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sexta-feira, 11 de março de 2011

O COMEÇO DO FIM DE TROTSKY

Até hoje, tantos anos passados da revolução bolchevique, é difícil escrever sobre os fatos que envolveram alguns de seus membros, sobretudo Trotsky e Stalin. Aliás, falar sobre Trotsky é muito complicado: quando o assunto é ele, as opiniões se dividem muito. Como complicado, também, é julgar a participação de Lenin como 'ator' principal da revolução. Conversando com soviéticos ouço opiniões que culpam Lenin e Trotsky (enquanto comissário do povo para a guerra) da implantação da violência como método de governo; outros os defendem e culpam Stalin. Mas a coisa não fica só nas opiniões leigas: muitos autores culpam Lenin pela construção do estado totalitário, ao passo que outros, como Victor Serge(**)o elogiam pelas conquistas alcançadas com a vitória da revolução. Alegam que, se foi derramado sangue de opositores ao regime, muito sangue escorreu também do lado dos bolcheviques... Este post, portanto, não tem pretensão de criar juízo de valor a respeito de Trotsky ou de Stalin e outros membros dos chamados velhos bolcheviques. Nossa única pretensão é oferecer material para que o leitor interessado no assunto possa conhecer um pouco mais dos acontecimentos daquela época, já um pouco distante no tempo.

Retirei o texto do livro de um militante comunista, o alemão Arthur Rosenberg: História do Bolchevismo. Apesar de comunista, Rosenberg não escreveu um livro apologético e sim uma análise objetiva do cenário russo na época do bolchevismo.
Milu Duarte

"Em 1922 a grave doença de Lenin colocou em foco a questão da sucessão. Era evidente que esta não podia recair numa pessoa qualquer, mas no partido em seu conjunto. Isso, praticamente, significava o fim da "velha guarda", o núcleo de bolcheviques que construira o partido juntamente com Lenin, a partir de 1903. Desse modo, a direção passou de Lenin para as mãos de Zinoviev e Kamenev.
Kamenev
Antes de tudo, ambos eram políticos e teóricos. Tornava-se, então, necessário que suas ações fossem complementadas pelas de um organizador prático. Esse era Stalin. Tratava-se de um velho bolchevique, de origem georgiana ou grusa, como eles se chamavam no Cáucaso. Os georgianos deram todo um grupo de cabeças de primeira ordem para o movimento revolucionário e socialista russo: mesmo entre os mais notáveis mencheviques de 1917 havia muitos georgianos. Recordemos que a nacionalidade nada significava dentro da organização revolucionária russa da época do tzar: grão-russos, ucranianos, judeus, poloneses, letões e georgianos trabalhavam juntos em perfeita harmonia.

Stalin é um revolucionário russo que se formou culturalmente antes da guerra. O fato de vir da pequena nação georgiana contribuiu sensivelmente para interessa-lo de maneira especial, durante sua iniciação política, pela posição do socialismo quanto à questão nacional. (...)Em fevereiro de 1913, Lenin escrevia da Galícia a Maksim Gorki, dizendo que concordava com sua opinião sobre a necessidade de se preocupar seriamente com a questão das nacionalidades. E acrescentava:
"Temos aqui um formidável georgiano, que está escrevendo para a Proveschenie (ilustração) um extenso artigo, no qual reuniu todos os materiais todos materiais austríacos e outros(*). O "gruso" era Stalin que, exatamente fugindo da Sibéria, vivera algum tempo em Cracóvia e Viena.
Trotsky,Lenin e Kamenev
De 1917 em diante, Stalin progrediu paulatinamente, colocando-se em primeiro plano graças à sua habilidade de organizador. É verdade que na primavera de 1917 pertenceu à tendência conciliadora encabeçada por Kamenev e que também só lentamente aderiu à tática de Lenin. Porém, em 1922, estava a frente da direção do aparelho do partido bolchevique, com o cargo de secretário-geral. O tiunvirato Zinoviev-Kamenev-Stalin governou a Rússia de 1922 a 1925.Não houve necessidade de se criar uma nova forma de regime para os três homens. As decisões importantes eram tomadas, como antes, pela direção central do partido comunista, mas eles, em todas as cirunstâncias mais graves e depois de se consultarem entre si, tinham atitudes comuns. Depois suas propostas eram aceitas pela direção central ou por sua representação pelo comitê, isto é, pelo birô político do partido.
Zinovev
Esse governo de velhos bolcheviques significava a exclusão de Trotsky, ainda que ele continuasse sendo membro do comitê central e Comissário do Povo para a Guerra, o triunvirato não o consultava para as decisões políticas mais importantes.Trotsky gozava de grande autoridade diante das massas do povo russo. Contudo, o círculo de velhos bolcheviques o considerava como um intruso, e se sabia que ele tinha opiniões muito diferentes a respeito das questões mais importantes de política e de organização.

Enquanto Lenin estava vivo e conservava em suas mãos as rédeas do partido, as contradições entre os velhos bolcheviques e Trotsky foram superadas. Mas quando ele teve que avandonar a direção, o abismo abriu-se novamente.

No fim de 1923. Trotsky iniciou abertamente a oposição aos três homens.Afirmava que uma camarilha burocrática apoderara-se do partido, que o direito de os filiados decidirem independentemente e de acordo com suas consciências não mais existia; que no campo internacional, a nova direção sofria derrota após derrota. Dizia: não há por que se assustar com tão miserável naufrágio da revolução alemã de 1923, pois à frente do partido bolchevique e da Internacional estão os mesmos homens que também quiseram arruinar a revolução de 1917. Trotsky dizia que ele, juntamente com Lenin, levara a revolução à vitória contra a oposição dos "oportunistas" Zinoviev e Kamenev.
Que justificativa moral tem agora a velha guarda para conduzir o partido e o movimento operário internacional com sistemas ditatoriais? Um velho grupo dirigente pode ter seus méritos históricos, mas sempre existe o perigo de uma fossilização, de uma degeneração desse grupo, tal como acontecera com a direção social-democrata alemã, antes da guerra. O partido comunista russo só podia ser salvo pelo controle democrático por parte de seus membros, e, além disso, pela introdução de jovens e novas forças.


