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domingo, 12 de dezembro de 2010

DOWNLOAD FILME LEV TOLSTOI(1984)(LEGENDADO EM INGLÊS)


Gênero: drama
Um filme da URSS e Tchecoslováquia.
Diretor: Serguei Guerasimov
Elenco: Serguei Gerasimov












Acima, como Tolstoi.Abaixo, sem a caracterização:



















Nascido em 1906 e falecido em 1985. Entre os vários filmes em que dirigiu, encontra-se um de meus favoritos: "O Don Silencioso", da obra de Cholokhov, já postado neste blog.

Tamara Makarova













Viveu de 1907 a 1997. Viveu o papel de Sofia, a esposa do escritor.
E ainda: Navratil Borjivoi Aleksei Petrenko,Marina Ustimenko,Ekaterina Vasilieva, Cristian Yanakiev, Viktor Proskurin, Nikolai Eremenko, Aleksei Shmarinov

Sinpse:
Neste filme biográfico, o espectador se encontra com o grande ícone da literatura russa em seus últimos anos de vida, mais precisamente entre 1908 e 1910; entretanto, as lembranças de Tolstoi nos levam de volta aos acontecimentos de sua juventude, aquele momento terrível e decisivo de sua vida, de acordo com seu ponto de vista. E o filme termina com sua partida trágica de Yasnaia Poliana rumo à morte ou, quem sabe, rumo à sua incontestável imortalidade.

Com certeza este filme, apesar de mais antigo, é infinitamente superior ao americano "A última estação", principalmente devido ao fatos de ser russo e, por isso, expressar melhor os hábitos, costumes e sentimentos deste povo.

BAIXAR AQUI

fonte: http://kinozal.tv/

ouça uma música do filme:

Clique aqui

Um trecho do filme sem legenda:

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

TRECHOS DOS "DIÁRIOS ÍNTIMOS", DE LIEV TOLSTOI E SOFIA TOSLTAYA (1910)

Não consigo entender porque editoras especializadas nas obras de autores russos, como é o caso da Cosac Naify, não reeditam livros raros, não encontrados em língua portuguesa, a não ser em agluns sebos , como é o caso dos Diários Íntimos de Lev Tolstoi e Sofia Tolstaya, sua esposa. Este livro é da maior importância para a compreensão da vida do grande autor russo e para o melhor conhecimento de sua obra. Trata-se do diário escrito pelo casal Tolstoi em 1910, ano da morte do autor.

Minha edição consegue ser mais antiga do que eu: data de 1943, lançada pela Ed.Vecchi Ltda. A tradução de Frederico Reys Coutinho deve ter sido feita a partir da edição francesa, já que traduziram o nome do escritor para "Leão" e não Lev:a edição não cita o título original.

Não escaneei a capa do livro, uma vez que ele foi reencadernado e, durante o processo, perdeu sua capa original. Tive que lê-lo com o máximo cuidado, pois mesmo após a reencadernação, feita, está arriscado a se desfazer, o que é uma pena...

Para quem sabe o idioma russo, coloco, aqui, a versão nesta língua,;basta clicar no link ao lado: www.lib.ru. Se você não tiver nada contra sebos, poderá dar uma pesquisada no estado dos livros existentes em www.estantevirtual.com.br.

Extraí desta obra algumas das passagens que julguei interessantes , para que o amigo do blog tenha a chance de conhece-las.

O livro é separado em duas partes: da página 7 à 163, tem-se o "Diário Maior", de Lev Tolstoi.A partir desta página tem início os "Jornais Íntimos" de Sofia Andreevna e suas correspondências.

Tolstoi iniciou seu diário em 2 de janeiro de 1910 e o encerra 3 dias antes de seu falecimento em Astapovo, dia 20 de novembro, pelo nosso calendário.

Além do Grande Diário, ele escreveu um outro diário, mais íntimo, que ele não mostrava a ninguém, também constante do livro, intitulado "Só Para Mim". No primeiro diário, ele faz reflexões sobre tudo que o preocupava no final de sua vida e, no segundo, o relato de tudo que o fez deixar Yasnaia Poliana, com detalhes, bem como suas impressões a respeito de temas variados.

