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sexta-feira, 1 de abril de 2011

MAIS UM TRECHO DOS DIÁRIOS ÍNTIMOS DE TOLSTOI E SOFIA

Há meses atrás iniciei a postagem de trechos dos "Diários íntimos" de Tolstoi e Sofia, sua esposa. Mal iniciei, parei as postagens, por achar que não estavam tendo uma receptividade que justificasse o trabalho da digitação, bem como minha exposição aos fatídicos ácaros, que - apesar de todo o cuidado que tenho com meus livros, vez por outra atacam os que são bem mais velhos do que eu,,como é o caso deste volume de 1943, restaurado não faz muito tempo, pulverizado com certa freqüência por acaricida e que, ainda assim, mantém um certo odor de livro antigo.

Retomo este trabalho hoje, após receber uma mensagem que me incentivou a isto. Enquanto tiver um único leitor que seja, o trabalho nunca será em vão.Quem quiser ler o post anterior, basta clicar AQUI, onde estão explicados detalhes da elaboração dos diários.

Inicio, hoje, pelaintrodução aos diários, feita por Sergey, filho do casal, importante para compreender muito do relacionamento tumultuado entre Lev Nikolaevitch e Sofia Andreevna.Além disto, o leitor, por este trecho de depoimento do filho de Tolstoi, pode ter uma idéia da rotina de vida do escritor.
"Para bem compreender as relações de meus pais nas proximidades de 1910, é indispensável que nos reportemos ao passado. A causa real de sua desinteligência foi o conflito sobrevindo entre o antigo Lev Nikolaievitch Tolstoi e o novo, quando se concretizou a mudança de sua concepção do mundo. A antiga maneira de ver, que sua mulher adotara, entrou em choque com sua nova doutrina, que em muitos pontos com ela contrastava.Ele mesmo percebia isto e lamentava-se sem cessar em suas obras. Relativamente a sua família, Tolstoi adotou como regra que até o ano de 1881, mais ou menos, fora um outro homem e que esse homem - o proprietário e o literato - estava, por assim dizer, morto, e que naquela data outro homem nascera; um homem que não reconhecia a propriedade, não escrevia para ganhar dinheiro, mas sim pelo bem da sociedade. Por isso, passara à sua família a herança deixada pelo primeiro homem. Tinha dado à Sofia Andreevna pelnos poderes para a gestão de seus negócios, dos quais não mais se ocupava desde maio de 1883); deixou-lhe a incumbência de fazer editar suas obras antes de 1881 e um ato de separação redigido em 1892. Mas em 1891 declarara que todos os seus escritos públicos posteriores à 1881 e tudo o que de então em diante se destinasse à publicação, poderia ser editado por qualquer pessoa.


Metade de Iasnaia Poliana tocava a Sofia Andreevna; a outra metade - inclusive a casa - a seu jovem filho Ivan e, após a morte de Ivan(1895), sua parte, conforme as leis da época, coube a seus cinco irmãos. Minha mãe não compartilhava do ponto de vista negativo de meu pai, relativamente à propriedade; pelo contrário, não deixava de julgar que quanto mais ricos fossem seus filhos e netos, tanto melhor. Era ela quem se encarregava de Iasnaia Poliana, de gerir todos os negócios, não só a sua parte, mas também a de seus filhos. Procurava alcançar o máximo com as obras de Lev Tolstoi e de aproveitar, não só suas edições anteriores a 1881, mas também o que ele escrevera depois dessa data.
Meu pai não podia se resignar com isto. O ritmo de vida burguês de sua família e toda a administração de Iasnaia Poliana afligiam-no. Semelhante ordem de coisas realmente exigia medidas de proteção e, por conseguinte, violência, e no que se refere às suas obras, ele escrevera no seu diário (27/03/1895):
"O fato de minhas obras terem sido vendidas durante estes últimos dez anos, constituiu para mim a provação mais difícil de minha vida".
Mas pode-se acusar minha mãe por ter cuidado dos interesses materiais de sua posteridade? Poderão aqueles que a culpam apontar muitas mães que não desejem a felicidade material de seus filhos?
A partir de 1902, os Tolstoi não iam mais passar o inverno em Moscou e permaneciam em Iasnaia Poliana. Conseguira estabelecer-se um certo modus vivendi e, na aparência, mas somente na aparência, tudo parecia ir o melhor possível. Na primeira metade de 1910, a vida em Iasnaia Poliana continuou a decorrer como durante os anos anteriores. O dia de lev Nikolaevitch dividia-se com bastante regularidade. Levantando cerca de oito horas da manhã, fazia o quarto, saía para um pequeno passeio e punha-se a trabalhar. Almoçava às duas horas, após o que andava ou montava a cavalo; de volta do passeio fazia uma sesta e pelas seis horas jantava com a família. Durante o verão lia, participava da conversação ou escutava música,jogava xadrez ou "whist" e, aproximadamente, à meia noite se deitava."
Por hoje é só. Até o próximo post, em continuidade aos diários íntimos do autor de Guerra e Paz.
Tostoi em família, durante o aniversário de seu filho Lev, cuja esposa está em pé, servindo sopa

sexta-feira, 25 de março de 2011

ALGUNS LIVROS QUE VALE A PENA COMPRAR


Estou aqui, fazendo compra de livros pela internet e resolvi indica-los ao leitor do blog, por se tratarem de obras que me foram muito bem recomendadas por amigos que já tiveram oportunidade de as lerem. Como ainda não possuo tais obras, as sinopses que aparecem de referência foram extraídas dos sites das livrarias onde as estou comprando:
OS ÚLTIMOS DIAS DE TOLSTOI

Autor: Elena Vassina
Sinopse:
Em sua juventude, o conde Liev Tolstói (1828-1910) levava uma vida notavelmente desregrada, mesmo para os padrões dissolutos de sua classe social. Dado a frequentar bordéis, amante do jogo e da bebida, o aristocrático herdeiro de vastas propriedades no Volga não chegou a concluir os cursos de direito e letras orientais da Universidade de Kazan, onde se matriculou em 1844. Alistou-se no Exército em 1851. São dessa época seus primeiros textos literários. Após a experiência traumática da Guerra da Crimeia, viajou por diversos países da Europa, recebendo a influência marcante de Proudhon. Casou-se em 1862 com Sofia Behrs, com quem teve treze filhos e uma relação tumultuosa. Autor de romances como Anna Kariênina (1877) e Guerra e paz (1869), Tolstói já era comparado a gigantes como Goethe e Shakespeare quando se inicia a crise espiritual que culminaria com a publicação de Uma confissão (1882), livro-chave de sua conversão mística.