Vê-se claramente que Trotsky, com essas declarações, atacava a própria essência do bolchevismo, ou seja, a construção hierárquica do partido de cima para baixo, e também a autoridade histórica da antiga direção central bolchevique. Mas no caso de que a ditadura interna do partido fosse sacudida, então nem mesmo a ditadura do partido sobre o povo russo, a ditadura tal como se formara nos últimos anos, poderia se manter de pé. Isso, na medida em que uma coisa supõe a outra. Entre o final de 1923 e o princípio de 1924 surgiu no partido uma viva discussão em torno de Trotsky.Ele obteve entusiasmadas adesões na juventude, especialmente na juventude proletária culta das universidades operárias, mas o conjunto da organização do partido era contrário a ele; e a organização dominava os filiados. Dominava de tal forma a levar a uma votação contrária a Trotsky e favorável ao triunvirato durante o congresso partidário de 1924. Trotsky foi deposto do Exército Vermelho e, depois, retirou-se da política ativa."
Mais tarde, Stalin se voltou contra os outros dois membros do triunvirato:Kamenev, que foi preso, julgado, condenado e executado por traição e atividade contra-revolucionária - junto deZinoviev. A família de Kamenev também acabou executada - só um de seus filhos sobreviveu aos expurgos do governo Stalin.
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(*)Lenin, Obras completas,op.cit.:Vol.XXXIX,p.39(Lenin se refere a um artigo assinado por Stalin intitulado "O problema nacional e a social-democracia.
(**)O Ano I da Revolução Russa

domingo, 27 de fevereiro de 2011

VOLTANDO COM RASPUTIN: MINI BIOGRAFIA E DOCUMENTÁRIO ONLINE(legenda em inglês)

DOCUMENTÁRIO

assistir online aqui
Um dos primeiros posts deste blog foi sobre Raasputin, personalidade pela qual sempre me senti atraída, quer seja pelas inúmeras lendas que criaram a redor de seu nome, quer seja pela sua "aura mística", por assim dizer. O certo é que este interesse me leva a procurar, constantemente, material a seu respeito, a ler muito sobre sua vida, numa tentativa, nem sempre fácil, de separar fatos de boatos.

No citado post, fiz uma abordagem mais voltada para seus propalados poderes. No post de hoje, fica uma sucinta biografia, mostrando aspectos interessantes de seu caráter e de seu comportamento. Claro que sei que existe biografia dele de sobra na internet, mas nunca é demais disponibilizar coisas que vou encontrando por estas minhas leituras afora e que julgo interessantes.

Não se sabe ao certo quando nasceu Grigori Efimovich Rasputin, o homem que se tornou o favorito na Corte do imperador Nikolai II da Rússia. Imagina-se que tenha sido por volta de 1872, em Pokrkovskoe, oeste da Sibéria. Originalmente, seu nome de família era Novykh.

Camponês, ele era dono de forte magnetismo pessoal e parecia ter realmente poderes hipnóticos. Dizia ter inspiração divina e ser capaz de fazer milagres. Em particular, afirmava que o contato íntimo com ele tinha um efeito purificador: assim, satisfazia seu insaciável apetite sexual. Foi este seu comportamento que lhe angariou o nome de Rasputin, palavra derivada de 'rasputnik",que em russo significa devasso, libertino.

Por si mesmo santificado, chegou em 1903 a São Petersburgo como simples peregrino. O misticismo era muito valorizado na época e cedo ele se tornava o centro das atenções da alta sociedade.
















Foto de Rasputin com seus admiradores(predomínio quase absoluto de mulheres...)

Em 1905, foi apresentado ao casal imperial. A imperatriz Aleksandra passou a achar que ele havia sido enviado por Deus para salvar a dinastia Romanov, já que seu único filho era hemofílico. A partir daí, ele passou a adquirir poderes incríveis na Corte, apesar de, muitas vezes, comportar-se de forma grosseira e de seus modos deseducados.

Quando uma autoridade eclesiástica o denunciava como impostor, era prontamente punida e castigada. Os jornais que comentavam seu poder eram confiscados; mas em 1912, a pressão foi tão grande, que ele foi enviado à sua terra natal, de onde voltou em 1914, após ter sobrevivido a um atentado.

Em 1915, Rasputin conseguiu que seus protegidos tomassem o lugar dos antigos ministros russos.Passou a proteger negociantes inescrupulosos e corruptos. Suas atividades praticamente paralisaram a administração e aumentaram grandemente a brecha existente entre a Corte e a opinião pública. A única qualidade que se pode ressaltar de sua personalidade, é que ele era defensor da paz e contra a guerra que sacrifica inutilmente vidas humanas.

Na noite de 29 para 30 de dezembro de 1916 foi encontrado morto em sórdidas circunstâncias. Seus assassinos, que o envenenaram e depois o crivaram de balas, foram os conservadores V.M.Purishkevich, Dmitri Pavlovich e F.Fl Yussupov (1), que alegaram terem-no assassinado para salvar a Monarquia.
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(1)Mesmo príncipe que recebeu a proteção do irmão de Lenin, citado no post sobre Olga Ulyanova
fontes:
Revoluções(Ed.Três, vol.11)
://onlainfilm.ucoz.ua/

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

RELEMBRANDO TROTSKY

Leon Davidovitch Bronstein viveu de 1879 a 1940, tendo sido uma das figuras mais proeminentes do século XX, entrando para a história deste período sob o nome de Leon Trotsky, um dos líderes da Revolução de Outubro, ocorrida em 1917 na Rússia.

Trotsky nasceu na Ucrânia, mais exatamente em Yanovka, também num mês de outubro, num dia 26. Trotsky foi, ainda, escritor, grande orador, teórico do marxismo, principal organizador do então nascente Exército Vermelho, um dos fundadores e ideólogos da Internacional Socialista e uma das vítimas de Stalin entre os membros do partido.

Ainda jovem, abandonou a universidade de Odessa, onde estudava matemática, para se tornar um revolucionário profissional e ativo. Foi preso em 1898 e banido para a Sibéria em 1900. Em 1902 fugiu para o exterior e se juntou à organização Iskra (Centelha), de Lenin. Mas em1903, no segundo Congresso do Partido Trabalhista Social-Democrático russo, surge como líder menchevique e oponente direto de Lenin.

Em 1905 retorna à Rússia, como agitador e líder notável, mas dois anos depois foi novamente banido, indo, então, para Viena. De lá, editou o jornal Pravda, que defendia a reunião de várias subfacções em que estava subidividido o partido.Em 1912, torna-se, novamente, líder dos Mencheviques.

Com o advento da Primeira Guerra mudou-se para a Suíça e depois para a França, de onde foi deportado em 1916. Volta para a Rússia em 1917 e se uniu ao grupo Internacionalista de Petrogrado (atual São Petersburgo).
Comissário do Povo Para Negócios Estrangeiros desde novembro de 1917, liderou a delegação soviética em suas negociações de paz com a Alemanha. Em seguida, passou a dirigir os negócios militares e navais do Soviete e a organizar o Exército.

