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sábado, 12 de setembro de 2015

O Realismo Socialista na pintura



Alguns posts passados, falamos sobre a influência do realismo socialista na música soviética. O post de hoje é dedicado a  este estilo nas artes plásticas, mais especificamente na pintura russa, que prevaleceu a partir da vitória da Revolução de 1917, quando os pintores de vanguarda foram considerados inadequados,  até finais do século XX, tendo influenciado, também, a arte de países alinhados à extinta URSS.

Desprezado por vanguardistas ocidentais,este movimento teve nomes significativos, tal como Ilya Repin (tomado pelas autoridades soviéticas, a exemplo de Gorki na literatura, como modelo a ser imitado na pintura), Vasiliy Surikov, Levitan, Nikolai Yaroshenko, Vasily Perov, entre outros(alguns dos quais já postamos no blog) e só perdeu força no dinal do século XX.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

SINOPSE DO DIA: ASSIM FOI TEMPERADO O AÇO(NIKOLAI OSTROVSKI)

Ostrovski foi um romancista russo nascido em 1904 e falecido em 1936. Ficou conhecido por "A construção de um herói", lançado no ano de sua morte.Este foi considerado o primeiro volume(inacabado) de "Nascido da Tempestade"(1936). Teve seus trabalhos publicados no período stalinista e é considerado um dos maiores representantes da prosa do chamado "realismo socialista".


 "Assim foi temperado o aço" é um romance autobiográfico que começou a ser publicado, na Rússia, em abril de 32 na revista "Jovem Guarda".
Em novembro do mesmo ano saiu em forma de livro, em duas partes. Em pouco tempo o romance conseguiu grande popularidade, com uma tiragem de mais de 36,4 milhões de cópias.
Em linhas gerais pode-se resumi-lo dizendo que ele é a narrativa do de um jovem revolucionário -Pável (Pavliuk), persistente na defesa das conquistas do governo soviético durante a Guerra Civil. As dificuldades e tensões de sua vida  simbolizam a história da classe operária russa, servindo de propaganda da máxima de que "os comunistas possuem uma vontade inquebrantável".
O cenário da obra é a Rússia de 1917, as mobilizações, a greve geral e a vitória bolchevique.
Posterior à vitória, vem a Rússia do "comunismo de guerra" : uma verdadeira luta pela sobrevivência do novo regime, o que faz surgir a NEP. Em seguida, vêm os longos debates dos comunistas a respeito dos caminhos para a construção do socialismo.Dez anos depois, o país se transforma numa grande potência industrial, capaz de derrotar os nazistas na II Grande Guerra. Neste contexto social, o trabalho de educação política ganha novas dimensões, lançando-se mão de todos os recursos disponíveis para a formação dos 'novos homens'. soviéticos. Artes gráficas, TV, rádio, cinema, escola, literatura, tudo a serviço desta missão de incutir os novos valores da nova ordem: surge o realismo socialista, do qual já falamos em mais de um post neste blog.Este livro é uma das manifestações mais conhecidas desse processo, tanto dentro da URSS, como no exterior.

Assim como seu personagem principal, Ostrovski também lutou pela causa: escreveu seu livro - uma obra colocada a serviço da causa soviética -apesar de uma séria doença que lhe impedia os movimentos e causava cegueira. 
Em seu país foi cercado de grande devoção e popularidade.
 Trotski que em seu livro "Literatura e Revolução" faz uma crítica feroz contra muitos escritores russos, não perdoando, as vezes, nem os soviéticos (chegou a chamar Gorki de "cantor de salmos") faz uma defesa apaixonada de Ostrovski, em resposta a um certo crítico literário da época que disse que o  tema de rapto, através da comédia grega, chegou a Ostrovski. Trotski rebate:
"Sim, os temas emigram de povo para povo, de classe para classe, de autor para autor. Isso significa, simplesmente, que a imaginação humana é parcimoniosa. Uma nova classe não recomeça a criar toda a cultura desde o início, mas se apossa do passado, escolhe-o, retoca-o, o recompõe  e continua a construir daí. Sem o uso do guarda - roupa de segunda mão do passado não haveria progresso no processo histórico. Se o tema do drama de Ostrovski veio do Egito através da Grécia, também o papel no qual ele escreve veio do papiro egípcio, passando pelo pergaminho grego".
E por aí vai, passando à criticar os próprios métodos  do referido crítico. Não significa, no entanto, que só porque Trotski gostava do autor(ou do livro) que você vá gostar. Para saber, leia o livro, publicado pela Ed.Expressão Popular. Com 473 páginas. Seu preço é módico: apenas R$ 18,00.
Espero que gostem do aço, temperado com a luta contra a espoliação! Ou pelo menos este era o ideal dos que lutaram...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

UM OLHAR SOBRE A MÚSICA SOVIÉTICA

Já me cansei de ouvir críticas por minha paixão pela cultura russa e, em particular, por adorar suas músicas, não só a clássica, mas a música russa de todos os estilos, indo da atuais às da era soviética. E é justamente aí o x do problema: os argumentos mais constantes que escuto é que as músicas soviéticas lembram canções marciais. Retruco: algumas, sim, mas qual o problema?Outras, nada tem a ver com este estilo. E é para falar da música soviética o post de hoje.