Traduzidos diretamente do russo, os ensaios, cartas, parábolas e fragmentos de obras de Tolstói reunidos neste volume, escritos a partir de 1882, pregam contra o hábito de se comer carne, contra o sexo sem fins reprodutivos, contra a excessiva cobrança de impostos, contra o patriotismo, contra o alistamento militar obrigatório e contra os dogmas e ritos das religiões que considerava como desvios da fé (ele foi excomungado pela Igreja Ortodoxa Russa). No imaginário russo, Tolstói passou a ocupar o lugar de profeta e uma legião de seguidores, mendigos e oportunistas passou a se dirigir a Iasnaia Poliana, a grande propriedade rural de sua família. Seus famosos ensaios estéticos “O que é arte?” e “Shakespeare e o drama” completam o volume.(Livraria Travessa)
Editora: Penguin Companhia
Páginas: 432
Preço: R$ 29,50 (a livraria não cobra frete) (os preços estão variando de 29,50 a 35,00 com frete, em outras livrarias)

O PERCEVEJO:COMÉDIA FANTÁSTICA EM NOVE CENAS
Autor: Vladímir Mayakovski
Sinopse: Obra-prima da arte de vanguarda russa e ponto alto da produção teatral de Maiakóvski, a comédia fantástica O percevejo — redigida no final de 1928 e encenada no ano seguinte — assinala também um ponto de inflexão na trajetória do poeta. Neste texto, o entusiasmo de Maiakóvski com a Revolução de 1917 dá lugar a uma visão crítica do futuro do socialismo, expressa numa sátira contundente que mistura temas jornalísticos, jingles publicitários, mitos pessoais, canções, política, amor e ficção científica.
Apesar do sucesso da peça, a montagem original de O percevejo — com cenários de Ródtchenko, trilha sonora de Shostakóvitch e direção de Meyerhold — foi duramente criticada por dirigentes partidários que acusavam Maiakóvski de ser formalista e pouco didático, o que contribuiu para o desgaste do poeta, que cometeria suicídio um ano depois, em 1930.
No Brasil, a peça foi traduzida e, em 1981, levada ao palco por Luís Antonio Martinez Corrêa. É esta tradução — revista por Boris Schnaiderman, também autor do posfácio e de uma cronologia sobre a vida e a obra do poeta — que agora é oferecida ao leitor, enriquecida com um texto inédito em português do próprio Maiakóvski sobre O percevejo.(extraído da Editora 34)

Editora: Ed.34
Páginas: 112
Preço: variando de R$ 29,00 a R$ 36,00

O DIABO SOLTO EM MOSCOU:
Autor: Mikhil Bulgakov
Sinopse: Mais conhecido por seu romance “O Mestre e a Margarida”, Mikhail Bulgákov (1891-1940) deixou a medicina pela literatura escrevendo narrativas e peças de teatro que o tornaram rapidamente popular, graças à sua verve satírica. Reúnem-se aqui, pela primeira vez em português, alguns de seus principais contos e novelas, em tradução direta do russo, precedidos de um estudo de fôlego sobre sua vida e obra, escrito pelo tradutor Homero Freitas de Andrade. O livro inclui ainda excertos de cartas e memórias que ilustram os embates culturais do período posterior à Revolução de 1917, a reprodução de documentos só recentemente revelados (como um dos interrogatórios a que Bulgákov foi submetido pela polícia secreta de Stálin) e também um índice analítico das personalidades da cultura russa citadas ao longo do texto.

Editora: EDUSP
Páginas:584
Preço: entre R$ 74,00 a R$ 82,00

terça-feira, 8 de março de 2011

SINOPSE: RISO VERMELHO(LEONID ANDREIEV)

Riso Vermelho
"é uma visão fantástica e desmesuradamente dramática" da guerra russo-japonesa, de 1904.
Novelas excelentes, mostrando a guerra em todo o seu horror, o ambiente de um manicômio, o processo de uma paranóica, na fronteira indecisa entre o real e o fantástico.Ele parte deste fato para subir às alturas das visões universais do gênio profético. O autor começa a sua história com cenas de um horror bélico, cujo naturalismo, implacável, consegue arrepiar-nos, de tão verdadeiro e, aos poucos, sobe de tom até conferir às suas descrições a apocalíptica amplitude das visões proféticas. Já se não trata da guerra russo-japonesa, mas da Guerra, praga a que os livros sagrados se referem e que ataca, de tempos em tempos, o homem, o riso vermelho dos demônios e dos deuses",



O livro foi publicado em Portugal, pela Editorial Estampa, coleção 52, num miúdo volume de folhas azuis-claras, a partir da tradução de fragmentos de um manuscrito de Andreiev, feita por Rafael Cansinos Assens, responsável, também, pelo estudo e notas explicativas contidas no livro.

Sobre o autor já postei de outras vezes e você poderá conferir em:
http://russiashow.blogspot.com/search/label/LEONID%20ANDREIEV
Maiores detalhes bibliográficos, você encontra na wikipédia.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

RESENHA: VERÃO EM BADENBADEN (LEONID TSÍPKIN)

Leonid Tsípkin não era russo: era natural de Minsk, Bielorrússia; no entanto, sua obra é considerada literatura russa, uma vez que ele a escreveu neste idioma, que é, ao lado do bielorurusso, o idioma oficial do país, que já integrou o Império Russo e a URSS (atualmente, a Bielorrússia integra a CEI - Comunidade dos Estados Independentes).

Voltemos ao livro, misto de autobiografia e ficção, que narra a história de um médico apaixonado por literatura e que escrevia apenas para si. Admirador devoto do grande mestre russo da literatura, ele procura reconstruir os caminhos percorridos por Dostoievski, tanto na sua vida, quanto na sua obra, num misto de ficção e realidade.

Em 1987, Dostoievski passou a primavera viajando pela Alemanha, acompanhado de sua segunda esposa ,Anna Grigorievna e é este o período que Leonid Tsípkin reconstrói, centrando-se na estadia do casal em Baden-Baden. Dostoievski dissipa nas roletas do cassino as últimas posses de Anna.

Ao relatar a vida de Dostoievski, com base no diário de Anna Grigorievna, Tsípkin vai evocando, também, lances de sua própria saga pessoal em busca dos locais "dostoievskanos" de São Petersburgo, enfatizando facetas já conhecidas do famoso escritor, tipo seu vício no jogo, sua eplepsia, sem perder de vista a perspectiva dos pontos de vista de Anna Grigorievna, apresentando seus sentimentos em relação a Dostoievski e algumas de suas lembranças, como por exemplo, a do dia em que ela viu seu futuro marido pela primeira vez e do dia de sua morte.São relatadas, inclusive, cenas de família, discussões do casal,surgindo diante de nós um Dostoievski quase vivo . Já li várias biografias deste grande escritor, inclusive a coleção de Joseph Frank, mas nada se compara à leitura desta obra, em particular, no tocante às impressões causadas.

A gente , principalmente quem, como eu, é fascinado por Dostoievski, sente cada emoção descrita. Emoção maior, ainda, senti, ao mergulhar, enquanto percorria suas páginas, na realidade da vida russa. É fascinante, leitura super recomendada. A edição é da Companhia das Letras, tradução direta do russo (por Fátima Bianchi), o que faz toda a diferença.Com 208 páginas.

Susan sontag, responsável pelo ensaio introdutório da edição da Cia.das Letras, diz que Verão em Baden-Baden está entre
"as realizações mais belas, arrebatadoras e originais de um século de ficção e paraficção"..."O leitor emerge deste livro purgado, comovido, fortalecido, respirando um pouco mais fundo, agradecido à literatura por aquilo que ela pode abrigar e exemplificar".
Tsípikin foi completando, ao longo dos anos, albuns com fotos dos lugares frequentados ou associados de alguma maneira a Dostoievski, o que lhe serviu, também, de fonte de pesquisa na elaboração deste livro.