Intolerante, sem tato e impaciente, fez muitos inimigos durante a guerra civil, inclusive o sempre ressentido Stalin, particularmente hábil na manipulação do partido.

Depois da morte de Lenin, em 1924, Trotsky surgiu como candidato óbvio à liderança do partido,mas foi derrotado por uma aliança Stalin-Zinoviev-Kamenev. Daí até sua derrota final em 1927, quando perdeu todos os cargos no Governo e foi expulso do partido, ele se dedicou a uma luta contínua contra seus rivais. Expulso da URSS em 1929 e privado da cidadania soviética em 1932, viveu exilado na Turquia, França e, fialmente, no México, denunciando continuamente Stalin nos pontos divergentes de suas idéias socializantes.

No dia 20 de agosto de 1940, na Cidade do México, foi assassinado por Ramon Mercader, um agente da NKVD que se infiltrara entre seus empregados, que o matou sob ordens de Stalin.
No seu leito de morte

Seu jazigo, em Coyoacán, México


Deixou publicados mais de 20 livros, entre os quais "A História da Revolução Russa" (em três volumes), "A escola stalinista da falsificação", "A revolução permanente" e o "Diário do Exílio".




Mais fotos de Trotsky: abaixo, Lev em 1888

Lev em 1900:

Ainda em 1900, no exílio em Irkutsk:

Em 1917:



Cartaz de 1918- Trotsky matando a serpente contra-revolucionária:


Com Lenin


Em 1926, com Stalin:

Com Natalia Cedovaya(não se casaram de papel passado)
Fontes:


Vol.13 de História das Revoluções (Editora 3)
www.rutube.ru
http://pioss.net
http://www.rosreferat.ru/

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

NIKOLAI II: UMA MINI BIOGRAFIA

Dentro da série "Dirigentes Russos", que iniciamos há algum tempo atrás, postamos, hoje, uma micro biografia do último tzar russo, Nikolai II, que viveu de 1868 a 1918 e morreu em condições que todos já sabem.



Nikolai Aleksandrovitch Romanov, nasceu num dia 18 de maio, filho mais velho do Tzar Alexandre III e não demonstrou ser nada do que a austera aristocracia russa esperava.Tinha as mesmas comuns pretensões dos jovens militares russos de sua época. Tímido, apesar de seu grande charme pessoal, casou-se em1894, pouco antes de ser coroado em 1895. A eleita foi Aleksandra Feodorovna Romanova, também nobre, de caráter forte, que o dominou durante toda a sua vida. Sob influência da personalidade mística da esposa, o Tzar seguia conselhos de espiritualistas e curandeiros e assim foi com Rasputin que, segundo dizem, eventualmente tinha poderes comparados aos do imperador.

Nikolai II achava, verdadeiramente, que seus ilimitados poderes vinham de Deus e que só a ele deveria prestar contas do que fazia. À pretensão de deputados liberais de dividirem com ele as responsabilidades do Governo, tachou de sonho insensato e, à revolta popular por melhores condições de vida, respondeu com repressão policial.

Com a guerra russo-japonesa, entretanto, perdeu muito prestígio, tanto externo como interno, e, a partir de 1905, teve que aceitar as Dumas (Assembléias Representativas), que passaram a ter direito de vetar as leis.

O imperador desconfiava de seus ministros e via em qualquer pessoa que o cercava um conspirador perigoso (tal como Stalin). Para readquirir o controle sobre a nação, patrocinou a criação da União dos Homens Russos, uma organização de extrema-direita, que usava métodos terroristas. Daí, até junho de 1917, uma violenta reinvestida destruiu as duas únicas Dumas existentes e retomou o poder absoluto.

A eclosão da primeira guerra mundial manteve, por mais algum tempo, a Monarquia, mas não conseguiu conservar a confiança do povo no soberano. Nikolai demitiu o chefe supremo do Exército e assumiu, ele próprio, o comando, sob protesto dos ministros, que também foram demitidos. O Tzar estava, agora, sozinho. Até alguns aristocratas defendiam sua abdicação, como único meio de salvar a Monarquia.

Quando as rebeliões estouraram em São Petersburgo, a 8 de março de 1917, Nikolai II ordenou que o comandante da cidade enviasse tropas para restaurar a ordem; mas já era tarde demais: todos exigiam sua abdicação. Ele foi preso e enviado à Sibéria. Em abril de 1918, foi enviado aos Urais, onde todos os presos foram massacrados em suas celas, durante a noite de 16 para 17 de julho. Seus corpos foram queimados e abandonados numa velha mina.

Os últimos dias da família imperial foram anotados nos diários da Imperatriz, de maneira a emocionar qualquer leitor. É de dar desespero imaginar o que eles passaram. Como mãe, me coloco no lugar dela, principalmente tendo um filho doente, que necessitava de cuidados especiais.

Detalhes do assassinato são conhecidos, também, por relatos deixados por J.M.Yurovski, membro dos bolcheviques, tchequista e um dos mais ativos participantes da chacina dos Romanov (ver foto abaixo).















Yurovski deixa detalhes da chacina em três documentos: "Anotações" (de 1920); "Memórias"(1922) e "Atas das reuniões dos velhos bolcheviques em Yekaterinburg" (1934). O principal participante da execução deixou, nas fontes citadas, detalhes de como foi cruelmente abatida a familia real e alguns de seus criados.Por estas mesmas fontes, é possível definir, com exatidão, o momento inicial do assassinato de Nikolai II. Nas tres fontes, Yurovski afirma que o automóvel comunicando as últimas ordens sobre o assassinato chegou à uma e meia da noite de 16 para 17 de julho de 1918. O comandante ordenou, então, ao médico Botkin que despertasse a família real. Segundo os cálculos de Yurovski, a família levou de 30 a 40 minutos para se vestir, sendo, então, conduzida para o porão da casa onde se encontrava, em Ipat'iev (Yekaterinburg). Toda esta ação terrível durou apenas meia hora: das duas e meia até as três horas da manhã.

Yurovski, em 1922, escreveu detalhes de enregelar qualquer um, face tamanha frieza:

"Propus a todos que se levantassem. Se levantaram e se enfileiraram junto às paredes.O cômodo era pequeno.Nikolai estava de costas para mim.Anunciei, então, que o Comitê Executivo dos Sovietes dos Deputados Operários, Camponeses e Soldados dos Urais havia decidido pelo seu fuzilamento e de todos ali presentes. Nikolai virou-se e me pediu que repetisse a ordem. Eu repeti e, ao mesmo tempo, ordenei: atirar!" .O primeiro disparo foi meu e atingiu certeiramente Nikolai.