TOLSTOI:
2 de janeiro de 1910:..."Trouxeram-nos uma mulher em estado lamentável, doente depois do parto. Crianças. Fome. Como tudo isto é penoso!"

4 de janeiro de 1910: "...Refleti sobre minhas relações com os homens de nosso mundo que não têm fé: é um pouco como com os animais: ama-los, lamenta-los, mas não entrar em relação espiritual com eles. Relações assim despertam maus sentimentos. Eles não me compreendem. Pela sua incompreensão e arrogância, servindo-se da razão para esconder a verdade, eles contestam a verdade e o bem e nos levam aos maus sentimentos. Não sei como dizer, mas sinto perfeitamente que é preciso inventar um sentimento próprio em relação a estes homens, para não faltar com o amor que lhes é devido. ....À noite, li coisas insignificantes e joguei cartas."

5 de janeiro de 1910 - "...Cada vez me é mais penoso ver esses escravos trabalharem para a nossa família...Joguei wint. Tudo é triste e indigno".

7 de janeiro de 1910 (achei interessante esta passagem: na época de tolstoi já existiam os que comercializavam fé...*): Uma carta desagradável: meu missivista me diz que partilha minhas convicções e pede 500 rublos para a propagação do Cristianismo"...

16 de janeiro de 1910:Acordei alerta e disposto a ira a Tula, à audiência do tribunal....Primeiro, foi o julgamento de camponeses: advogados, juízes,soldados,testemunhas. Tudo isto é bem novo para mim. Depois julgaram um acusado político. Era acusado de sustentar e propagar idéias mais eqüitativas e sensatas que as idéias comuns sobre a organização da vida. Tenho muita pena dele. (**) Algumas pessoas se reuniram para me ver, mas não muitas, graças a Deus. Emocionei-me quando prestaram juramento. Lutei para me conter e não dizer que aquilo (o julgamento) era uma forma de zombar de Jesus Cristo. (***)

Quase todos os dias, Tolstoi reclamava de mau humor e anotava, fim do dia, "joguei". Em todos estes dias de janeiro, deixou clara sua preocupação em praticar o bem e sua frustração quando "falhava" com este seu propósito.

SOFIA

Os jornais íntimos de Sofia têm um prefácio feito pela filho do casal - Serguey Lvovitch Tolstoi. Conta coisas interessantes a respeito dos pais, de suas características, de seu relacionamento. Sobre a mãe, ele diz:
" Ela se levantava depois de L.N., às dez ou onze horas e deitava-se tarde......
...Raramente se passava um só dia sem a chegada de algum parente, convidado ou visitante.
... Minha mãe era sujeita a crises de histeria e, com os anos, foi perdendo, cada vez mais, o equilíbrio de suas faculdades mentais. Deve-se supor que isto contribuiu muito para o desentendimento do casal. A histeria agravou-se: primeiro, após a morte de seu jovem filho Vanka (1895), que ela adorava; segundo, em conseqüência da grave operação que fez em 1906 e terceiro, provavelmente, por causas patológicas, em 1910.
Pode-se ver, pelo seu diário, que seu estado mórbido tinha sensivelmente piorado na segunda metade de junho de 1910, quando a transtornou um fato aparentemente insignificante: L.Nikolaevitch adiara de dois dias sua partida de Metscherkoie, onde era hóspede de Tchetkov. A partir desta época, não decorreu um dia sem que ela não se queixasse, em suas conversações e em seus diários, de insônias, de dores nevrálgicas em diferentes partes do corpo, de lassidão, de nervosismo, etc. As menores coisas, e também as maiores, serviam de pretextos para suas crises nervosas.

...A que ponto a conduta de minha mãe envenenou a vida de meu pai, a partir de junho de 1910, até sua fuga de Iasnaia Poliana, pode-se ver em todos os escritos do período: diários de ambos meus progenitores, memórias e recordações..., etc.