Nota: o autor, nascido em 1926, faleceu em 1981, exatamente no dia em que completava 56 anos. Não chegou a ver este livro publicado.Nasceu em uma família judia, filho de médico.Toda a família paterna morreu em um gueto em Minsk; sua mãe era de família polonesa.No início da Segunda Grande Guerra, foi possível à toda a família partir para Ufa, na Rússia, onde Leonid ingressou no Instituto de Estudos de Medicina, se casou com a economista Natalia Iossifovne Mitchnikova e começou a trabalhar com Anatomia Patológica, mais tarde com Imunologia e Virologia, desenvolvendo, durante anos, trabalhos científicos, com vários trabalhos publicados.
Paralelo a este trabalho, escrevia versos e prosa, desde os anos 60.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

SINOPSE DO DIA: O PRIMEIRO CÍRCULO (ALEKSANDR SOLJENITSYN) / FILME

Considerada a principal obra de Soljenitsyn, O Primeiro Círculo- publicado originalmente em 1990 - traça o retrato físico, moral e psicológico das prisões especiais criadas por Stalin e Béria, onde os condenados (intelectuais, antigos revolucionários, amigos de Lenin, entre outros) passavam por enormes sofrimentos, cumprindo pena pelo "crime" de não terem acatado alguma vontade de Stalin, mostrado como um ditador sanguinário, sombrio, um Tzar dos novos tempos.

Nestas prisões, centenas de pessoas, cumprindo suas penas intermináveis, passaram seus últimos dias (e aí Soljenitzyn faz uma alegoria ao Inferno de Dante) ardendo em angústia, esperando não a liberdade, mas a remoção para outros lugares ainda mais cruéis: os campos da Sibéria, cujos nomes desfilam pelas páginas deste livro e se fixam em nossa memória.

A obra trás um pouco da experiência do autor, preso em 1945, por coisas que chegou a escrever sobre Stalin, em correspondência com um amigo. Passou por várias prisões e campos de concentração. Depois de oito anos de prisão, foi enviado para exílio no Casaquitão.
Soljenitsyn, que já foi comparado pela crítica internacional a Dostoievski e Tolstoi e que sofreu a hostilidade do regime soviético, perdendo sua cidadania, sendo deportado ,tendo seus livros por longo tempo proibido na URSS.

Em 1992, o cineasta inglês Sheldon Larry transformou a obra de Soljenitsyn em filme: "The first Circle".



APROVEITE, BAIXE O FILME:

http://uprius.com/view1.php?id=198726

OU COPIANDO E COLANDO OS LINKS A SEGUIR NA BARRA DE SEU NAVEGADOR (do link acima):


URLs:
rapidshare.com/files/307187823/le-pre-cer-dev.part1.rar
rapidshare.com/files/307195444/le-pre-cer-dev.part2.rar
rapidshare.com/files/307198732/le-pre-cer-dev.part3.rar
rapidshare.com/files/307206455/le-pre-cer-dev.part4.rar

Idiomas: francês e inglês


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domingo, 2 de janeiro de 2011

DIÁRIO DE UM ESCRITOR - DOSTOIEVSKI

Eis aí um livro sumamente indispensável a todos que querem conhecer um pouco melhor o grande gênio da literatura russa, Fiodor Dostoievski.Nas palavras de Otto Maria Carpeaux, responsável pela introdução da edição da Ediouro, este livro
é "a súmula da sua fé (de Dostoievski) e das suas convicções, dos seus desesperos, ódios e esperanças."
Existem várias edições dos Diários, todas esgotadas, a exceção da versão em espanhol, disponível na Livraria Cultura. Caso você não tenha nada contra livros usados, na Estante Virtual poderá, ainda, achar exemplares da Ediouro, da Edimax e da Casavecchi (esta com mais de 400 páginas), todas em torno dos R$70,00. Algumas de suas partes já foram editadas separadamente ou junto com outros títulos, a exemplo de "Bobok" e "A Tímida".

O diário, escrito entre a realização de seus dois últimos romances ("O Adolescente", de 1875 e "Irmãos Karamázov", 1880), reúne crônicas de diferentes épocas, sendo que o mais antigo data de 1861, as mais numerosas são as cronicas de 1873 e a parte principal foi escrita entre 1876 e 1877, período em que as conspirações e atentados revolucionários se tornavam cada vez mais frequentes na Rússia czarista que, neste momento,travava guerra contra a Turquia, para libertar os povos eslavos dos Balcãs do jugo turco. Claro que uma fase destas, crítica e turbulenta, fornece material literário farto. Dostoievski acompanhou a época com paixão, eslavófilo apaixonado que era. No entanto, os acontecimentos políticos ocupam menos espaço em seu diário do que os grandes processos da época. Dedica espaço, também, à temas já abordados em suas outras obras, como "Crime e Castigo" e "Os Demônios":os motivos psicológicos subjacentes à ação criminosa, os suicídios, as tentações sinistras, a miséria, o alcoolismo, o patriotismo, entre outros temas.

Ainda de acordo com Otto Maria Carpeaux, o Diário
"é a história da nação russa naqueles dias, frefletida na mente de um espírito apocalíptico, cheio de paixões, de fanatismo e de ardor apostólico".
Acrescente-se ao que foi dito alguns ensaios sobre Belinski, Turgueniev, George Sand, Puchkin e você terá material de atualidade permanente, para se deleitar e refletir por um bom tempo.

Se alguém se interessar, por favor me escreva, que poderei ir postando, por capítulos, trechos do livro.

Para quem fala o russo ou está estudando este belo idioma, fica um presente: o e-book dos diários de um escritor.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

MEMÓRIAS DE KRUCHTCHEV: AS FITAS DA GLASNOST- MAIS UM TRECHO

Há tempos atrás postei um trecho do livro de Nikita Khurchtchev(*), intitulado "Memórias de Khurchtchov - as fitas da Glasnost. Editado pela Siciliano em 1991, um livro difícil de ser encontrado, mas fundamental para quem quer conhecer um pouco mais da história da URSS.

Escrito no auge da desestalinização promovida por Khurchtchev, ele mostra algumas curiosidades no mínimo interessantes, apesar de eu não poder afirmar a autenticidade dos relatos. Digo e explico o porquê.