O tiroteio continuou por longo tempo e, apesar das minhas esperanças de que as paredes de madeira não favorecessem o ricochetear dos projéteis, as balas ricocheteavam. A coisa tinha tomado um rumo desordenado e eu não conseguia parar o tiroteio. Quando consegui tal intento, percebi que muitos ainda estavam vivos.Por exemplo, o doutor Botkin, deitado pasmo, sobre o cotovelo do braço direito, em pose de quem repousava(...). Aleksey, Tatiana, Anastasia y Olga também estavam vivos. Tov Ermakov queria terminar o assunto, usando uma baioneta, mas nada conseguiu.O motivo deste insucesso, só se soube mais tarde: as filhas do Tzar usavam armações de diamante no peito, o que lhes serviu de proteção. Assim, fui forçado a eliminar um a um individualmente".
Os anos passaram e, no ano 2000, a Igreja Ortodoxa Russa resolveu pela cononização da família real, por mártires que foram. Em Ipatiev foi construído um templo em memória às vítimas, ato que, para a religião simboliza, ao mesmo tempo, o renascimento da Ortodoxia na Rússia, depois de quase 80 anos de regime comunista.

O templo foi construído no lugar onde se julga que os corpos foram incinerados e se denomina "Mosteiro em Honra dos Santos Mártires reais"( Yama Ganina).(foto abaixo)


















Casa de Ipatiev, em 1928. As primeiras duas janelas da lateral esquerda e as duas janelas da extremidade serviram de aposentos do Tzar, Tzarina e e do herdeiro. A segunda janela, a partir do final, serviram às princesas e de sala.Na foto pode-se ver o porão, onde os Romanov foram assassinados.Localização: Av. Voznesensky























Nikolai II e familia Romanov na cidade de Tabolsk, na Sibéria, para onde foram exilados, juntamente com alguns servos,antes de serem transferidos para Yekaterinburgo.


























Tobolsk acima e abaixo, Yekaterinburg, cidade onde se deu a execução dos Romanov.







































Última foto da família imperial, em Yekaterinburg, antes de seu massacre.

Bibliografia:

História das Revoluções - Vol.10, Editora Três1973
http://romanovi.com/

domingo, 16 de janeiro de 2011

MENSAGENS DE FIM DE ANO DOS LÍDERES RUSSOS E SOVIÉTICOS

Recebi de um amigo soviético (bielorrusso) estas mensagens de fim de ano dos presidentes da URSS e Rússia e as posto aqui, em especial, pensando na turma que estuda russo. Para os demais leitores do blog, talvez até seja de algum interesse, já que coloco, muito resumidamente, as linhas gerais dos discursos; você poderá ouvir, também,os hinos da Rússia e se sentir um pouco mais próximo deste país e sua cultura,uma vez que os pronunciamentos dos líderes na noite de ano novo são uma tradição desde o governo de Brejnev..(no vídeo de Putin, o Hino havia mudado, mas, graças a Deus, hoje em dia já é o anterior que prevalece novamente)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

MEMÓRIAS DE KRUCHTCHEV: AS FITAS DA GLASNOST- MAIS UM TRECHO

Há tempos atrás postei um trecho do livro de Nikita Khurchtchev(*), intitulado "Memórias de Khurchtchov - as fitas da Glasnost. Editado pela Siciliano em 1991, um livro difícil de ser encontrado, mas fundamental para quem quer conhecer um pouco mais da história da URSS.

Escrito no auge da desestalinização promovida por Khurchtchev, ele mostra algumas curiosidades no mínimo interessantes, apesar de eu não poder afirmar a autenticidade dos relatos. Digo e explico o porquê.


Não posso afirmar que acredito na veracidade de tudo o que está escrito nele, por uma razão muito simples: o material deixado pelo ex Primeiro Sercretário do Comitê Central do Partido Comunista, Nikita Khurchtchev, declarações gravadas em fitas cassete, veio a tona pelas mãos de Jerrold Schecter, antigo chefe dos escritórios da revista americana Times em Moscou , junto a um grupo comprometido com a publicação do material, formado por gente da Life, Time Inc, entre outros. Tendo em vista que o período era de guerra fria e muitos, tanto na Rússia, quanto no Ocidente, acharam o livro uma manipulação. A KGB chegou a dizer que ele foi escrito na "cozinha da CIA". Talbott, que preferiu manter a identidade as pessoas que lhe repassaram o material no anonimato, afirma que, durante décadas, pairou sobre a publicação das fitas muita desconfiança a respeito de sua veracidade, desconfiança esta que só foi resolvida pela confirmação do filho de Khurchtchev, Serguiey (que, curiosamente, era na época, um respeitado professor universitário nos EUA...), a respeito das fitas, em seu livro "Khruchtchev por Khruchtchev" .Foi o fim das polêmicas. As fitas, segundo Talbott, também possuem um certificado de autenticidade emitido por peritos que analisaram a voz delas constantes e concluíram ser do ex líder soviético.
No entento, eu - mera curiosa e amante da história daquelas bandas, continuo com minhas desconfianças. Ando procurando na rede se Talbott tinha alguma ligação com a CIA. Procurei muito pela internet e só encontrei uma referência a seu respeito, no endereço a seguir: ao que parece ele iniciou sua carreira na Cia, o que - para mim, tira bastante a credibilidade do livro. Mas gosto sempre de ler mais de uma versão da história. Assim, a leitura deste livro ainda me foi válida para o exercício da reflexão e do raciocínio, bem como para não ficar presa apenas às que li escritas por russos ou soviéticos.
http://www.stewwebb.comTalbott e a Cia


MD


lvro dde Serguiey Khruchtchev

O post inicial desta série foi sobre o suicídio da esposa de Stalin, mais precisamente sobre o que Khruchtchev soube a respeito (ele pertencia ao reduzido grupo de íntimos de Stalin). O post de hoje trata sobre as origens das fitas, de acordo com seu próprio autor, Nikita Khruchtchev.

"De há muito meus camaradas me aconselham e, até recomendam com insistência, que eu escreva aquilo de que me lembre. Minha geração viveu um período sumamente interessante: revolução, guerra civil, transição do capitalismo para o cosicalismo, Grande Guerra Patriótica, desenvolvimento e fortalecimento do sistema socialista - uma época inteira, completa. Foi meu destino tomar parte nesses anos que muitos não compreendem. É natural. Nem eu mesmo compreendo tudo.