Nos próximos dias, postaremos mais sobre as reminiscências de Serguey, bem como trechos dos jornais de Sofia, dando, também, continuidade ao diário Maior, de Tolstoi. A idéia é fazer mais ou menos como vimos fazendo com as cartas de Svetlana Alliluyeva, a filha de Stalin, que estamos publicando em capítulos. Claro que não pretendo postar os diários na sua totalidade: eu precisaria ser insana para tal empreitada; a proposta é postar algumas passagens que são, a meu ver, interessantes.
Serguey Tolstoi, filho do casal, responsável pelo
prefácio aos Jornais de Sofia Andreevna
. Foi músico.
Tolstoi e Sofia
_____________________________________________
(*) Nota da Milu
(**) Estas elites só mudam de nome, mas suas técnicas continuam, básicamente as mesmas...
(***)Ainda hoje muitos zombam de Cristos, em uma sociedade laica, mas que ama se dizer Cristã...

sábado, 20 de novembro de 2010

CENTENÁRIO DA MORTE DE LEV TOSTOI


Há exatos cem anos, morria em Astapovo, na Rússia, um titã da literatura universal, além de filósofo criador da teoria da não violência, mais tarde colocada em prática por Gandhi: Lev Nikolaevitch Tolstoi. O mundo ficava mais pobre, sem aquela consciência vibrante, sem aquela pena atuante, que tantas maravilhas legou a este planeta. Sobre ele posto muito (ver aqui), sou até repetitiva, pois por ele nutro verdadeira admiração. Mas hoje deixo vocês com material russo que lembra esta data ou simplesmente que lembra o escritor, por julgar muito mais interessante do que qualquer coisa que eu pudesse escrever. Aos que não conhecem o idioma russo, sem problemas: a imagens dovídeos dizem tudo e virão sempre acompanhadas por uma breve indicação de seu conteúdo. Saliento que, em Yasnaya Polyana, no museu propriedade do Conde Tolstoi, foi aberto hoje o Congresso Internacional Lev Tolstoi, como parte das comemorações oficiais do centenário de sua morte.
Mas não é só nos lugares onde o escritor viveu que estão comemorando o dia de hoje: esta data está sendo lembrada em todo o mundo, da França ao Vietnam. E por nós, também, aqui neste espaço virtual brasileiro, naturalmente...

Começando pelo Museu do escritor em Astapovo. Este museu tem tudo a ver com a data de hoje, já que seus últimos dias Tolstoi passou na estação ferroviária local, que, em memória a este acontecimento, cem anos depois, teve seu edifício restaurado e transformado em museu, guardando a história daquele momento. Além disto, você verá a famosa estação, do filme "A última estação".

Fonte: yandex.ru
A seguir, um video muito antigo:vários momentos da vida de Tolstoi.


Algumas fotos pouco divulgadas:


fonte da foto:http://www.peoples.ru
Termino o post com um vídeo que trás cenas de Tolstoi, com um fundo musical que amo e que já postei por aqui antes: O Hino a Lev Tolstoi.

Fonte: vídeos yandex.ru

Ainda existem descendentes de Tolstoi vivos: seu tetraneto, Piotr Olegovitch Tolstoi, nascido em 1969, é apresentador de televisão, responsável pela edição de domingo do programa "O Tempo".
Fyokla (Anna Nikitchina Tolstaya): nascida em 1971, tetraneta do autor. Fyokla é jornalista e apresentadora de rádio e televisão.

Mais sobre Tolstoi, neste blog ver:
Tula1
Tula 2
Centenário
Yasnaya Polyana

Recordar-se da morte significa viver sem pensar sobre ela. Sobre a morte é necessário não lembrar, mas viver tranqüilamente, alegremente tendo a consciência de sua constante aproximação"


Lev Nikolaevitch Tolstoi

Presente para o leitor: livro Calendário da Sabedoria

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

CENTENÁRIO DA MORTE DE TOLSTOI

Tolstoi e Sofia, em Yasnaya Polyana

Dia 20 de novembro próximo é o centenário da morte de Lev Tolstoi, ocorrida em Astapovo, Rússia, após fugir de sua casa e família, na calada da noite, por não acreditar mais na vida que levava. Fugiu aompanhado de seu médico pessoal. Esta fuga foi noticiada em todo o mundo, deixando todos perplexos. Foi dado, na época, ao acontecimento o mesmo destaque dado à grandes catástrofes, como a do Titanic ou a Revolução de Outubro, conforme palavras do jornal "Rossiskaya Gazeta Kultura".