Não posso afirmar que acredito na veracidade de tudo o que está escrito nele, por uma razão muito simples: o material deixado pelo ex Primeiro Sercretário do Comitê Central do Partido Comunista, Nikita Khurchtchev, declarações gravadas em fitas cassete, veio a tona pelas mãos de Jerrold Schecter, antigo chefe dos escritórios da revista americana Times em Moscou , junto a um grupo comprometido com a publicação do material, formado por gente da Life, Time Inc, entre outros. Tendo em vista que o período era de guerra fria e muitos, tanto na Rússia, quanto no Ocidente, acharam o livro uma manipulação. A KGB chegou a dizer que ele foi escrito na "cozinha da CIA". Talbott, que preferiu manter a identidade as pessoas que lhe repassaram o material no anonimato, afirma que, durante décadas, pairou sobre a publicação das fitas muita desconfiança a respeito de sua veracidade, desconfiança esta que só foi resolvida pela confirmação do filho de Khurchtchev, Serguiey (que, curiosamente, era na época, um respeitado professor universitário nos EUA...), a respeito das fitas, em seu livro "Khruchtchev por Khruchtchev" .Foi o fim das polêmicas. As fitas, segundo Talbott, também possuem um certificado de autenticidade emitido por peritos que analisaram a voz delas constantes e concluíram ser do ex líder soviético.
No entento, eu - mera curiosa e amante da história daquelas bandas, continuo com minhas desconfianças. Ando procurando na rede se Talbott tinha alguma ligação com a CIA. Procurei muito pela internet e só encontrei uma referência a seu respeito, no endereço a seguir: ao que parece ele iniciou sua carreira na Cia, o que - para mim, tira bastante a credibilidade do livro. Mas gosto sempre de ler mais de uma versão da história. Assim, a leitura deste livro ainda me foi válida para o exercício da reflexão e do raciocínio, bem como para não ficar presa apenas às que li escritas por russos ou soviéticos.
http://www.stewwebb.comTalbott e a Cia


MD


lvro dde Serguiey Khruchtchev

O post inicial desta série foi sobre o suicídio da esposa de Stalin, mais precisamente sobre o que Khruchtchev soube a respeito (ele pertencia ao reduzido grupo de íntimos de Stalin). O post de hoje trata sobre as origens das fitas, de acordo com seu próprio autor, Nikita Khruchtchev.

"De há muito meus camaradas me aconselham e, até recomendam com insistência, que eu escreva aquilo de que me lembre. Minha geração viveu um período sumamente interessante: revolução, guerra civil, transição do capitalismo para o cosicalismo, Grande Guerra Patriótica, desenvolvimento e fortalecimento do sistema socialista - uma época inteira, completa. Foi meu destino tomar parte nesses anos que muitos não compreendem. É natural. Nem eu mesmo compreendo tudo.

Simpatizo com a preocupação dos camaradas que insistem assim comigo para que redija minhas memórias. Em algum momento, depois que muito tempo passar, toda palavra proferida por nós que vivemos no nosso período será um guia de valor inapreciável para os que nos sucederem. Sinto-me deveras afortunado por ter percorrido o caminho que percorri, e por ter participado da reconstrução (perestroika)
(**) social e política de nosso país.

Tive sorte. Tomei parte no processo, desde a mais pequena célula da nossa organização partidária até o mais alto nível- o Comitê Central e o Politiburo, os cargos de presidente do Conselho de Mnistros, de primeiro-secretário do Comitê Central e de membro do Presidium do Soviete Supremo da URSS.


Minha carreira foi de grande dificuldade e de grande responsabilidade também. Tive a oportunidade de participar da busca de soluções para muitos problemas e, depois, na implementação dessas soluções. É por isso que sinto ser meu dever dar minha opinião e a minha interpretação do que aconteceu. Sei, logo de inicio, que nenhuma opinião pode agradar a todos. Nem é esse meu objetivo. Quero que meu ponto de vista sobreviva e seja conhecido, ao lado do ponto de vista dos demais, para que sejam registrados e constituam como que o legado de nossa geração. Somos gente de um mesmo corpo - o Partido, o Politiburo, o Presidium do Soviete Supremo, o Comitê Central, o Conselho de Ministros. Embora nossas opiniões coincidam em algumas questões, em outras seguramente irão diferir. O que é apenas normal. É assim que sempre foi e que sempre será. A verdade nasce da divergência. Memso no interior do mesmo partido, entre pessoas que têm a mesma posição e o mesmo princípio - o do marxismo-leninismo - há maneiras diferentes de ver as coisas, diferentes interpretações e nuanças na solução de um problema. Os tempos, muitas vezes, exigem uma abordagem flexível. Sei que temos diferenças de opinião, até mesmo opiniões opostas. Como um político aposentado, vejo isso claramente, hoje que tenho tempo para ficar sentado observando o mundo. Isso não me preocupa. Confio naqueles que irão me julgar. Porque serei julgado pelo povo, que vai ler e ponderar este material e tirar dele suas próprias conclusões. Não sugiro e não creio que o que tenho a dizer seja a verdade definitiva. Absolutamente. Que cada um forme a sua opinião, comparando e sopesando as diferentes maneiras de ver determinada questão. Isso é tudo o que desejo. Só um louco acredita que todos são feitos no mesmo molde e que tudo o que não se conforme a esse molde deve ser considerado herético ou,pior, criminoso. Não. Que a história funcione como juíz. Que o povo decida.(...) (...)Vou ditar minhas memórias sem acesso a material de arquivo. Seria difícil para mim faze-lo. Na minha situação, esse material não está disponível. (...) Os fatos podem ser encontrados nas minutas e protocolos das reuniões(...). Agora os arquivos estão fechados.(...) Depois da morte de Stalin, quando já tínhamos alguma distância do período de sua liderança, descobrimos aqueles arquivos do partido até então desconhecidos por nós. Foi então que perdemos a fé que tínhamos em Stalin. Quando estava no poder, tudo o que era feito por ele ou por ordem dele nos parecia inabalavelmente e singularmente correto. só depois que ele morreu começamos a pensar criticamente no passado e, tanto quanto possível, a conferir aquilo que nos lembrávamos com o que estava registrado nos arquivos.



Após estes parágrafos, Nikita tece linhas autobiográficas, a respeito de seus avós, seus pai - Serguiey e Aksinia, sua infância, até seu contato com o marxismo e sua entrada para o rol dos blocheviques, sua entrada para o Exército Vermelho até o XX Congresso do Partido Comunista, já o segundo capítulo do livro. Mas isto fica para uma próxima vez.
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Crédito da foto acima:www.savok.org


(*) lê-se (*)KhruchtchOv
(**) Aqui ele não se refere ao famoso processo iniciado por Gorbatchev, mas à abertura tentada por ele.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

TRECHOS DOS "DIÁRIOS ÍNTIMOS", DE LIEV TOLSTOI E SOFIA TOSLTAYA (1910)

Não consigo entender porque editoras especializadas nas obras de autores russos, como é o caso da Cosac Naify, não reeditam livros raros, não encontrados em língua portuguesa, a não ser em agluns sebos , como é o caso dos Diários Íntimos de Lev Tolstoi e Sofia Tolstaya, sua esposa. Este livro é da maior importância para a compreensão da vida do grande autor russo e para o melhor conhecimento de sua obra. Trata-se do diário escrito pelo casal Tolstoi em 1910, ano da morte do autor.

Minha edição consegue ser mais antiga do que eu: data de 1943, lançada pela Ed.Vecchi Ltda. A tradução de Frederico Reys Coutinho deve ter sido feita a partir da edição francesa, já que traduziram o nome do escritor para "Leão" e não Lev:a edição não cita o título original.

Não escaneei a capa do livro, uma vez que ele foi reencadernado e, durante o processo, perdeu sua capa original. Tive que lê-lo com o máximo cuidado, pois mesmo após a reencadernação, feita, está arriscado a se desfazer, o que é uma pena...