Não sou especialista em música: longe disto, sou mera e leiga apreciadora, o que não me impede de ter a pretensão de julgar conhecer um pouquinho da música dos velhos tempos soviéticos, muito influenciadas pelo
 "Realismo Socialista" - estilo artístico oficial da União Soviética entre as décadas de 30 e 60 do século passado, tendo sido adotado,  ideologicamente, como política de Estado para todas as esferas artísticas e de manifestações culturais. Prevaleceu, sobretudo, no período de Stalin, representando a tentativa de controle da produção artística pelo Partido Comunista, direcionando-a  para a propaganda: foi a revolução na arte, renovando-a, levando até ela a revolução cultural e estética, que influenciou gerações de músicos no século XX. Não só de artistas pop, mas Shostakovitch e Stravinsk também: eles foram forçados a uma adequação.

São típicas deste período canções patrióticas, enaltecendo a grandeza do país, suas riquezas e potenciais: este é, aliás, um traço bem típico legado pelo Realismo Soviético: a firme crença no progresso social, técnico e científico do país e a certeza do triunfo do socialismo, implícita em algumas de suas letras.

Outro tema bastante usual é a guerra , também, um tema constante do cinema da época e da literatura (mas a guerra não foi tema só da era soviética; o foi, também, dos tempos imperiais); isto porque o povo russo, realmente, sofreu muitas guerras e venceu outras tantas. Não teria como este elemento tão presente na sua vida, ficar fora da sua arte.

Quando o tema não é o patriotismo, tem-se músicas bem singelas e inocentes, no estilo das que nós ouvíamos na época da Jovem Guarda;isto devido a uma outra característica legada pelo realismo socialista: o recato e  a rejeição a abstrações e complexidades. Tudo com muita alegria, alegria  que servia, também, de propaganda ao regime: de maneira quase subliminar, te reporta ao regime que "dá alegria ao povo, que faz o povo feliz". Isto para não falarmos nas canções românticas, comuns em qualquer regime e em qualquer país. 

Neste período, surgiram grandes grupos vocais e instrumentais, designados VIA (Vokalno-Instrumentalny  Ansambl).  Um dos mais populares foi o Samotsvety, hoje na sua segunda geração. Neste blog você encontra, para baixar, seus álbuns.

O vídeo abaixo, do Samotsvety, é uma mostra deste estilo patriótico; o título já diz tudo: "Meu endereço é a União Soviética". No refrão, ele diz: "meu endereço não é uma casa, um número; meu endereço é a União Soviética"..."O país do cartaz 'avante'" e, ainda:"o país do trabalho canta".


Um exemplo deste tipo de música nos dá Oleg Gazmanov, embora sua carreira musical tenha se iniciado em 1981, ou seja,já nos últimos anos do regime. Suas letras são de um total patriotismo: música louvando oficiais russos, outra dedicada à Aeroflot, outra à Moscou, à Piter (São Petersburgo) e, até no pós URSS, fez a canção quase hino "Feito na URSS", que lista a série de fatores que fizeram daquele país uma potência (não se esquecendo do que existiu antes, tipo Glinka, Tolstoi, Dostoievski,Gagarin e Riurik). Outras de suas canções são, deliciosamente, românticas; outras, ainda, de uma ingenuidade extrema (passear com a garota, futebol, etc).Ressalto que este estilo não faz de Gazmanov um artista menor: sou sua fã número 1, adoro sua obra e sua voz.

Claro que existiram, também, os grandes compositores e intérpretes que fizeram maravilhas, sem se submeterem ao estilo oficial, como, por exemplo, Vladimir Vysotsky, que cantava muito sobre o alcoolismo, loucura, manias e obsessões (ele próprio sofreu, pouco antes de morrer, de alcoolismo). 

Acima, Vysotsky
Outros,  faziam um  sutil desafio às autoridades soviéticas, como é o caso de Bulat Okudzhava. Aliás, os bardos, em geral, não se enquadraram e o termo bardo passou a ser usado, no início dos anos 60, justamente para se referir  aos cantores e compositores que não se "adequavam" à "arte-propaganda". Mas estes, jamais foram reconhecidos pelas autoridades; os que "rezaram de acordo com a cartilha" foram super homenageados e premiados.

Okudzhava
O ponto mais positivo do período foi evitar a ocidentalização da música russa e soviética, a sua descaracterização via estilos e ritmos importados, o que passou a se dar, até certo ponto, a partir da "perestroika", em 85. Mas a música russa é resistente e, malgrado ritmos importados terem sido absorvidos por novos cantores e grupos, o estilo tradicional ainda persiste, com grandes nomes que estão sendo, inclusive, reverenciados no exterior, como é o caso de Dmitri Khvorostovsky.

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