Sua saída de Yasnaya Polyana até seu retorno, dentro de um simples caixão de carvalho, durou apenas dez dias. Sua memória dura até nossos dias, ele é imortal.
Tolstoi e Sofia, em Yasnaya Polyana
Comemorando esta data, o Comitê de Cultura de São Petersburgo, ,o Memorial Literário Museu F.M;Dostoievski (de S.Petersburgo), o Museu Nacional L.N.Tolstoi(de Moscou) , aliados ao Memorial Nacional e Parque Nacional Museu Residência de L.N.Tolstoi(Yasnaya Polyadna) estão realizando a exposição "Fiódor Dostoievski e Lev Tolstói", no período de 11 de Novembro a 31 de dezembro de 2010.
Resumo, aqui, o teor da exposição, por achar de interesse aos que gostam destes dois escritores.

"Tolstoi e F.Dostoievski são dois grandes contemporâneos cujo caminho de vida e de criação nunca os aproximou assim como nunca se cruzaram, nem uma vez ao menos. Um encontro pessoal entre os dois não aconteceu, apesar de as oportunidades para um contato ente ambos não terem sido poucas.
Entretanto, ambos os escritores observavam, constantemente, as buscas criativas um do outro.
A ambos inquietavam os mesmos problemas relativos à vida e a sociedade contemporânea a eles: a pena de morte, o radicalismos, guerra nos Balcãs. Ambos se voltaram para a problemática existencial e filosófico-religiosa, cada qual a sua maneira respondendo à questões de fé. Para ambos, imenso significado teve a figura de Cristo.

Na exposição "Fiódor Dostoievski e Lev Tolstói" serão mostrados tais pontos em comum desde o início das atividades literárias dos dois escritores até o os momentos mais elevados de sua busca dentro de uma perspectiva espiritual.

A exposição foi constituída com base na documentação pertencente aos acervos dos museus citados no início deste post. Serão expostos, também objetos raros, tipo fotografias ainda não publicadase livros das bibliotecas particulares dos dois escritores. Vou ficar de olho nos sites dos museus, a fim de publicar possíveis novidades.

Por ora, deixo o leitor com mais algumas fotos de Lev Tolstoi,extraídas do site russo www.yandex.ru














































































































terça-feira, 17 de agosto de 2010

LIVRO DE HOJE: TOLSTOI, MEU PAI - TATYANA TOLSTAYA

O livro de Tatyana Tolstoya - Tolstoi, meu pai - Recordações,, se trata das impressões da segunda filha do escritor a respeito de seu pai. Tatyana, em suas recordações, procura mostrar que seu pai foi um homem comum, desmistificando um pouco a figura de um "deus" que seus contemporâneos lhe atribuíam, a exemplo de M. Gorki, que declarou que
"olhava para ele e pensava:esse homem é semelhante a Deus".
E maginar queGorki era um ateu...Ele não foi o único a se expressar a respeito de Tolstoi como um fenômeno quase que sobrenatural.Sua filha, nestas recordações, tenta devolve-lo ao âmbito dos comuns dos mortais, esquecendo um pouco o gigante que este homem foi para a literatura universal e retratando, ccom estilo e, ao mesmo tempo, simplicidade, o lado humano de Liev Nikolaievitch, seu lado bonachão, de pai de família, um homem repleto de senso de justiça. Por vezes hipócrita, por vezes cheio de orgulho,mas um homem justo. Ela não reverencia, hora nenhuma, o grande ícone literário, mas o pai. É o Tolstoi de sua infância em Yasnaya Polyana e de sua adolescência. Suas lembranças vão até à idade 64 anos, quando ela perdeu o pai. O livro abrange, assim, um vasto cenário da vida do escritor. Ela recorda o drama da separação de seus pais, depois de anos de casamento e de amor.

Tatyana começou a escrever seu diário aos 14 anos de idade e a ele deu continuidade até os 40 anos de vida. Seu pai encorajava os filhos a manterem um diário desde cedo e, não raro, lia as anotações de Tatyana. E foi tal diário, com a experiência cotidiana da autora, que serviu de base para que redigisse, mais tarde, este livro, um verdadeiro documento, cheio de fotos, que deveria ser lido por todos os que gostam do criador de Guerra e Paz.Através do homem Liev Tolstoi, o leitor poderá compreender mais facilmente o autor.