Para quem sabe o idioma russo, coloco, aqui, a versão nesta língua,;basta clicar no link ao lado: www.lib.ru. Se você não tiver nada contra sebos, poderá dar uma pesquisada no estado dos livros existentes em www.estantevirtual.com.br.

Extraí desta obra algumas das passagens que julguei interessantes , para que o amigo do blog tenha a chance de conhece-las.

O livro é separado em duas partes: da página 7 à 163, tem-se o "Diário Maior", de Lev Tolstoi.A partir desta página tem início os "Jornais Íntimos" de Sofia Andreevna e suas correspondências.

Tolstoi iniciou seu diário em 2 de janeiro de 1910 e o encerra 3 dias antes de seu falecimento em Astapovo, dia 20 de novembro, pelo nosso calendário.

Além do Grande Diário, ele escreveu um outro diário, mais íntimo, que ele não mostrava a ninguém, também constante do livro, intitulado "Só Para Mim". No primeiro diário, ele faz reflexões sobre tudo que o preocupava no final de sua vida e, no segundo, o relato de tudo que o fez deixar Yasnaia Poliana, com detalhes, bem como suas impressões a respeito de temas variados.

TOLSTOI:
2 de janeiro de 1910:..."Trouxeram-nos uma mulher em estado lamentável, doente depois do parto. Crianças. Fome. Como tudo isto é penoso!"

4 de janeiro de 1910: "...Refleti sobre minhas relações com os homens de nosso mundo que não têm fé: é um pouco como com os animais: ama-los, lamenta-los, mas não entrar em relação espiritual com eles. Relações assim despertam maus sentimentos. Eles não me compreendem. Pela sua incompreensão e arrogância, servindo-se da razão para esconder a verdade, eles contestam a verdade e o bem e nos levam aos maus sentimentos. Não sei como dizer, mas sinto perfeitamente que é preciso inventar um sentimento próprio em relação a estes homens, para não faltar com o amor que lhes é devido. ....À noite, li coisas insignificantes e joguei cartas."

5 de janeiro de 1910 - "...Cada vez me é mais penoso ver esses escravos trabalharem para a nossa família...Joguei wint. Tudo é triste e indigno".

7 de janeiro de 1910 (achei interessante esta passagem: na época de tolstoi já existiam os que comercializavam fé...*): Uma carta desagradável: meu missivista me diz que partilha minhas convicções e pede 500 rublos para a propagação do Cristianismo"...

16 de janeiro de 1910:Acordei alerta e disposto a ira a Tula, à audiência do tribunal....Primeiro, foi o julgamento de camponeses: advogados, juízes,soldados,testemunhas. Tudo isto é bem novo para mim. Depois julgaram um acusado político. Era acusado de sustentar e propagar idéias mais eqüitativas e sensatas que as idéias comuns sobre a organização da vida. Tenho muita pena dele. (**) Algumas pessoas se reuniram para me ver, mas não muitas, graças a Deus. Emocionei-me quando prestaram juramento. Lutei para me conter e não dizer que aquilo (o julgamento) era uma forma de zombar de Jesus Cristo. (***)

Quase todos os dias, Tolstoi reclamava de mau humor e anotava, fim do dia, "joguei". Em todos estes dias de janeiro, deixou clara sua preocupação em praticar o bem e sua frustração quando "falhava" com este seu propósito.

SOFIA

Os jornais íntimos de Sofia têm um prefácio feito pela filho do casal - Serguey Lvovitch Tolstoi. Conta coisas interessantes a respeito dos pais, de suas características, de seu relacionamento. Sobre a mãe, ele diz:
" Ela se levantava depois de L.N., às dez ou onze horas e deitava-se tarde......
...Raramente se passava um só dia sem a chegada de algum parente, convidado ou visitante.
... Minha mãe era sujeita a crises de histeria e, com os anos, foi perdendo, cada vez mais, o equilíbrio de suas faculdades mentais. Deve-se supor que isto contribuiu muito para o desentendimento do casal. A histeria agravou-se: primeiro, após a morte de seu jovem filho Vanka (1895), que ela adorava; segundo, em conseqüência da grave operação que fez em 1906 e terceiro, provavelmente, por causas patológicas, em 1910.
Pode-se ver, pelo seu diário, que seu estado mórbido tinha sensivelmente piorado na segunda metade de junho de 1910, quando a transtornou um fato aparentemente insignificante: L.Nikolaevitch adiara de dois dias sua partida de Metscherkoie, onde era hóspede de Tchetkov. A partir desta época, não decorreu um dia sem que ela não se queixasse, em suas conversações e em seus diários, de insônias, de dores nevrálgicas em diferentes partes do corpo, de lassidão, de nervosismo, etc. As menores coisas, e também as maiores, serviam de pretextos para suas crises nervosas.

...A que ponto a conduta de minha mãe envenenou a vida de meu pai, a partir de junho de 1910, até sua fuga de Iasnaia Poliana, pode-se ver em todos os escritos do período: diários de ambos meus progenitores, memórias e recordações..., etc.

Nos próximos dias, postaremos mais sobre as reminiscências de Serguey, bem como trechos dos jornais de Sofia, dando, também, continuidade ao diário Maior, de Tolstoi. A idéia é fazer mais ou menos como vimos fazendo com as cartas de Svetlana Alliluyeva, a filha de Stalin, que estamos publicando em capítulos. Claro que não pretendo postar os diários na sua totalidade: eu precisaria ser insana para tal empreitada; a proposta é postar algumas passagens que são, a meu ver, interessantes.
Serguey Tolstoi, filho do casal, responsável pelo
prefácio aos Jornais de Sofia Andreevna
. Foi músico.
Tolstoi e Sofia
_____________________________________________
(*) Nota da Milu
(**) Estas elites só mudam de nome, mas suas técnicas continuam, básicamente as mesmas...
(***)Ainda hoje muitos zombam de Cristos, em uma sociedade laica, mas que ama se dizer Cristã...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

LIVRO: PIOTR ILITCH TCHAIKOVSKI, UMA BIOGRAFIA (A.HOLDEN)


Não posso afirmar que este foi o melhor livro que li sobre Tchaikovsi, pois mentiria. Apesar de falar sobre ele de forma muito pulverizada, o livro São Petersburgo, uma História Cultural, do russo Solomon Volkov, ainda é o que mais me agradou, apesar de dedicar um espaço bem menor para o autor do que o livro matéria deste post, já que o livro de Volkov fala de vários outros personagens que dão vida à cultura desta cidade.

No presente livro, achei que Holden se prendeu quase que apenas à questão sexual de Tchaikovski que, para mim, era muito maior e mais complexo do que isto. O autor do livro vê nesta questão a explicação para a vida e a obra do brilhante compositor russo (na verdade, nascido na Ucrânia). Holden fez exatamente o oposto do que a versão oficial da Rússia - tanto a czarista, quanto a soviética - que durante muito tempo escondeu seu homossexualismo (assim como escondeu o suicídio do compositor).