Simpatizo com a preocupação dos camaradas que insistem assim comigo para que redija minhas memórias. Em algum momento, depois que muito tempo passar, toda palavra proferida por nós que vivemos no nosso período será um guia de valor inapreciável para os que nos sucederem. Sinto-me deveras afortunado por ter percorrido o caminho que percorri, e por ter participado da reconstrução (perestroika)
(**) social e política de nosso país.

Tive sorte. Tomei parte no processo, desde a mais pequena célula da nossa organização partidária até o mais alto nível- o Comitê Central e o Politiburo, os cargos de presidente do Conselho de Mnistros, de primeiro-secretário do Comitê Central e de membro do Presidium do Soviete Supremo da URSS.


Minha carreira foi de grande dificuldade e de grande responsabilidade também. Tive a oportunidade de participar da busca de soluções para muitos problemas e, depois, na implementação dessas soluções. É por isso que sinto ser meu dever dar minha opinião e a minha interpretação do que aconteceu. Sei, logo de inicio, que nenhuma opinião pode agradar a todos. Nem é esse meu objetivo. Quero que meu ponto de vista sobreviva e seja conhecido, ao lado do ponto de vista dos demais, para que sejam registrados e constituam como que o legado de nossa geração. Somos gente de um mesmo corpo - o Partido, o Politiburo, o Presidium do Soviete Supremo, o Comitê Central, o Conselho de Ministros. Embora nossas opiniões coincidam em algumas questões, em outras seguramente irão diferir. O que é apenas normal. É assim que sempre foi e que sempre será. A verdade nasce da divergência. Memso no interior do mesmo partido, entre pessoas que têm a mesma posição e o mesmo princípio - o do marxismo-leninismo - há maneiras diferentes de ver as coisas, diferentes interpretações e nuanças na solução de um problema. Os tempos, muitas vezes, exigem uma abordagem flexível. Sei que temos diferenças de opinião, até mesmo opiniões opostas. Como um político aposentado, vejo isso claramente, hoje que tenho tempo para ficar sentado observando o mundo. Isso não me preocupa. Confio naqueles que irão me julgar. Porque serei julgado pelo povo, que vai ler e ponderar este material e tirar dele suas próprias conclusões. Não sugiro e não creio que o que tenho a dizer seja a verdade definitiva. Absolutamente. Que cada um forme a sua opinião, comparando e sopesando as diferentes maneiras de ver determinada questão. Isso é tudo o que desejo. Só um louco acredita que todos são feitos no mesmo molde e que tudo o que não se conforme a esse molde deve ser considerado herético ou,pior, criminoso. Não. Que a história funcione como juíz. Que o povo decida.(...) (...)Vou ditar minhas memórias sem acesso a material de arquivo. Seria difícil para mim faze-lo. Na minha situação, esse material não está disponível. (...) Os fatos podem ser encontrados nas minutas e protocolos das reuniões(...). Agora os arquivos estão fechados.(...) Depois da morte de Stalin, quando já tínhamos alguma distância do período de sua liderança, descobrimos aqueles arquivos do partido até então desconhecidos por nós. Foi então que perdemos a fé que tínhamos em Stalin. Quando estava no poder, tudo o que era feito por ele ou por ordem dele nos parecia inabalavelmente e singularmente correto. só depois que ele morreu começamos a pensar criticamente no passado e, tanto quanto possível, a conferir aquilo que nos lembrávamos com o que estava registrado nos arquivos.



Após estes parágrafos, Nikita tece linhas autobiográficas, a respeito de seus avós, seus pai - Serguiey e Aksinia, sua infância, até seu contato com o marxismo e sua entrada para o rol dos blocheviques, sua entrada para o Exército Vermelho até o XX Congresso do Partido Comunista, já o segundo capítulo do livro. Mas isto fica para uma próxima vez.
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Crédito da foto acima:www.savok.org


(*) lê-se (*)KhruchtchOv
(**) Aqui ele não se refere ao famoso processo iniciado por Gorbatchev, mas à abertura tentada por ele.

domingo, 1 de agosto de 2010

DIRIGENTES RUSSOS: UMA CRONOLOGIA - 1ª PARTE - A RÚSSIA DE KIEV

A história da Rússia vem de longa data, o que faz conhecer este país muito mais interessante.
. Foram muitos os responsáveis por fazer dela a maravilha que é. Foram muitos dirigentes, muitos os intelectuais, inúmeros os cientistas, vários os artistas e, principalmente, o povo russo, um povo super especial.Todos deram sua parcela de contribuição para que a Rússia fosse o país que é hoje. Os intelectuais, principalmente, são mais divulgados por aqui, alguns até bastante divulgados. Alguns artistas, também. Os cientistas, idem. Mas, em termos de dirigentes,alguns são totalmente desconhecidos no Brasil (infelizmente,devido à passada guerra fria, divulgou-se muito na nossa imprensa, super influenciada pela imprensa americana, apenas o que de pior existiu entre os dirigentes russos e, inclusive, nada se divulgando a respeito deste povo maravilhoso). Este post não pretende mostrar a obra de cada um, é óbvio, mas, apenas, fazer uma relação de nomes e período em que governaram, de Ryurik a Medvedev.

DINASTIA RIURIKOVITCH

RIURIK
Dirigente de Novgorod, no ano de 862.
Por vários séculos, até o século X, aproximadamente, não existiu um estado Russo. Os povos que ocupavam seu atual espaço geográfico vivia em estado tribal: ele foi palco dos Citas e Hunos, e de tribos nômades, turcomanas, etc.Estas tribos não possuíam um dirigente, no sentido que hoje conhecemos. Seguiam as ordens e decisões dos mais velhos e do clã. Paralelo ao clã, existia figura do príncipe, mas que só aos poucos foi ganhando poder. A partir do surgimento do Principado de Kiev (ou Russ), base da formação de grande parte dos países eslavos atuais,os dirigentes,passaram a ser os príncipes ou duques , que lançaram as bases da aristocracia e é aí que se insere Ryurik, um governante semi lendário,de origem escandinava, que dirigiu a República de Novgorod que, unida a Kiev e ao lado de Vladimir-Suzdal - cidades estados, - substituiu o Principado de Kiev. Nasce a primeira dinastia russa, a dinastia Riurikovitch. Ryurik tem uma história pouco clara, praticamente desconhecida, parecendo mais um mito do que um real personagem.Foi no período de que se criou o alfabeto cirílico.

OUTROS PRÍNCIPES DE KIEV
Todos estes príncipes têm seus feitos envoltos em muito folclore, eles mostram contornos mais claros como personalidades históricas e têm seus nomes registrados em crônicas da época. Seus retratos, a seguir, foram feitos a partir de tais crônicas. Devo salientar que todos eles foram príncipes de Kiev, ou grãos duques, bem como de outras cidades-estado, como Novgorod, mas para efeito deste post, que já saiu bem maior do que deveria, só estou colocando a data da ascensão ao posto de dirigente de Kiev.