A edição que tenho é da Nova Fronteira, de 1975. Acredito que deva estar esgotado nas livrarias, mas com certeza existem edições a venda nos bons sebos, o que pode ser conferido no site www.estantevirtual.com.br ou no www.gojaba.com.br.

retrato de Tatyana
Tolstoi contando histórias para os netos
foto constante do livro

domingo, 18 de julho de 2010

VISITANDO TULA



fonte foto acima:http://cityduma.tula.ru/

Tula é um centro administrativo da Rússia, localizado aproximadamente 180 km a sul de Moscou. Sua população é de cerca de 481.216 habitantes, sendo uma das cidades mais antigas da Rússia, tendo sido citada pela primeira vez em crônicas do séc.XVI. No entanto, a data exata de sua fundação é ainda desconhecida e alguns historiadores acreditam que Tula seria Taidula, um local citado em crônicas do ano 1.146 d.C.

Na Idade Média esta cidade era uma fortaleza fronteiriça a Ryazan. Foi palco de importantes acontecimentos históricos russos: em 1552 resistiu a um cerco tártaro, em 1607 resistiu a nsurretos liderados por Ivan Bolotnikov, num cerco que durou 4 meses; no século 18 teve algumas partes das muralhas de seu Kremlin demolidas.

Esta cidade foi visitada, em 1712, pelo imperador Pedro, o Grande, que resolveu construir nela a primeira fábrica de armamentos da Rússia. Também lá foi criada a primeira fábrica a produzir o famoso 'samovar'em escala industrial, no sec.18; com isto, ela foi se tornando um centro daindústria pesada russa, principalmente de indústria de material bélico.

Durante a 2ª guerra mundial, Tula foi alvo de uma ofensiva alemã, em 1941. Ironia do destino, esta cidade ser especializada em material bélico: ela foi berço do maior pregador do pacifismo e não violência, o gênio da literatura universal Liev Tolstoi. Exatamente: a famosa propriedade do escritor "Yasnaya Polyana" fica localizada em Tula, sendo ela sua principal atração turística. Lá viveu e foi enterrado Liev NIkolaievitch. A exatos 14 km a sudoeste do centro da cidade.

Nem só de material bélico vive a terra de Tolstoi, que é também um centro de fabricação de instrumentos musicais, principalmente o acordeon, tanto para uso interno, quanto para exportação.
























































































































































































PARA VER MAIS FOTOS DE TULA:
- Fotogaleria: http://www.phototula.ru/

quinta-feira, 27 de maio de 2010

TRECHO DE "CONFISSÃO", DE LIEV TOLSTOI




Neste post estou colocando um pequeno trecho do livro "Confissão", do gênio russo Liev Tolstoi.Que eu saiba, ele nunca foi publicado no Brasil. Este trecho traduzi de uma versão russa encontrada na internet. O livro é um espetáculo e vale a pena ser lido, em qualquer idioma que puderem ler. Tolstoi, além de genial, foi super corajoso, para abrir sua alma assim, da maneira que fez.Com este livro ele prova que foi, além de um grande escritor, um grande pensador também.




Escolhi este trecho intencionalmente, por te-lo achado super atual. Trata-se do porque deTolstoi ter abandonado a fé cristã tradicional. (ele chegou a ser excomungado pela Igreja Ortodoxa Russa).