Este livro tem, portanto, o mérito de tirar o véu que protegia, há anos, a vida privada de Tchaikovski, envolvida em mistério por mais de um século. Para tanto,
" Holden vasculhou, por quatro anos, minuciosamente, arquivos nos Estados Unidos, na Rússia e em diversos países europeus, buscndo provas que fundamentassem o final trágico do compositor. O resultado é um novo retrato do compositor, que explica sua morte como o clímax lógico de sua angustiada homossexualidade.
A versão oficial aceita até hoje é a da morte acidental, já que Tchaikovski teria bebido um copo de água contaminada pelo vibrião da cólera, uma epidemia em São Petersburgo. Já Holden, com base na correspondência do compositor, no estudo de depoimentos de contemporâneos e em documentos liberados por arquivos russos, vê Tchaikovski como um mártir gay, que a homofobia russa teria levado ao suicídio. Holden diz que a tese da cólera, baseada no depoimento do irmão de Tchaikovski,não passa de disfarce.
O autor relata aventuras em Paris, o interesse do autor por rapazes, a obsessão pelo sobrinho e a vida boêmia em São Petersburgo, onde ele circulava em meio a um conhecido grupo de homossexuais. Holden lembra que na Rússia o homossexualismo era ilegal, o que levou o reconhecido compositor a se casar com Antonina Miliukova, sua aluna do conservatório de Moscou. Mas esta tentativa de abafar sua opção sexual durou pouco. Apenas três semanas após o casamento ele tentou suicídio, jogando-se em um rio gelado. Mais tarde, sua homossexualidade teria sido denunciada ao czar, o que o teria levado ao suicídio, para lavar sua imagem.
Não estou contestando a obra, de jeito algum; apenas faço algumas observações com base no que conheço dos russos e do que sei da história de alguns intelectuais russos, por meio da autobiografia da Akhmatova, do livro do Volkov, de amigos russos, entre outros:

- os russos atuais não são homofóbicos, aceitando com naturalidade o homossexualismo (conheço pais de homossexuais, que encaram a opção dos filhos na maior naturalidade;
-Tchaikovski teve contemporâneos famosos homossexuais ou bissexuais e nenhum deles perseguido por isso: Gogol, Andrei Bieli, entre outros, além da suspeita que pesa sobre a sexualidade de Tchekhov(se teria sido bi-sexual ou assexuado). Dizem, também, que Boris Pasternak foi um homossexual. A própria Akhmatova teve experiências com mulheres. Todos estes viviam na fantástica São Petersburgo.

A conclusão que fica, colocadas as ressalvas, é que vale a pena ler o livro, para se conhecer um pouco mais a vida e a obra do compositor, sob ângulos ainda desconhecidos. O livro contém inúmeras ilustrações, além da análise de sua obra.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

MIRGOROD - NIKOLAI GOGOL

Depois de vários dias sem postagens específicas sobre o objetivo deste blog - a cultura russa - volto a postar sobre o tema, com o livro de Nikolai Gogol "Mírgorod",
"obra constituída pelas histórias que são a continuação de "Noites na Granja ao pé de Dikanka", como diz o autor numa epígrafe. Inclui três contos famosos: 'Um casal à antiga', 'Vii' e 'História de como se enganaram Ivan Ivanovitch e Ivan Nikiforovitch', e a não menos famosa novela 'Tarás Bulba'.
Este livro de Gógol revela com grande simplicidade a arte do grande escritor russo em formular os mais contraditórios e, ao mesmo tempo, inseparáveis aspectos da vida; o triste e o cômico, o medíocre e o grandioso, o estúpido e o comovedor, o real e o fantástico".
Gógol marcou uma fase definitiva na literatura russa em prosa. Ao lado de Puchkin e Lermontov, foi o fundador do realismo russo. Sua prosa é deliciosa, cheia de sátira e de humanismo. Sua preocupação com o social, com os "humilhados e ofendidos" da vida e com as injustiças sociais, fazem dele um autor sempre atual.

Editora: Assírio & Alvim
Tradução direta do russo por Nina Guerra e Filipe Guerra
316 páginas
Preço em torno de R$ 60,00

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

ESTOU DE OLHO NESTE LIVRO: CARTAS A SUVORIN - ANTON TCHEKHOV

Se dependesse de mim, compraria todos os livros que me atraem no mesmo dia, na mesma hora em que os vejo, mas isto é impossível, daí eu fazer minha listinha de aquisições e este livro é o primeiro da lista, para ser comprado mais para o meio deste mês: Cartas A Suvorin 1886-1891, quereúne as cartas que o prosador e dramaturgo russo Anton Tchékhov escreveu a Aleksei Suvórin, editor do influente jornal Novo Tempo, no qual o autor de A Gaivota e Tio Vânia publicou desde o início de sua carreira até 1891, os contos que lhe deram fama. Ambos se tornaram grandes amigos, trocaram confidências sobre os mais variados assuntos e discutiram seus respectivos projetos literários . Destacam-se, nesta correspondência, os temas ligados ao teatro e à literatura de modo geral.
ISBN: 8531406854
ISBN-13: 9788531406850
Livro em português
Brochura
1ª Edição - 2002
Livro com 416 páginas
Preço: R$ 86,00
Editor: Edusp
fonte: Livraria Cultura
Compare preços no bondfaro.


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

LIVRO DO DIA:DE MANDELSTAM PARA STÁLIN (ROBERT LITTELL)

Acabo de ganhar este livro de presente. Estou com tantos livros, novos que a fila de espera está crescendo: tenho que fazer uma pausa, antes que eu fique doida, sem saber qual leio primeiro. Mas é que não resisto a tantos lançamentos interessantes, que "me chamam", quando os vejo e ainda encontro compulsivos por livros como eu, que me presenteiam.

O de hoje não foi escrito diretamente por nenhum autor russo, mas é todo dedicado à cultura russa e soviética, portanto, tem tudo a ver comigo. Trata da vida de Mandelstam, o grande poeta russo, oponente do regime de Stalin (ando falando muito do Stalin neste blog, preciso mudar um pouco o tema...). Esta oposição atinge seu auge no ano de 34, quando ele escreve um epigrama, comparando o ditador a um assassino, recitando este poema, secretamente, para um grupo de amigos artistas: uma verdadeira sentença de morte para todos os que estavam reunidos a ele neste dia
Mandelstam foi preso seis meses depois, mas só morreu em 39.

O presente livrofoi escrito em forma de ficção misturada à realidade, se alternando vozes de personagens também fictícios e reais, a exemplo do próprio Mandelstam, sua mulher, e pessoas de seu ciclo de relacionamento, como Pasternas e Akhmatova.O mundo do poeta é recriado nesta obra, bem como a vida intelectual e proletária da Rússia stalinista. Quem comentou sobre o livro comigo, foi uma amiga, a mesmo que me presenteou com esta obra, o que me possibilita fazer o post.

O livro promete. Dei várias passadas de olhos e resolvi, sem sombra de dúvidas, dormir mais tarde hoje, a fim de acabar o que estou lendo e começar este a partir de amanhã.

O epigrama citado está transcrito a seguir:
"Nós vivemos, mas não sentimos a terra com os pés

Dez passos andando e não podemos ouvir,

E quando há dois suficientes para metade de um diálogo
Eles se lembram do alpinista do Kremlin.

Seus dedos gordos são escorregadios como lesmas,
E suas palavras são absolutos, como medidas de merceiros.

