos, mas em 1924 saiu neste mesmo jornal  seu primeiro conto "O Sinal", retornando em dezembro do mesmo ano  a Karguinskaya e mais tarde para a stanitsa de Bukanoskaya, onde em 11/11/1924 se casa com M.P. Gromoslavskaya, filha do antigo 'ataman'(2) de sua stanitsa. Retornando a Karguinskaya, nasce sua filha  mais velha - Svetlana  (1926), mais tarde os filhos Aleksandr (1930, em  Rostov-na-Don), Mikháil (1935, em Moscou) e a caçulinha Mária (1938, em Vechenskaya).
Chólokhov começou a ser notícia a partir da edição de seu romance O Don Silencioso, editado em 1928, a grande epopéia cossaca durante a primeira guerra e a guerra civil russa.
A princípio, na Rússia , este romance foi decantado e louvado e tido como a primeira grande obra  da literatura soviética. Mas, logo após o autor ter sido agraciado com o Prêmio Nobel, mais ou menos por volta dos anos 60, surgem reações adversas e tem-se início uma série de duras críticas, inclusive por Soljenitsin, que expressou fortes dúvidas quanto à identidade do autor do romance, justificando ser o autor demasiadamente jovem para ter presenciado os acontecimentos relatados. Alegava, também, que Chólokhov não possuia grau de instrução suficiente para produzir obra de tamanho quilate. Ele afirmava, ainda, que o verdadeiro autor era um tal de Fyodor Kriukov, escritor cosaco e anti-bolchevique, falecido em 1920. Apesar de ter durado muitos anos, a controvérsia foi, obviamente, resolvida, quando Lev Koldni encontrou os manuscritos da obra em referência, bem como outros documentos de trabalho de Chólokhov, formalmente autenticados ..
Outros livros do autor:

- Contos do Don (1925)
- A estepe de Lazorevi (1926)
- Terras desbravadas (2 volumes) (1932-1960)
- Morreram pela pátria (1942)
- A ciência do ódio (1942)
- Glória à pátra (1951)

O autor morreu em sua propriedade em Viochenskaya, em 1984.

VIDEOS DO AUTOR:
- No dia do escritor:


Morte e funerais:



quinta-feira, 1 de abril de 2010

PINTURA RUSSA: TRETYAKOVSKAYA GALERIA

A Tretyakovskaya Galeria é um local que reúne importante acervo da arte russa de todos os tempos. Aqui apresentamos apenas uma pequena amostra do que existe por lá.
Resta acrescentar que não entendo nada de arte, apenas aprecio demais, mesmo sendo totalmente leiga no assunto.




No link a seguir, basta clicar e fazer um interessante passeio virtual pela galeria, escolhendo o piso e as salas que você deseja visitar. Bom passeio para você...
EXPOSIÇÃO VIRTUAL
http://www.virtualmuseum.ru
/exhibition/vrubel/ru/exhibition/index_en.html




A "Tretyakovskaya Galereia" é uma galeria estatal de arte, entre as muitas existentes na Rússia. Situa-se em Moscou, exatamente no local onde residiu o colecionador e mecena do século XIX Pavel Mikhailovitch Tretyakov, que lhe deu o nome, tendo sido o seu fundador, em 1856.
Possui um um dos maiores e mais conhecidos acervos do mundo, com coleções de artistas russos.
Para quem vai visitar Moscou, o endereço da Tretyakovskaya é Travessa Lavrushinsky, n. 10. A visita, realmente, é obrigatória para quem aprecia arte.

http://www.150tretyakovgallery.ru/


No post de hoje, apresentamos uma pequena mostra da exposição "A Magia da Aquarela", com pinturas do séc.XVIII ao início do sec.XX e obras de Aivazowski e de Perov.




A seguir: um video de obras de Alexandr Labas, na Tretyakovskaya Galereia.




Clique nas imagens para ver os quadros em tamanho ampliado.


1- EXPOSIÇÃO DE AIVAZOWSKI

Ivan Aivazowski nasceu em 1817 e faleceu em 1900.

Stormy Sea. 1868

Mar tempestuoso 1868
Радуга. 1873 г.

Arco Íris. 1873.
View of the Cost Near St. Petersburg. 1835

Vista da costa proximo a S.Petersburgo 1835
Вид Леандровой башни в Константинополе. 1848 г.

Torre de Leandrov em Constantinopla 1848
Черное море 1881 г.

Mar Negro 1881
Морской берег. 1840 г.

Orla marítima. 1840


2- Vassilii Grigorievitch Perov

Perov nasceu em 1834 e faleceu em 1882

Сцена на могиле. 1859 г.

Cena do enterro 1859


O Chá 1862


Vendor of Song Books. 1863-64

Vendor of Song Books. 1863-64


Merrymaking in Paris. Sketch. 1863-64


Organ-Grinder. 1863

Organ-Grinder. 1863


Procissão de Pásco 1861


Teacher of Drawing. 1867

Teacher of Drawing. 1867


"Troika". Estudantes artesãos transportam água 1866 г.


Дворник и барыни. 1865 г.

Дворник и барыни. 1865 г.


A afogada 1867


Спящие дети. 1870 г.

Criança dormindo. 1870 г.


O Criador de Pombos 1874


Old Parents Visiting the Grave of Their Son. 1874

Old Parents Visiting the Grave of Their Son. 1874




Amateur. 1862

Amateur. 1862

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