I

Eu fui batizado e educado na fé cristã ortodoxa. Ensinaram-na a mim desde a infância e por todo o tempo da minha adolescência e juventude. Porém, quando tinha 18 anos e saí do segundo ano da universidade, eu já não acreditava em nada daquilo que me fora ensinado.
A julgar por algumas recordações, eu nunca acreditei seriamente, аpenas confiava no que me ensinavam e professavam diante de mim os maiores, mas essa confiança era muito vacilante.
Lembro-me que quando eu tinha uns 11 anos, um menino, falecido há tempos, Valodenka M. (1), que estudava no liceu, chegou a nós um domingo anunciando como última novidade uma descoberta feita no liceu. Esta descoberta consistia no fato de que Deus não existe e que tudo que nos ensinaram não passava de ficção (isto foi no ano de 1838). Recordo-me como os irmãos mais velhos se interessaram por esta notícia. Chamaram-me para participar da conversa. Nós todos, me lembro, nos animamos muito e aceitamos esta novidade como algo muito interessante e altamente possível provável.
Recordo-me, ainda, quando meu irmão mais velho – Dmitri, estudante universitário, de repente, com o entusiasmo inerente à sua natureza, entregou-se à fé e começou a ir a todos os ofícios religiosos, a jejuar, a levar uma vida pura e moral. Todos nós, até os mais velhos, não parávamos de rir às suas custas e, não sei por que, o chamávamos de “Noé”.
Lembro-me que Musin-Pushkin, o então ex-curador da Universidade de Kazan, nos chamou à sua casa para dançarmos e, ironicamente, persuadiu o irmão renunciante de que David dançou diante da arca. Eu me condoia com estas brincadeiras dos veteranos e tirei delas a conclusão de que ensinar catequese é preciso, ir à igreja é preciso, mas sem levar tudo demasiadamente a sério. Lembro, ainda, que eu era muito jovem quando li Voltaire, e seus escárnios não somente não me chocaram, como foram motivos de regozijo para mim.
O meu distanciamento da fé aconteceu para mim, da mesma forma como aconteceu e acontece agora às pessoas de nosso nível de instrução. Como me parece, ele ocorre, na maioria das vezes, assim: as pessoas vivem como todos vivem, mas vivem com base em princípios fundamentais, o que não só nada têm a ver com a fé, mas a maior parte das vezes se lhe opõem; a fé não participa da vida e nos relacionamentos com outras pessoas nunca é levada em consideração, muito menos em relação à própria vida.
A fé é professada em algum lugar longe da vida e independentemente dela. Se você se depara COM ela, será apenas como um fenômeno externo, desconectado da vida. Na vida de uma pessoa, em seus negócios, tanto agora, quanto em outros tempos, é absolutamente impossível saber se tal pessoa é crente ou não. Se existe diferença entre um ostensivo praticante ortodoxo e seu opositor, não será a favor dos primeiros. Assim agora, como em outros tempos, o explícito reconhecimento e profissão da ortodoxia foram, maior parte das vezes, encontrados em pessoas tolas, grosseiras e imorais e que se julgam muito importantes. A inteligência, a integridade, a retidão, o bom caráter e a moral foram encontrados, na maioria das vezes, em pessoas que se consideravam incrédulas.
Nas escolas ensinam catequese e enviam os alunos às igrejas; aos funcionários exigem comprovar o recebimento da comunhão. Mas alguém de nosso círculo, que já não estuda mais e não pertence ao serviço público, agora e em tempos passados ainda mais, poderia viver uma década sem se lembrar uma vez sequer que vive em um meio cristão e que ele próprio se considera um seguidor confesso da fé ortodoxa. Assim, tanto hoje como antes, o credo admitido com base na confiança e sustentado por pressões externas, gradualmente se desfaz sob a influência do conhecimento, das experiências de vida contrárias a este credo; a pessoa muitas vezes vive longo tempo convencida de que dentro dela a fé, que lhe foi transmitida desde a infância, está intacta, apesar de há muito dela já não haver rastos.
Contou-me S., homem franco e inteligente, como ele deixou de crer. Já há uns 26 anos, certa, vez estava ele em uma pousada, em temporada de caça, hábito adquirido deste o final da infância, quando tornou a noite para as orações. Seu irmão mais velho, que foi com ele à caça, deitou na relva e olhava para ele. Quando S. terminou e foi deitar-se, o irmão lhe disse: "Mas você ainda faz isto?" E não se disseram mais nada. S. deixou, desde este dia, de ajoelhar-se para as orações e de ir à igreja. E já há trinta anos não ora, não comunga e não vai à igreja. Não por conhecer as convicções do irmão e se ligar a elas, não por tomar alguma decisão em sua alma, mas apenas por ter sido a palavra “isto” dita pelo irmão como o simples toque de um dedo em uma parede que foi preparada para cair sob seu próprio peso; a palavra “isto” foi como a indicação de que lá, onde ele pensava existir a fé, já há muito tempo não havia nada e, portanto, as palavras que ele falava e as cruzes e posições de reverência em que ele se colocava durante as orações, eram completamente sem sentido. Conscientizando-se de seus absurdos, ele não poderia continuar agindo desta forma.
Assim foi e assim é, penso eu, com a grande maioria das pessoas. Eu me refiro às pessoas de nossa formação. Falo de pessoas honestas consigo próprias e não daquelas que fazem da fé um meio para consecução de um negócio temporal (estas pessoas são as mais radicalmente incrédulas, pois se a fé para elas é um meio de atingir um objetivo qualquer material, indubitavelmente, não é fé). Estas pessoas de nossa formação se encontram numa situação tal, como se a luz do conhecimento e da vida tivesse queimado um edifício artificial e eles ou já perceberam isto e liberaram o local ou ainda nem notaram o fato.
A fé a mim transmitida desde a infância desapareceu da mesma forma que em outras pessoas, com a única diferença que desde muito cedo eu comecei a ler e a pensar muito, o que fez o meu abandono da fé ser uma coisa consciente. Aos dezesseis anos parei de orar e parei, por conta própria, de ir à igreja e de jejuar. Eu parei de crer naquilo que me foi passado desde a infância, porém eu acreditava em algo. Em que eu acreditava, eu não poderia dizer. Eu acreditava em Deus, ou antes – eu não negava Deus, mas qual Deus, eu não poderia dizer; eu não negava, também, Cristo e seus ensinamentos, mas o que eram estes ensinamentos eu também não poderia dizer.