Suas antenas de barata estão rindo,
E sua bota nova brilha.

E ao redor dele a turba de chefes de pescoço curto -
Ele brinca com os serviços de meio-homem.

Quem gorjeia, mia ou geme,
Ele sozinho empurra e pica.

Ele esmaga-os como ferraduras, com decreto após decreto
Na virilha, na testa, no rosto, ou no olho.

Quando há uma execução, há tratamento especial,
E o peito ossétio se infla."

Conforme consta da orelha do livro,

"o autor escreveu um dos melhores romances sobre Mandelstam, tendo a Revolução Russa como horizonte permanente, através de uma agenda polifônica, em que se alternam diversos pontos de vista, que completam, por acréscimo ou contradição, o lugar de Mandelstam, sua, por assim dizer, paralaxe, no céu da história. Littel revirou arquivos, enfrentou a poeira das fontes primárias, entrevistando, inclusive, personagens chave, como a viúva do poeta, Nadejda Mandelstam".

Editado pela Ed.Record, disponível em todas as livrarias, com preço girando por volta de R$ 40,00

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

LIVRO DO DIA:SUSSURROS (DE ORLANDO FIGES)


Estou acabando de receber, via sedex, este livro. Fresquinho, fresquinho, acabou de ser lançado pela Ed.Record. São quase 800 páginas de relatos sobre a vida privada na Rússia de Stalin. Ainda não posso emitir minha opinião, já que é óbvio, não li o livro. Só dei uma "passada de olhos" por alguns de seus capítulos, índices, fotos, etc. Pelo que pude verificar, o autor, britânico, se baseou numa vasta fonte de pesquisas (perto de 15 páginas só de bibliografia). Vou transcrever, aqui, a título de sinopse, a orelha do livro, já que não tenho condição, enquanto não empreender a árdua tarefa de o ler, de emitir qualquer opinião que seja a respeito da obra em si, me guardando, apenas, o direito de opinar sobre o que li na orelha do livro.
"Sussurros revela as histórias ocultas de famílias soviéticas comuns que viveram sob a tirania de Stalin. Muitos livros descrevem os aspectos externos do período, as prisões e os julgamentos, as escravização e os assassinatos no Gulag - mas este é o primeiro a explorar com profundidade sua influência na vida de quem sofreu as opressões stalinistas. Como o povo soviético conduzia sua vida privada durante o governo de Stalin?O que as pessoas realmente pensavam e sentiam? Que tipo de cotidiano era possível nos apartamentos comunais, abarrotados, onde quartos eram divididos por uma família inteira - às vezes até por mais de uma - e as conversas podiam ser ouvidas no cômodo ao lado?Que significava a vida privada quando o Estado controlava quase todos os aspectos dela por meio da legislação, da vigilância e da ideologia?
A esfera moral familiar é o principal território de Orlando Figes. O autor explora como esses núcleos reagiam às várias pressões do regime soviético. E não foram poucos os afetados pelo terror: estimativas mostram que cerca de 25 milhões de pessoas foram reprimidas pelo regime soviético entre 1928, quando Stalin assumiu a liderança do partido, e 1953, ano da morte do ditador e do fim do seu reino de terror".
Algumas observações se fazem necessárias: não vou discordar, em momento algum, de que o período de Stalin foi de terror, coisa que abomino, tanto por minhas posições políticas, quanto pela minha condição de espírita. O que questiono é que falar contra os apartamentos da época do comunismo, criticando-os, é sempre com base em comparações com residências do mundo ocidental, principalmente, com as da classe média e alta. Nunca vi ninguém comparar estas residências aos barracos de milhões de brasileiros, africanos, latinos de maneira em geral. E, principalmente, à situação daqueles que não possuem nem um barraco, mas vivem em baixo de viadutos, no meio da rua, ao relento, sofrendo a ação do frio e do tempo em geral. Ao menos, estes apartamentos comunais tiraram os russos desta condição que muitos ocidentais do terceiro mundo vivem...

Eu conheci apartamentos do período soviético, após a queda do regime. Em 2002 e 2006, quando estive na Rússia, passei alguns dias em casa de uma família amiga, que possui um apartamento destes, sem nunca ter sofrido qualquer reforma, além da pintura de portas e janelas e da troca dos papéis de parede, tipo de revestimento muito usado na Rússia. E posso afirmar que este apartamento, por dentro, é muito bom: dois quartos, sala ampla, cozinha de bom tamanho, banheiro com banheira e um corredor grande, onde minha amiga colocou sua "biblioteca". O que pode "ferir" o gosto de quem está acostumado ao capitalismo, é o aspecto exterior do prédio, super simples. Devo acrescentar que esta família não era de nenhum membro do partido, nem de ninguém importante: são cidadãos soviéticos comuns. Todos com excelente cultura e educação. Posto algumas fotos do apartamento e do prédio ao final deste post.

Defendo, também, a educação da URSS. Meus amigos russos são unânimes no saudosismo da educação daqueles tempos. Agora tudo piorou, pois estão adotando um modelo ocidentalizado. Tenho um amigo da Bielorrússia que mora em São Paulo: o Alyocha. Ele disse que até o mito de que não entravam livros além dos autorizados pelo partido, não era bem assim: como aqui no Brasil, os soviéticos sempre davam um jeitinho de conseguir os livros que circulavam em outros países. O Alyocha conta uma história interessante: ele sempre gostou muito de ler (hábito muito cultivado na URSS); daí, ele conseguia os livros proibidos e colocava dentro de algum livro de Lenin e lia na sala de aula...
Feita esta ressalva, deixo aqui a indicação do livro, que está custando R$ 87,00.

































































































































































quinta-feira, 23 de setembro de 2010

LIVRO DO DIA: A REVOLUÇÃO RUSSA (MAURÍCIO TRAGTENBERG)


Hoje o livro indicado não tem nada a ver com literatura russa, mas sim com a história do país. Alguns vão me criticar, por ser a revolução russa um assunto já muito batido: mas faz parte, incontestavelmente, da história desse país. Além disto, esta revolução deixou suas influências na Rússia odierna e, para entender os russos, sua maneira de pensar, de ver a vida, é indispensável compreender todo este processo que se deu em 1917. A URSS acabou, mas - na prática, todo cidadão nascido entre sua criação e sua queda, independente dele ser russo, bielorrusso, ucraniano, etec, "é nascido na União Soviética", é soviético (existe, mesmo, uma música a este respeito, de Oleg Gazmanov, um cantor popular russo - "Sdelan V SSSR"-Feito na URSS - que retrata muito bem esta influência que não pode simplesmente ser apagada da história deste povo).