Outra observação necessária é a sobre a mistura entre estado e religião que havia em tempos remotos na Russ. Assim, alguns dos dirigentes viraram, mais tarde, santos da Igreja Ortodoxa, a exemplo de Vladimir e Rostilav. Em quase todos os períodos citados a seguir aconteceu muita disputa, muita guerra, muita batalha. Irmãos contra irmãos, disputa entre membros da família pelo trono. Ocorreu, também, muita coisa boa, como a criação de Moscou. Mas tudo isto daria um livro, não cabendo no espaço pequeno de um post. Quanto a seus feitos, só coloquei os que julgo de maior interesse, para não me estender demais.

Oleg de Kiev: Foi um parente de Ryurik, governou de 882 a 912. Conquistou Kiev em 880 e transferiu a capital de Novgorod para Kiev. Existe uma versão de que ele teria morrido em 941, mas que seu sucessor teria adulterado os registros a fim de estabelecer um vínculo entre ele e Ryurik. Uma prévia das adulterações na história feita por Stalin? Mas existe, também, a versão de terem existido, sucessivamente, dois Olegs.
Igor de Kiev: , de 912 a 945. Existe uma versão que diz ter sido Igor filho de Ryurik que, ao morrer, o entregou nas mãos de Oleg, um seu parente próximo.
Sviatoslav I: de 945 a 972 -filho de Igor , foi o primeiro governante da "Russ de Kiev" com nome tipicamente eslavo e ficou famoso por suas campanhas que subjugaran os povos invasores das terras da "Russ" (os cazares, de origem turca e os búlgaros, entre outros). Ele marcou a primeira grande onda expansionista deste país, indo do Volga às estepes do Mar Cáspio e Balcãs, formando o maior Estado europeu, mas ainda não era um império.

Yaropolk: de 972 a +-978 - filho de seu antecessor, entrou em guerra civil com seus irmãos, se tornando o único governante da Russ. Pouco se sabe a seu respeito.
São Vladimir: de +-978 a 1015) -foi quem adotou a ortodoxia na Rússia, até então pagã.A história desta conversão conta, com pormenores que lembram até mitologia e possuem uma certa dose (intencional, acredito) de comédia.

Conta-se, que Vladimir ompreendeu que uma
"religião centralizada e desenvolvida era essencial num Estado civilizado"
e depois de diversas tentativas cheias de mitos e ídolos,
chamou emissários de várias terras para que expusessem suas fés:búlgaros islâmicos (do Volga), alemães, judeus e gregos.
O filósofo grego falou da Cristandade. Vladimir chamou os anciãos e lhes relatou tudo o que ouvira e escolheu "dez homens, bons e sábios, para experimentarem,em primeira mão, todas as fés que lhe foram apresentadas". As respostas são meio cômicas:
"A versão islâmica do paraíso parece boa, mas a proibição do álcool é demasiada e, seja como for, os búlgaros do Volga cheiram muito mal. Os alemães são desleixados. Os judeus, são uns vencidos, sem país, tendo os Cazares (tribos turcas) sido expulsos por Svyatoslav vinte anos antes. Mas numa igreja grega, relataram os dez sábios, não sabíamos se estávamos no céu ou na terra, pois na terra não existe tal esplendor ou beleza e nem sabemos como descrevê-los. Só sabemos que, ali, Deus vive entre os homens"
. Mas a questão só foi resolvida diante de um argumento mais pragmático: "Se a fé grega, disseram os sábios, fosse do demônio, não teria sido adotada por vossa avó Olga, mais sábia do que ninguém".
Muito da poesia poesia folclórica épica (bylina) da velha Rússia, que ainda subsiste, se refere à corte do período de Vladimir.
livro de byliny
SvyatopolkI:(de 1015 a 1019)
Filho deVladimir, ou como era conhecido - "o Sol Radiante", que teve 12 filhos de cinco mulheres e mesmo assim, adotou seu sobrinho Svyatopolk. Mais do que todos, ele adorava Boris que, assim como Gleb, era filho de uma princesa grega, Anna. Por ser cristão, tinha preferência por seus filhos com Anna, fruto de um casamento também cristão. Assim, julgava tais filhos com mais direitos em relação aos outros. Tencionava transmitir o trono a Boris, mas não teve tempo para isto: enquanto adoeceu e morreu, este filho se encontrava em campanha contra os pechenegues (tribo turca). Sua morte foi mantida em segredo pelos cortesãos, que esconderam o corpo do príncipe em uma igreja, na esperança de que Boris retornasse em breve e, assim, fosse cumprida a vontade do pai. Resumindo a história, Boris não voltou, pois o segredo foi descoberto e ele e seu irmão Gleb foram mortos pelo outro irmão, Svyatopolk, que ocupou o trono de 1015 a 1019.


Gleb e Boris, por não terem reagido à investida do irmão, já empregando, naquela época, a teoria mais tarde pregada por Tolstoi, da não resistência, se tornaram os primeiros mártires da Rússia.

Yaroslav, o sábio
Mstslav
Yaroslav e Mstilav:(de 1019 a 1036) irmãos de Svyatopolk , mais poderosos do que ele e num acordo entre si, em 1026, haviam dividido a Rússia entre eles, estabelecendo uma "diarquia", ao longo do Dniepr, que durou até 10936, com a morte de Mstislav

Yaroslav, o sábio, (de 1036 a 1054), reinou sozinho, até sua morte em 1054. Com ele a Rússia passou por uma "idade de ouro": desenvolveu a construção civil, as artes, a literatura, o ensino e criou o código penal, conhecido por "russkaya pravda". Deste período é a grande Catedral de Santa Sofia, em Kiev, repleta de afrescos, bem como o portão de ouro da cidade. Na Federação Russa ele foi o criador da cidade de Yaroslav, no famoso Anel de Ouro.
Cidade de Yaroslav

Catedral de Santa Sofia
Portão da Cidade(em Kiev)
Iziaslav I - de 1054 a 1068;1069 a parte de 1073;1077 a 1078:

Filho mais velho de Yaroslav com sua segunda esposa. Ele foi um dos autores de uma das partes do já citado código penal. Também mandou construir o mosteiro Pechersk, em Kiev.
Foi deposto em 1068, devido a uma revolta popular e fugiu para a Polônia, voltando em 1069 retorna a Kiev com a ajuda do exército polonês, sendo expulso por seus irmãos em 1073. Se tornou o primeiro rei da Rússia em 1075, morrendo 3 anos depois.