Escaneado por Leon Dotan www.ldn-knigi.narod.ru Crawl Leon www.ldn Dotan-knigi.narod.ru
Correção: Nina Dotan (Fevereiro de 2001)
Formatação: S. Vinitskiy
Título original: Ispoved' / (Исповедь)
Tradução: M.D.

sábado, 10 de abril de 2010

MINI BIOGRAFIA DE TOLSTOI E UM POUCO DE YASNAYA POLIANA


Conhecer Yasnaya Polyana - ainda que só virtualmente - é, senão essencial, muito importante para os leitores de Tolstoi, uma vez que quase toda sua obra fala na propriedade ou por ela foi influenciada.

Liev Nikolayevitch Tolstoi nasceu, a 28 de agosto (calendário juliano) e 9 de setembro (gregoriano), no seio da nobreza : sua mãe, a princesa Mária Volkonskaya, era de uma das mais nobres e antigas famílias russas e seu pai, o Conde Piotr Andreievitch Tolstoi.

Ele nasceu em Tula, (a sul de Moscou, distante mais ou menos 14 km da famosa região conhecida por Anel de Ouro), na propriedade da família, denominada Yasnaya Polyana (traduzida como campina clara). Perdeu os pais muito cedo (a mãe quando ele ainda não completara dois anos), tendo sido, ao lado dos irmãos, criado por uma tia. Sobre ela, ele escreveu em sua "Confissão":Minha boa tia, criatura puríssima, com quem eu vivia,sempre me dizia que tudo o que ela mais desejava para mim era que eu me relacionasse com uma mulher casada: rien forme un jeune homme comme une liaison avec une femme comme il faut".
Teve três irmãos mais velhos (Nikolai, Serguey e Dmitri) e uma irmã mais nova(Mária).
Ingressou na Universidade de kazan, mas não concluiu o curso. Apesar disto, sua educação foi perfeita e ele falava várias línguas com fluência e sua cultura era um referencial a tantos quanto com ele conviviam.

Retorna de Kazan à Yasnaya Polyana, com o objetivo de administrar de perto a propriedade que lhe coube de herança. Lá, convivendo com seus servos, passou a ter grande interesse em sua vida, criando métodos para melhorar-lhes a situação.