Este livro mostra todo este processo revolucionário e de queda do imenso país, sob a visão de um brilhante professor brasileiro, de quem sempre fui fã número zero: Maurício Tragtenberg. Nos meus tempos de faculdade, não perdia a chance de assistir a seus cursos e palestras, sempre que passava por minha cidade. Além de professor, Tragtenberg foi um sociólogo dos bons (faleceu em 1998) Lecionou na USP, na PUC de S.Paulo e na UNICAMP. Era gaúcho.Falava vários idiomas, entre eles o russo.A história de vida deste professor é muito interessante e aconselho que seja lida (existem muitas biografias dele na rede, inclusive na wikipédia).
Quanto ao livro indicado neste post,
"foi fruto de intensa pesquisa, farta erudição, seleta bibliografia e habilidade crítica, sendo ela própria (a revolução) e suas conseqüências uma temática de seu permanente interesse. O leitor poderá seguir o exame da Rússia imperial e também da sociedade russa pré-revolucionária. Entretanto, a parte central da obra acha-se no que Tragtenberg chamou de processo da Revolução Russa (Makhno na Ucrânia, Lênin em Mosou, Kronstadt: a revolução na Revolução, a questão sindical, os sovietes, a ditadura do proletariado, a assembléia Constituinte, a Revolução e o problema nacional e colonial, o partido); Maurício Tragtenberg vai ao âmago do fracasso revolucionário causado pela desconfiança na capacidade de trabalho da classe operária, pela eliminação da democracia nos sovietes e no partido, pela finalidade de tomar o poder e não o destruir, pelo partido bolchevique que ocupa o lugar dos trabalhadores. Em vez deles, aparecem o capitalismo de Estado, o centralismo democrático, um povo oprimido, outros povos, o socialismo de dirigentes e dirigidos, a militarização do trabalho, a comissiocracia, a calúnia como arma política, os intrigantes bem relacionados, o carreirismo, o servilismo, os líderes tramsformados em personagens. O socialismo da solidariedade, do entendimento mútuo e da igualdade redical não prevaleceu na Revolução Russa. Como diz Tragtenberg no livro: 'Uma revolução pode transformar velhos porta-vozes em novos'. É difícil descobrir uma análise da Revolução russa tão objetiva, penetrante e real.
trecho extraído da contra-capa do livro, escrita por Evaldo Vieira

Editora: UNESP

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

LIVRO DO DIA: A VIDA E AS EXTRADORDINÁRIAS AVENTURAS DO SOLDADO IVAN TCHONKIN(+ filme)

Voinovitch é um mestre da sátira e um dos mais populares escritores da safra soviética. Dos dissidentes, é o único ainda vivo, com 78 anos.
Neste romance satírico, o autor ridiculariza e denuncia, através do personagem Ivan Tchônkin, um guarda simplório e desajeitado do Exército Vermelho, todas as então "inquestionáveis" instituições soviéticas, questionando a reforma agrária e educacional do país, sendo duro em relação ao partido comunista, ao exército (instituição na qual ele serviu de 1951 a 1955) e ... pasmem, até em relação a Stalin.Tudo escrito com irreverência e comicidade.
A temática "do absurdo", no melhor estilo de Gógol ou de Andrei Biely, foi ambientada na segunda guerra mundial.O romance seria editado em 1970, mas - como era de se esperar, foi barrado pela dura censura da URSS. Mas, ao que se sabe, ele circulou secretamente pelo seu imenso país. Ficou famoso no ocidente e foi expulso da União dos Escritores de seu país, perdendo, também, a cidadania soviética, que foi restaurada por Mikhail Gorbachev.
Este livro foi transformado em filme e será matéria de futuro post.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

LIVRO DO DIA: O EXÉRCITO DE CAVALARIA (ISAAC BÁBEL)


Hoje inicio o post pela qualidade da edição da Cosac Naify: simplesmente demais. Coisa de primeiríssima qualidade, me lembrando as edições russas que tanto aprecio.Capa dura, cinza e uma sobrecapa vermelha (foto acima), 251 páginas, com uma  tradução, de altíssimo nível, pela prof. Aurora Bernardini e Homero Freitas de Andrade, com direito a  um apêndice constante de posf´cios assinados pelo prof. Boris Schnaiderman e por Otto Maria Carpeaux: o apêndice vale por um livro, de tão bom que é.
  Este livro - O Exército de  Cavalaria (Konármya - título original em russo, literalmente, "o exército montado a cavalo, ou, o exército de cavalaria; logo, a autora optou pelo título original, ), é composto por 36 contos de Isac Bábel, escritor nascido em Odessa,Ucrânia, à epoca de seu nascimento pertencente ao Império Russo.

Como muitos escritores de sua época, Bábel morreu novo, aos 46 anos, em Moscou. Viveu de 1894 a 1940. Apesar de ter sido um defensor convicto do marxismo-leninismo e membro do Exército Vermelho, foi executado durante o grande expurgo de Stalin, em decorrência de uma confissão obtida sob tortura na Lubyanka, de ter participado de uma organização trotkista.

Os contos reunidos neste livro são fortes, inquietantes, que leva o leitor a um passeio no tempo, através das convulsões sociais na Rússia da década de 20. O conto principal é o que dá o título ao livro, editado pela primeira vez no Brasil. Seu narrador, de acordo com o prof. Schnaiderman,
 é um alter ego de Bábel: um judeu russo e míope, destacado para acompanhar os cossacos que o general Budiónni arregimentou para lutar pelos blocheviques durante a guerra russo-polonesa de 1920-21. No front, ele assiste com igual dose de entusiasmo e horror à "libertação" de aldeias  polonesas, que os cossacos não deixam de pilhar cruelmente. De corte expressionista, a prosa de Bábel encarnava o ideal de uma literatura revolucionária, capaz de romper com o conforto da leitura e mobilizar todos os sentidos do leitor  com o sol que rola no céu feito uma cabeça decepada, o cheiro penetrante de um pernil putrefato ou as entranhas de um soldado ferido a transbordar sobre os próprios joelhos".
Acabei de ler o livro agorinha mesmo.
Confesso que me contaminei, durante quase toda a leitura, sentindo o que estava sendo passado pelo autor, quer fosse estranheza, angústia ou estupefação; ou seja, vivi as narrativas do princípio ao fim, algo que me acontece quando o autor é muito bom: foi assim com o fantástico Oblomov, foi assim com O Don Silencioso, com o Destino de Um Homem, com as obras de Dostoievski e, agora, com esta obra sensacional.

Além do conto título, o livro apresenta, ainda, os seguintes contos:

  • A travessia do Zbrutch
  • A igreja de Novograd
  • Uma carta
  • O chefe da remonta
  • Pan Apolek
  • O sol da Itália (leia um trecho aqui)
  • Guedáli
  • Meu primeiro ganso
  • O rabino
  • O caminho de Bródy
  • Teoria da tatchanka
  • A morte de Dolgoruchov
  • O combrig da Segunda
  • Sachka, o Cristo
  • Biografia de Matviéi Rodionytch Pávlitchenko
  • O cemitério de Kózin
  • Pritchera
  • História de um cavalo
  • Kónkin
  • Berestietchko
  • O sal
  • A noite
  • Afonka Bida
  • Na igreja de São Valentin
  • O comandante de esquadrão Trúnov
  • Os Ivans
  • Continuação da história de um cavalo
  • A viúva
  • Zámostie
  • Traição
  • Tchésniki
  • Depois da batalha
  • A canção 
  • O filho do rabino 
  • Argamk
  • O beijo

Deixo o leitor com algumas fotos do autor e de Odessa, aproveitando a deixa para uma "viagem virtual" por esta cidade linda.

capa da edição russa

Bábel

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