Sviatoslav II - de parte de a 1076
Este príncipe formou, com seus irmãos Vsievolod e Iziaslav, um triunvirato para governar a Russ de Kiev.
Vsievolod I- de parte de 1076 a 1077 e de 1078 a parte de 1093:


Príncipe de Kiev entre 1076/77 e depois, de 1078 até sua morte, em 1093. Era o quarto filho de Yaroslav, O Sábio, com uma princesa sueca e foi o primeiro governante de Kiev a usar o título de "Príncipe de Todas as Rússias".
Segundo a crônica da época, ele era um homem bom e justo e que encerrava em si todas as virtudes, tais como: humanismo, motivação, humildade e mansidão, mas não era feliz. Era poliglota, falava 5 idiomas.

Eupraxia, uma de suas filhas, se casou com Henrique IV, sendo coroada imperatriz sob o nome de Adelaide.

Svyatopolk II- de 1093 a 1113:
Filho de Izyaslav I, assumiu o poder com a morte de Vsievolod, chamado por seu filho por ser o neto mais velho de Yaroslav, o Sábio.As crônicas da época assim se referem a ele:


"Este príncipe tinha elevada estatura, era seco, cabelos escuros e longos, longa barba, era rígido. Não era amante da guerra e apesar de se aborrecer facilmente, logo relevava o motivo da raiva. Fora isto, era avarento e mesquinho".
Vladimir I Monomakh- de 1113 a 1125:
Filho de Vsievolod. É tido como o mais notável dos príncipes russos deste período histórico ora relatado, cheio de glórias de ótimas lembranças.
Seu reinado foi um período de magnificiência da Rússia de Kiev. Foi o primeiro desta dinastia a abrir mão, espontaneamente, do trono a favor de seu primo Svyatopolk, alegando ter ele mais direitos por ser o neto mais velho de Yaroslav o Sábio. Em todos os combates em que o primo se envolveu, Vladimir esteve a seu lado, mas seu interesse maior era a pacificação da Rússia, repelir invasões e a supressão de revoltas populares, que irromperam após a morte de seu predecessor. Para conseguir isto, teve que adotar a via legislativa, com o intuito de acalmar as classes mais baixas e rebeldes. Surge o "Estatuto Vladimir Monomakh", que foi inserido no já citado código penal.
Com este estatuto ele limita a usura, definiu as condições da servidão, sem ir contra as bases das relações feudais básicas, aliviando a situação de devedores e compradores.
Vladimir foi, também, um escritor. Chegou até nossos dias um conjunto de sua obra, reunido em um único volume, intitulado "O Sermão", sendo que um dos volumes é uma autobiografia.


Mstilav Vladimirovitch- 1125 a 1132:

Feito Príncipe de Novgorod aos 13 anos de idade, por vontade de seu pai, tornando-se Grão-Duque de Kiev com a morte do pai.
Filho de Vladimir, seu antecessor. Continuou o trabalho do pai, no sentido de repelir invasões. e pacificar a Rússia. Teve grande talento político e militar.
Seus irmãos pegaram a maior parte da herança do pai: Yaropolk ficou com Pereyaslav (no Anel de Ouro, ver foto abaixo), Vyatcheslav pegou Turov (na Bielorrússia), Andrei com a cidade de Bladimir (Anel de Ouro)e Gueorgui com Suzdal(também Anel de Ouro) e seus sobrinhos ficaram em Kursk e Smolensk.
Pereyaslav


Mas o novo soberano não entrou em disputas, convivendo sempre cordialmente com os irmãos. Nele se manifestavam as mesmas virtudes de seu pai no trono da Rússia:o mesmo zelo e o mesmo amor pelo bem comum, reinando com uma alma sensível e delicada.

Yaropolk II- de 1132 a 1139:

Filho de Vladimir Monomakh, irmão de seu predecessor.Era um político fraco, que enfrentou discórdias exacerbadas dentro do clã Monnomakh. Assim, sob seu governo, a Rússia de Kiev - como Estado unificado - se desintegrou em três reinos distintos. Ao contrário do pai e do irmão mais velho, este soberano não tinha habilidades diplomáticas, nem sabia impor sua autoridade, o que colaborou na desintegração do Estado.


Corajoso quando jovem, aos poucos foi se tornando, quando mais velho, excessivamente cauteloso e lento nas tomadas de decisão e, inescrupulosamente, os que o cercavam se aproveitaram disto. Enfrentou, também, a traição de parentes, inclusive, uma rebelião liderada pelo seu sucessor, Vsievolod II.


Vyatcheslavv ( 1139)
Sobre ele, ver 1150, cor-regência com Yuri Dolgoruki

Vsievolod II- de 1139 a 1146:

Neto de Vsievolod I. Político hábil, sabia tecer alianças e se manteve no trono facilmente. Seu período foi cheio de batalhas e conturbações.


Igor II- de 1146 :

Irmão de Vsivolod II, que em 11145, doente, chamou seus irmãos, primos e parentes e anunciou:
"Se Deus me levar, dou Kiev a meu irmão Igor".
Todos os presentes beijaram Igor, a cruz, reconhecendo, assim, seu direito sobre Kiev. Mais tarde, porém, foi traído e acabou sendo preso. Na prisão, caiu doente, depois de muitos martírios.
Finalmente, chamou seu irmão e lhe informou
seu desejo de ser ordenado, desejo este que acalentava desde quando era Grão-Duque. Acabou se ordenando monge no Monastério Feodorovski, em Kiev (foto abaixo).
Iziaslav II _ de 1146 a 1149 e 1150 a 1153


Iziaslav foi reconhecido por ter brilhantes talentos, muita coragem e amabilidade, nos moldes de seu avô, Monomakh. .Foi vítima de golpe, também, por parte de seu tio e sucessor Yuri Dolgoruky (1154 - 1157).
Data de seu governo a primeira alusão feita à Moscou, quando seu sucessor- Yuri Dolgoruki, o convidou para uma encontro em Moscou, no dia 4 de abril de 1.147.
Vyatcheslavv ( 1151, co-regência com Iziaslav II)
Filho de Vladimir Monomakh. Havia assumido o trono em 1139, temporariamente, quando da morte de seu irmão, Yaropolk. Mas lhe faltava a energia de seus irmãos e lhe sobrava timidez e , até, covardia para lutar pelo trono, apesar de ser do que seu irmão Yuri Dolgoruki.
Sempre insatisfeito com seu pequeno reino em Vshgorod, ele queria mesmo era o trono de Kiev.Yury até tentou lhe entregar Kiev, mais foi dissuadido pelos boiardos que o apoiavam. Em 1149 Yuri e Iziaslav rompem e este último é expulso de Kiev e convida Vyatcheslav
para governarem juntos, mas Vyatcheslav não aceitou. Em 1151, Iziaslav vence a batalha e chama Vyatcheslav para juntos governarem. E assim foi até a morte de Iziaslav, em 1154.