Mais tarde, volta para Moscou e em 1851 se alista no exército e toma parte de duas guerras, a do Cáucaso e da Criméia, período de uma experiência profunda, que lhe serviu de inspiração para a novela "Os Cossacos"e "Prisioneiros do Cáucaso", além de parte de sua trilogia autobiográfica ter sido publicada nesta época ("Infância, Adolescência e Juventude" e "Contos de Sebastopol"

A partir de 1856, terminado o serviço militar, ele - interessado na educação das crianças camponesas, viajou para o exterior, a fim de saber como o tema era tratado em outros países. Voltando do exterior, se instalou no campo e passou a se dedicar a escolas campestres e a escrever artigos sobre o assunto, criando métodos educacionais.

Sua passagem por Paris lhe fez rever vários conceitos que tinha na vida, pela experiência de assistir à execução de uma pena de morte. Escreveu em sua Confissão:
"Quando verifiquei como a cabeça se separava do corpo e como, separadamente, ambas as partes bateram dentro de uma caixa, compreendi– não com a mente, mas com todo o ser, que nenhuma teoria racional da existência e do progresso poderia justificar tal ato; mesmo se todas as pessoas do mundo, desde a sua criação, por qualquer que fosse a teoria, julgassem ser isto necessário - eu sei que é completamente desnecessário, é perverso. Conseqüentemente, o árbitro daquilo que é necessário e bom, não é o que falam e fazem as pessoas, nem o progresso, mas eu mesmo, com meu coração."

Em 1862 casou com Sófia Berhs, uma jovem de 18 anos de idade e teve muitos filhos, alguns dos quais não sobreviveram à doenças que assolavam a Rússia naquela época.

Neste período escreveu sua obra prima Guerra e Paz. Podia-se dizer que ele era feliz, tinha tudo, da felicidade doméstica ao sucesso e reconhecimento como escritor. Estava no auge, quando foi presa de uma crise existencial profunda. E foi esta crise que, para muitos não passou de uma demência senil, que legou ao mundo o Tolstoi, grande filósofo e pensador. Claro que na maioria de sua obra já haviam traços de seu pensamento filosófico e religiosoa, mas durante sua crise, que quase o levou ao suicídio, Tolstoi, repelindo a Igreja Ortodoxa e sendo por ela excomungado, passou a procurar uma saída para aquela sua situação de desespero. Escreve na sua Confissão:
"Minha vida me enjoava e eu me sentia atraído por uma força superior irresistível, para de alguma forma me livrar dela. Não se pode dizer que eu quis me matar. A força que me atraia para fora da vida era mais forte, mais absoluta, do que um desejo comum. Era uma força semelhante a minha antiga aspiração à vida, apenas em sentido inverso. Com todas as minhas forças eu aspirava me livrar da vida."

Venho citanto muito seu livro Confissão, por ele ter me impressionado bastante, por toda a crueza com que expõe sua vida e vícios, por toda sua sinceridade, por todo o seu sofrimento e como conseguiu encontrar um caminho próprio, a sua verdade. Para muitos, a partir daí ele trai seu talento, com o que eu discordo: ele publicou Anna Karenina um ano antes de publicar as Confissões, portanto, já em meio a toda a sua crise.Acredito que não dá para separar o pensador do grande autor. Ele foi fenomenal em qualquer gênero que tenha escrito, inclusive nos seus ensaios filosóficos. E, em seu período final de vida, tentou viver de acordo com seus princípios, renunciando a maior parte de seus bens, a fim de viver a vida simples que ele prezava. Largou a família e partiu, rumo "à última estação", a de Astapovo, onde morreu em 1910.
Termino o post com uma frase de Tchekhov, que muito me emociona:

" ...Com Tolstoi na literatura, torna-se fácil e agradável ser literato e não é tão terrível perceber que não fiz nada, nem vou fazer, porque Tolstoi já fez por todos".
(M.D. -Aksinia)

Agora, um pouco de Yasnaya Polyana:














































TOLSTOI E MESHNIKOV, EM YASNAYA POLYANA























YASNAYA POLYANA DE TOLTOI FOI, EM PARTE,
DESTRUIDA PELOS ALEMÃES EM 1941
















túmulo de Tolstoi




CRÉDITO: YOUTUBE - KIVfoto


CLIQUE A SEGUIR E VEJA OUTRO VIDEO:
Юбилей Льва Толстого
CRÉDITO - newstube.ru

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