Yuri Dolgoruky (de 1149 a 1150 e de parte de 1156 a parte de 1157)



monumento em Moscou a Dolgoruki
Tido em muitas crônicas como o fundaddor de Moscou, Dolgoruky era o sexto filho de Vladimir Monakh. Dolgoruky é um apelido que significa, literalmente, mãos longas, apelido este que ganhou devido à sua ativa vida política.
Com os conflitos pela posse de Kiev, entre Dolgoruky e Izyaslav, seu sobrinho e sucessor entre 1150 e 1153 , no ano 1156 ordena a construção de umapaliçada no monte Bovitsky, em Moscou. Esta paliçada foi a origem do Kremlin de Moscou.


Iziaslav III: vários períodos, detalhados a seguir

Teve vários períodos de reinado:
em parte do ano de 1155, de parte de 1157 a 1158 e161) Foi o segundo filho do príncipe de Tchernikovski, Dvaid Svyatoslavitch. Fora as batalhas e conflitos, pouca coisa encontrei a seu respeito.


Rostslav (parte de 1154 a parte de 1156
e de parte de 1159 a 1167)


Outro que foi canonizado. Sobrinho de Dolgoruky e filho do também canonizado São Mstslav(1125 a 1132), é uma das mais destacadas entre as personalidades políticas e eclesiásticas da Rússia. Patriarca da Dinastia de Smoliensk, Assegurou ao principado riqueza, poder e independência., sem ser expansionista. Por seu temperamento, ele era atraído para atividades pacíficas. Seus principais feitos estão em Smolensk, uma das cidades mais antigas da Rússia, cujo principado ele organizou.Lá, também, construiu duas fortalezas que levam o seu nome e o de seu pai.
Muitos de seus atos estão ligados à Igreja Ortodoxa Russa.
Smolensk, cidade a oeste da Rússia, às margens do Dniepr


Mstislav II e Gleb de Kiev
de 1169 a parte de 1171


Neste período, o poder foi trocando de mãos entre Gleb de Kiev e Mstislav II, ambos filhos do fundador de Moscou, Yuri Dolgoruki.
Mstislav II
Gleb de Kiev


Andrei Bogoliubovski (de parte de 116 a parte de 1171)


Seu apelido significa "o teólogo". Este também foi canonizado pela Igreja Ortodoxa, por ter sido um príncipe extremamente piedoso. Foi de extrema bravura e obre ele existe uma história interessante:
conta-se que, malgrado a vontade de seu pai, saiu de Kiev e foi para Vladimir, levando consigo um milagroso ícone da Virgem Maria, reverenciado,posteriormente, como uma grande relíquia russa. A noite, na estrada para Rostov, o Príncipe sonhou com a Virgem lhe ordenando que deixasse o ícone emVladimir. Andrei assim fez, construindo no local uma igreja e o castelo que seria sua residência dali em diante. Em torno da Igreja construiu um povoado, que se tornou seu lugar favorito: Bogolyubovo, a 10 km de Vladimir, promovendo o desenvolvimento da região, ligando-a aos centros artesanais de Rostov e Suzdal.
Ícone de Bogoliubovski

Povoado Bogolyubovo
castelo do Príncipe em Bogolyubovo
Igreja construida pelo príncipe
monastério
Ryurik II de Kiev
(nos períodos a seguir):
Ryurik II, filho de Rostslav (1154), teve reinados em diversos períodos:1173; 1180 - 1182;195; 1200;1205 - 1206;1207 - 1210 . Nenhum feito que mereça destaque.


Yaroslav II de Kiev(1174)




Foi pai do famoso Alexandr Nevskiy, também santo ortodoxo, de quem falaremos em próximos posts.

Vsievolod III (1174 a 1176)


Por ter tido 12 filhos, ganhou o apelido de "Grande Ninho"(Bol'shoe Gniezdo").




Roman II, de Kiev - de 1200 a 1205

Danil Galitski-1243
Pelos seu brevíssimo mandato, costuma ser omitido das biografias do dirigente de Kiev:

  • Vladimir de Kiev, 1171
Oa príncipes sobre os quais nada encontrei, além de breve citação, estão relacionados a seguir.


  • Roman I de Kiev (1171 1173)

  • Sviatoslav III (1176 a 1194)
  • Rostislav II(1205)
  • Vsievolod IV, de Kiev (1200 a 1207 e de 1210 a 1214

  • Ingwar de Kiev: 1200; 1214
  • 1214-1223: Mstislav IIII Boris de Kiev
  • 1224-1233: Vladimir IV de Kiev
  • 1233-1234: Iziaslav IV de Kiev
  • 1234-1236: Vladimir IV de Kiev
  • 1236-1238: Iaroslav II de Kiev
  • 1238-1243: Rostislav III de Kiev
  • 1243-1243: Michel I de Kiev
  • 1243-1244: Rostislav IV de Kiev
  • 1244-1248: Rostislav III de Kiev



A precariedade de dados nos faz acreditar que a Rússia de Kiev esteja chegando ao seu final.Notem que, no espaço de um ano, mais de um dirigente passava pelo governo neste finalzinho da dinastia Riurikovitch. Isto é um claro indício de que a desintegração da "Russ" era evidente, pela sua incapacidade de resolver a questão sucessória.
Os grandes edifícios da Rússia de Kiev constituem um legado impressionante de sua cultura.
As Igrejas de Vladimir e arredores são uma preciosidade da arte do século XII, bem como a maravilhosa igreja de Santa Sofia, em Kiev, datada de 1037. Chernigov, Smolensk, Polotsque e Pscov possuem importantes edifícios, mosaicos e afrescos desta época, que valem a pena serem visitados.


O último príncipe desta dinastia foiAleksandr Nievski, que reinou em 1249: apesar do pouco tempo de reinado, ele entrou definitivamente para a história russa e, porisso, merecerá um post só para ele.


  • 249-1249: Alexandre Nevski - nosso PRÓXIMO POST.
FOTOS COMPLEMENTARES
Cenários da Rússia de Kiev
TCHERNIGOV (Ucrânia)
Vladimir (Rússia)
Smolensk (Rússia)
Pscok (Rússia)
Kiev (Ucrânia)
Polotsky (Bielorrússia)

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